O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

VALORES SÃO CONVICÇÕES ASSUMIDAS






DEPARTAMENTO POLICIAL DE NOVA IORQUE


Nossos Padrões de Excelência


Valores são as convicções assumidas pelo Departamento Policial e seu pessoal. Eles guiam as ações individuais dos empregados e as decisões políticas feitas pela administração. Como tal, os valores proporcionam para o Departamento uma sensação do por que existe e o que quer alcançar.

Para os empregados, valores indicam como eles vêem o mundo, os seus componentes e outros com quem eles têm contato. Aos executivos da das organizações, valores são as forças motrizes do comportamento. Pessoas não fazem coisas por causa da ameaça de punição disciplinar, mas porque elas acreditam no que estão fazendo.
 

No policiamento, três são os tipos de valores particularmente importantes.


Valores organizacionais - são a declaração oficial do Departamento de como o policiamento será feito e o que é mais importante. Aqueles valores indicados como os mais sérios da organização. Valores da organização vinculados à comunidade para a qual presta serviços. O método para lidar com as situações que encontra diariamente. 

* O encontro da razão de existir da corporação com o dever de servir e proteger a comunidade.


Valores do servidor - indicam como os policiais uniformizados e civis vêem o mundo no qual eles trabalham. Como os valores organizacionais, pelas suas percepções de empregados, indicam o que acreditam, o que é importante, e como tratam as pessoas com quem entram em contato. 

* A valorização da pessoa e da família do policial, o cuidado com a saúde mental e o respeito aos direitos humanos e funcionais do policial.

Valores da comunidade
- indicam como os residentes da cidade esperam do Departamento Policial. Estes valores partem da expectativa do público para com o Departamento Policial. Valores de comunidade também indicam o tipo de relação que acreditam que o Departamento deve ter com residentes dos bairros da cidade.

* A interação e o comprometimento com o local de trabalho e com a segurança das pessoas que moram, trabalham e vivem ali. 

O Departamento Policial da Cidade de Nova Iorque sempre teve seus valores organizacionais. Com o passar do tempo, estes valores foram cultuados, mas raramente foram postos em forma escrita. O Departamento Policial da Cidade de Nova Iorque que é uma grande organização se torna difícil obter um consenso de valor. Mas com a mudança do Departamento para o policiamento comunitário, estes valores do Departamento devem ser declarados publicamente e geralmente têm que emparelhar com as expectativas da comunidade. Os valores de todos os empregados devem, em troca, emparelhar com os valores do Departamento e assim todo o potencial do policiamento comunitário será alcançado.

* A unidade policial deve atender a expectativa e a confiança da população.

Valores atuais do Departamento e Comunidade 

Muita discussão surge entre a polícia e os seus componentes vêm de valores contraditórios e de expectativas. O que a comunidade espera da polícia e que polícia espera deles entra freqüentemente em conflito. O assunto é ainda mais complicado quando se verifica a diferença entre os valores declarados e os valores atuais. 

* Sem confiança interna e externa fortalecida por postura e resultados, não existe policiamento preventivo...

 A comunidade espera estes resultados de sua polícia:

· Honestidade e integridade

· Respeito

· Imparcialidade

· Justiça

· Profissionalismo.

· Sensibilidade

· Obediência à Lei

· Dignidade de vida

· Responsabilidade do governo para com as pessoas

· Tratamento igual dentro da lei

· Responsabilidade para as necessidades da comunidade

· Execução neutra de lei e respeito às diversas culturas e estilo de vida

· Comunidade participando da execução e tomada de decisões

· Apoio aos direitos humanos e liberdades civis

· Um meio ambiente seguro e protegido

· Seleção boa, treinamento e equipamentos.





Fonte:
Policing New York City in the 1990s
The Strategy for Community Policing
Lee P. Brown Police Commissioner
January, 1991

quinta-feira, 21 de abril de 2016

QUANTOS POLICIAIS NECESSITAMOS?



Em 1990, sob a chefia do Comissário Lee P. Brown, a Polícia de Nova Iorque estabeleceu um plano para se transformar numa organização moderna e voltado aos bairros da cidade. Uma das primeiras medidas foi fazer um diagnóstico da situação que indicasse quantos policiais seriam necessários para policiar a cidade. Para produzir um documento de qualidade foram contratados consultores policiais custeados pela Fundação Policial local. O objetivo do trabalho era refletir prioridades como manter "a cidade sem medo" e inibir o crime e as desordens através da filosofia do policiamento aproximado, bairro por bairro.

