O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sábado, 9 de julho de 2016

BRIGADA LANÇA BASES MÓVEIS COMUNITÁRIAS



Brigada Militar lança nova ofensiva contra a criminalidade na Região Metropolitana. Projeto de Bases Móveis Comunitárias visa a ampliar o policiamento em áreas conflagradas de Porto Alegre, Canoas e Novo Hamburgo

Por: José Luís Costa
ZERO HORA 07/07/2016 - 11h39min



A Brigada Militar apresentou na manhã desta quinta-feira um nova ofensiva para tentar combater a criminalidade na Região Metropolitana. Batizada de Bases Móveis Comunitárias, a iniciativa consiste em ampliar o policiamento com a presença de ônibus em áreas conflagradas de Porto Alegre, Canoas e Novo Hamburgo para aproximar o policiamento da população. São quatro bases com 10 policiais em cada uma delas, que terão à disposição uma viatura, podendo ser agregada mais uma motocicleta ou bicicleta.

Na Capital, serão duas bases, nos bairros Rubem Berta e Santa Tereza, regiões que figuram no topo do ranking das regiões mais violentas da cidade. O Rubem Berta registrou cerca de cem homicídios em 2015, conforme o subcomandante-geral da BM, coronel Andreis Silvio Dal Lago, e o Santa Tereza, em torno de 60 assassinatos.


A presença mais acentuada da BM no Santa Tereza visa a diminuir focos de tensão por conta da ação de traficantes. Após um jovem ser ferido em confronto com PMs, dois ônibus e um lotação foram incendiados em setembro passado. Dias depois, disputas entre gangues resultou na queima de outro ônibus ao lado do posto de saúde da Vila Cruzeiro. A unidade precisou ser fechada por falta de segurança. Em Canoas, a base móvel estará no bairro Mathias Velho, e, em Novo Hamburgo, no bairro Santo Afonso.


Adquiridos nos últimos dois anos, os ônibus funcionarão como referência para atendimento e orientação à comunidade. São equipados com computadores que permitem aos PMs registrar ocorrências de delitos sem gravidade e acesso ao sistem de informação Consultas Integradas, que permite pesquisar dados sobre pessoas, veículos e armas. Também há câmeras acopladas aos veículos — ainda sem geração de sinal — cujas imagens serão captadas por telas dentro do próprio ônibus.

O projeto das Bases Móveis Comunitárias lembra, de forma mais tímida, a principal bandeira do governo Tarso Genro (2011 a 2014) na segurança pública, os Territórios da Paz, lançados há cinco anos, no próprio Santa Tereza e Rubem Berta, além dos bairros Restinga Lomba do Pinheiro. A iniciativa sucumbiu porque contava com recursos federais que foram suspensos.

Projeto foi lançado próximo a local de venda de drogas

O lançamento das Bases Móveis Comunitárias ocorreu no Santa Tereza, no cruzamento das ruas Manoel Lobato e Sepé Tiaraju, uma conhecida cracolândia, ponto de reunião diária de usuários de drogas e prostitutas. No local, um ônibus da BM ficará estacionado, durante um turno, por até seis horas.


— Aqui era um ponto de tráfico e de prostituição — enfatizou o tenente-coronel Kleber Goulart, comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento da região.

Os horários e os locais para montar a base móvel serão de acordo com os índices de criminalidade, explicou o subcomandante da BM. Ele lembrou que a iniciativa foi viabilizada a partir de liberação de mais recursos para a segurança pública, como pagamento de horas extras, anunciado na semana passada.

Além da Sepé Tiaraju, o ônibus destinado ao Santa Tereza deve se movimentar até a Avenida Orfanotrófio, à noite, em horários próximos a saída de estudantes do Centro Universitário Ritter dos Reis. Aos finais de semana, a base deverá se deslocar para o Belvedere Ruy Ramos, no alto do Morro Santa Tereza.

Presente ao evento, o governador José Ivo Sartori, destacou a importância da iniciativa:

— Esse é um trabalho diferenciado. As necessidades são muitas, e com a compreensão de todos, faremos o policiamento comunitário preventivo, oferecendo mais segurança.

Instantes depois de falar a jornalistas, Sartori foi abordado por um morador. O microempresário Márcio Dias, 43 anos, reclamou da insegurança, da presença de usuários de crack e da prostituição no bairro:

— A gente tem um apartamento e estou tentando negociar para me mudar, só que é o dia inteiro prostituição na avenida. Tenho parentes que moram aqui, mas têm medo de ir para a parada do ônibus porque podem ser assaltadas ou taxadas de craqueiro ou outras coisas.

Sartori respondeu:

— É por isso que estamos aqui com a BM, para ajudar. Pouco depois, surgiu a primeira ocorrência em um beco nas imediações da Avenida Moab Caldas, onde um homem armado assustava moradores. PMs foram ao local e capturaram em flagrante um jovem de 19 anos que portava uma espingarda calibre 12. Segundo os policiais, ele tem antecedentes por tráfico e porte ilegal de arma.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA
- Por ser itinerante, a base móvel contraria princípios da estratégia de policiamento comunitário: a continuidade, a permanência e o comprometimento com o local de trabalho. Deveria ser empregada como suporte aos policiais comunitários instalados de forma permanente nas comunidades.

O PARADOXO DE DALLAS



ZERO HORA 09 de julho de 2016 | N° 18577


OLHAR GLOBAL | Luiz Antônio Araujo


Alguns dos mais notórios responsáveis por mortes de inocentes da história dos Estados Unidos nasceram ou passaram parte da vida em Dallas: Albert Herndon, Sam Bass, Bonnie e Clyde, Lee Harvey Oswald, George W. Bush. Neste como em outros casos, a fama é injusta. Diferentemente de outras localidades americanas, os índices de criminalidade caíram de forma notável nos últimos anos em Dallas.

Com 1,2 milhão de habitantes conforme o censo de 2010, a cidade é a nona maior do país e a terceira maior do Texas, depois de Houston, a capital, e San Antonio. No ano passado, por exemplo, a taxa de crime por 100 mil habitantes na cidade, um dos principais indicadores de segurança pública, teve uma queda de 4,5% em relação a 2014. Nesse mesmo período, essa taxa caiu em 20 das 30 maiores cidades americanas. Considerando-se dados de 22 dessas 30 localidades, o percentual ficou estável.

No caso dos crimes violentos, Dallas teve um aumento nesse intervalo: 4,8%. Nas 30 maiores cidades, o incremento foi menor: 3,1%.

Ainda assim, os patamares de 2014 estão entre os mais baixos da história na cidade. O número de homicídios em 2014, por exemplo, foi de 116 – a cifra mais baixa desde 1930 e praticamente a metade da registrada em 2004.

O blog The Watch, do jornal The Washington Post, especializado em segurança, associou no ano passado esses números à política de policiamento orientado para a comunidade do chefe David Brown.

Em um artigo publicado em 14 de agosto de 2014, depois da morte do jovem negro Michael Brown em Ferguson, Estado de Missouri, Brown recordou o dia em que passara pela entrevista de admissão como policial, em 1981, e fora questionado sobre as razões que o levavam a buscar uma vaga de agente. Sua resposta foi:

– Quero ajudar as pessoas, senhor. Quero servir minha comunidade. Quero fazer diferença.

Brown é negro.