O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

terça-feira, 27 de março de 2012

INSTALAÇÃO DE UPP NO COMPLEXO DO ALEMÃO

Bope apreende grande quantidade de drogas no Complexo do Alemão. Cerca de 750 PMs participam da implantação de UPPs em Nova Brasília e Fazendinha. Ana Claudia Costa E Athos Moura - O GLOBO, 27/03/12 - 12h11

RIO - Policiais do Bope que participam da operação de implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo do Alemão, apreenderam, na manhã desta terça-feira, grande quantidade de cocaína, maconha e crack, na localidade conhecida como Aurora, na Favela Nova Brasília. O volume ainda não foi divulgado pela polícia. Cerca de 750 agentes participam da operação, que ocorre também na comunidade Fazendinha. Além do Bope, estão presentes o Batalhão de Choque, a Companhia de Cães e o Grupamento Aéreo Marítmo (GAM), além de 300 policiais recém-formados que já vão compor as novas UPPS. Os policiais substituem os militares do Exército nessas localidades.

Mais cedo, durante a ação de varredura em Nova Brasília e Fazendinha, equipes do Bope prenderam um homem foragido da Justiça. Simultaneamente, policiais do 12º BPM prenderam em Niterói um homem com uma metralhadora, uma pistola e quantidade de maconha. Segundo informações da PM, ele atuava no Alemão e fugiu para o Morro do Palácio, no Centro de Niterói. O comandante geral da PM, o coronel Erir Costa Filho, disse que as equipes dos outros batalhões da PM estão de prontidão para atuar em favelas cujos bandidos são da mesma facção dos traficantes do Alemão.

Segundo Costa Filho, assim que houver informação de movimentação de bandidos, esses batalhões atuarão em suas áreas. As bases das UPPs já estão sendo construídas ao lado das estações Fazendinha e Itararé, em Nova Brasília. Enquanto não ficam prontas, elas vão funcionar temporariamente em contêineres nesses locais.

Dois centros de controle instalados

A PM já instalou dois centros de controle nas duas comunidades. As novas unidades vão funcionar provisoriamente dentro de contêineres posicionados ao lado das estações dos teleférico e já foram vistoriadas pelo comandante da PM. As unidades fazem parte do processo de instalação da UPP. As sedes permanentes ainda estão em obra. O coronel apresentou também o comandante da UPP da Nova Brasília, o major Edson Raimundo dos Santos. Falta ainda nomear o capitão da UPP da Fazendinha.

Desde as 4h, o Bope está na favela Nova Brasília, enquanto o Choque ocupa o Morro da Fazendinha. A ação policial, segundo a PM, é o protocolo a ser cumprido conforme o decreto para implantação da UPP. Simultaneamente, os policiais que farão parte destas UPPs participam também desde as 4h do patrulhamento no entorno dessas comunidades. A ação do Bope na região deve durar uma semana. Em seguida, os policiais vão ocupar aos poucos as outras favelas do Complexo do Alemão para implantação de novas UPPs.

Rumores nas comunidades dão conta que as escolas estão fechadas, mas os professores estão nas salas de aulas aguardando os alunos. O comércio funciona normalmente, e os moradores saem para trabalhar com tranquilidade. Os moradores são revistados, e a documentação de motoqueiros é cobrada. Três helicópteros da Polícia Militar fazem uma ronda. A PM divulgou uma nota informando que a ouvidoria das polícias e a corregedoria da corporação acompanham a operação. A Defensoria Pública também está na comunidade.

A Polícia Militar pede que moradores façam denúncias através do Disque Denúncia para que traficantes e armas sejam localizados. A intenção é encontrar os que que ainda estejam atuando na área. Segundo o serviço de inteligência da PM, traficantes do segundo e terceiro escalões que ficaram nas duas comunidades são hoje os responsáveis pela venda de drogas na região.

Clima de expectativa ontem

Na segunda-feira já era possível notar a retirada gradativa dos militares da Força de Pacificação do Alemão. No interior das favelas, só eram vistos homens do Exército perto das estações do teleférico. Nas ruas, o clima era de expectativa entre moradores. Muitos temem a saída do Exército.

— Tenho medo de que isso aqui fique como era antes. Hoje existe tráfico, sim, mas de forma mais velada, sem armas nas ruas — disse uma comerciante.

Segundo dados levantados pelo serviço de inteligência da PM, até armas grandes já entraram na região, principalmente no Complexo da Penha. No Alemão, há pistolas, e o tráfico atende basicamente ao consumo interno.

Segundo o relações-públicas da Força de Pacificação, tenente-coronel Fernando Fantazzini, toda a tropa que está ocupando o Complexo do Alemão sairá para dar lugar aos homens do Bope. Ele informou que os 900 militares do Exército, que ocupam a região em sistema de escala, serão distribuídos entre a Serra da Misericórdia e favelas do Complexo da Penha, principalmente a Vila Cruzeiro.

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