1. Quantos policiais vamos precisar para manter a presença e a proximidade em todos os bairros da cidade?

2. Como podemos melhorar a função de patrulha?

3. Como uniremos a patrulha motorizada de resposta com o policiamento comunitário?

4. Que tipo de apoio tecnológico requer a prevenção de delitos?


5. Como podemos melhorar a comunicação interna e o feedback na corporação?


6. Que novas estratégias podem ser implementadas?

7. Como ativar mais a Emergência 911 para as demandas e despachos de viatura sem prejudicar a permanência e a responsabilidade territorial do policiamento comunitário?

8. Como podemos melhorar a imagem da corporação, a motivação pessoal e o orgulho dos policiais?


9. Como podemos melhorar a participação dos cidadãos e a interação com as comunidades?

10. Como reorganizar a estrutura e as estratégias de policiamento para garantir a ordem, a segurança e a tranquilidade?






"O Departamento Policial da Cidade de Nova Iorque existe para proteger a vida e a propriedade dentro da lei, manter a ordem pública, reduzir o crime e o medo de crime nos bairros, com grande respeito à dignidade humana e de acordo com os padrões mais altos de habilidade profissional, integridade e responsabilidade" 



FONTE:
Policing New York City in the 1990s
The Strategy for Community Policing
Lee P. Brown Police Commissioner
January, 1991

INVISIBILIDADE DO POLICIAMENTO TEM CAUSA E SOLUÇÕES



JORGE BENGOCHEA

A Brigada Militar vem enfrentando uma grave crise institucional de confiança junto à população gaúcha, em especial em Porto Alegre, onde se intensificam as reclamações pela ausência de policiais ostensivos nas ruas. A população quer se sentir segura e por isto a eficiência da polícia ostensiva preventiva se mede pela redução de delitos (indicador qualitativo) e não na prisão de bandidos ou na apreensão de armas e drogas (indicadores quantitativos). 

Na ativa estudei, escrevi e ensinei estratégias de policiamento comunitário, aprendi sobre erros que fazem sumir o policiamento das ruas e apliquei estratagemas para dar visibilidade e eficiência ao policiamento, mesmo com pouco efetivo. Por isto, tenho conhecimento, experiência e prática para apontar o erro e propor as seguintes medidas na área policial neste momento de crise...

O GRANDE EQUÍVOCO é priorizar a contenção dos delitos em detrimento da prevenção dos delitos, razão de existir das Brigada Militar e das demais Polícias Militares do Brasil. Assim, centralizaram a emergência e dotaram as OPM de muitas viaturas para o patrulhamento motorizado voltado ao atendimento de ocorrências, esquecendo dos efetivos, do potencial humano, da responsabilidade territorial, das relações interpessoais e da proximidade com as comunidades.

As medidas administrativas propostas são: 

1. Resgatar os policiais da ativa desviados de finalidade que estão a disposição dos presídios, dos deputados, da força nacional, etc...

2. Convocar voluntários da reserva para área administrava e de suporte às OPM nas bases operacionais. Além de tirar os aposentados do "bico", vai valorizar o potencial e o conhecimento deles na área policial, dando suporte e segurança.

3. Elaborar um plano operacional com objetivos e metas qualitativas a serem atingidas pelos comandos em todos os níveis.

As medidas operacionais propostas são:

1) Planejar a implementação de postos policiais dinâmicos, permanentes e com responsabilidade territorial, fixando as viaturas de patrulhamento e designado comandos próximos e conhecidos da população local, com metas qualitativas a serem atingidas;
2) Priorizar a prevenção dos delitos com controle das viaturas do policiamento comunitário diretamente pelos comandos das OPM, sem vínculo com o CICC da SSP, um dos equívocos da gestão política na polícia;
3) Manter patrulhas de resposta para atendimento das ocorrências e reforço;
4) Colocar as patrulhas especiais em apoio e operações permanentes....



OBSERVAÇÃO: Como a polícia ostensiva é apenas uma parte do sistema de justiça criminal, sabe-se que todas as medidas adotadas, por mais que tenham eficiência e tornem mais visíveis o policiamento ostensivo preventivo, apenas enxugam gelo contra o crime diante da impunidade permitida pela permissividade das leis, pela leniência da justiça e pela irresponsabilidade na execução penal.