O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo de ligação entre cidadão e policial. O Comprometimento é a energia. Seu sucesso depende de segmentos reativos e discretos policiais, da vigilância do MP, da ação coativa da Justiça, de leis claras e fortes, da ressocialização dos apenados, de um sistema integrado e ágil de ordem pública, e de políticas de inclusão, educação e saúde capazes de manter a continuidade, salvaguardar e garantir o sucesso dos esforços de todos contra o crime.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

CAEM HOMICÍDIOS NOS TERRITÓRIOS DA PAZ GAÚCHOS

Territórios da Paz: caem homicídios - CORREIO DO POVO, 26/01/2012

Desde a implementação do projeto Territórios da Paz, em setembro de 2011, em quatro bairros da Capital, o número de homicídios caiu 35%.

A informação foi dada pelo secretário adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro, durante a 4 Reunião de Avaliação das Ações nos Territórios de Paz, ontem. Segundo ele, antes da ação nos bairros Rubem Berta, Restinga, Lomba do Pinheiro e Santa Tereza, a Capital representava 25% dos casos de homicídios registrados no RS, e o percentual caiu para 18,97%.

Participaram do ato o comandante-geral da BM, coronel Sérgio Abreu, e o secretário de Segurança Pública e Cidadania de Canoas, Alberto Kopittke.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CRIADO NO VIDIGAL, SUBCOMANDANTE DA UPP QUER POR "ORDEM NA CASA"


Tenente Jairo Dantas, ou Jairinho, como é conhecido, morou na comunidade há cinco anos - Gustavo Goulart - O GLOBO, 19/01/12 - 23h50


RIO - A visão do esverdeado gramado sintético do campo de futebol de Sobradinho, localidade situada no ponto mais alto do Morro do Vidigal, encheu os olhos do tenente Jairo Dantas, ou melhor, o Jairinho, como é conhecido na comunidade o subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira. Quando ele morava lá, há cinco anos, o campo era de terra batida, mas não impedia o corre-corre com os pés descalços, os dribles, os chutes a gol, e a comemoração no final, com um grande churrasco entre amigos. A vida tem dessas coisas. Nascido e criado no morro, o hoje oficial foi embora da comunidade descontente com a violência do tráfico. Durante mais de um tiroteio, Dantas viu sua família se arrastar pelo chão para se esconder de balas perdidas no banheiro da casa. Foi a gota d’água. E ele disse para a mulher e para os amigos. "Vou embora agora para voltar depois e pôr ordem na casa."

— Eu prometi e estou cumprindo. Um amigo que tenho na favela me telefonou e lembrou da promessa. Hoje, meu pai, meus três irmãos, meus amigos, minha mulher e minhas duas filhas estão orgulhosos de mim — contou.

Dantas voltou e, como conhece bem as entranhas da comunidade, tem tido sucesso no planejamento das rondas dos 246 policiais militares lotados na UPP. O tenente ingressou na Academia da Polícia Militar em 2007 e foi influenciado nessa escolha por um dos irmãos, que é soldado da PM.

A educação rigorosa dos pais paraibanos, religiosos e trabalhadores afastou os quatro filhos de más companhias e de hábitos insalubres. Eles viram amigos se envolverem com o tráfico de drogas e desaparecerem.

— Meus pais eram rigorosos. Hoje, agradeço a eles. Mas lamento que muitos dos meus amigos não tenham seguido o caminho do bem. Certa vez, com 17 anos, soube que um amigo que frequentava a minha casa tinha passado para o outro lado. Fui atrás dele e passei o maior sabão: "tome vergonha na cara. Vá para casa". Ele me garantiu que ia, mas no dia seguinte foi morto durante uma troca de tiros na mata atrás do Sobradinho — contou o tenente, para quem seu retorno será completo apenas quando ele pisar novamente no campo de futebol para disputar uma pelada.

Vidigal, em paz, espera agora a ordem. Carros e barracas ocupam calçadas e caminhões descarregam a qualquer hora. Gustavo Goulart - o globo, 20/01/12 - 0h32

RIO - Deve ser difícil viver num lugar com uma das vistas mais bonitas da cidade — o mar à frente e a Mata Atlântica nos fundos —, um comércio abundante e, agora, segurança 24 horas. E é. O Morro do Vidigal pode ser considerado a Zona Sul das favelas cariocas, mas, embora tenha as qualidades acima, está longe de ser um ambiente ordeiro. Com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira, a favela agora clama por uma faxina geral, um choque de ordem que ponha as coisas nos seus devidos lugares. A começar pelo trânsito, que é caótico.

Carros estacionados nas curvas atrapalham tráfego

Para chegar, por exemplo, à localidade de Sobradinho, no topo do morro, onde foi inaugurada a UPP, autoridades e convidados chegaram a demorar até uma hora, usando a única via de acesso, a Avenida Presidente João Goulart. Na quinta-feira, O GLOBO voltou à favela e constatou que o desrespeito à lei faz parte do cotidiano da comunidade.

Os carros são estacionados de qualquer maneira, inclusive nas inúmeras curvas que levam ao Sobradinho. Não há garagens e, com o aumento do poder aquisitivo, mais veículos chegam à comunidade. Quem adquire o seu automóvel insiste em estacioná-lo em frente à sua casa. Mesmo se, do outro lado da rua, já houver outro estacionado. Para dar conta da falta de garagens, muita gente privatizou as poucas calçadas existentes: barras de ferro com cadeados são vistas em vários locais da favela, até mesmo ao lado da sede da UPP. Dessa forma, motoristas garantem suas vagas e jogam os pedestres para a rua, apesar do tráfego perigoso.

— Está uma bagunça danada. Em toda a favela, há barras de ferro nas calçadas garantindo estacionamento para carros. E os pedestres, principalmente idosos, crianças e gestantes, ficam expostos ao risco de ser atropelados por uma motocicleta ou por carros e caminhões — reclama o presidente da Associação de Moradores do Vidigal, Wanderley Ferreira.

Também não há horário estabelecido para carga e descarga no comércio local. É comum encontrar um caminhão no meio da Avenida Presidente João Goulart, como quinta-feira.

— E isso prejudica o acesso do caminhão da Comlurb, causando a sobrecarga das caçambas de lixo — disse Wanderley.

Equipe de secretaria será enviada ao local

Comerciantes construíram barracas no meio da calçada e impedem a circulação de pedestres. No acesso à favela, mesas e cadeiras são colocadas na rua por comerciantes.

O secretário municipal da Ordem Pública (Seop), Alex Costa, garantiu na quinta-feira que vai enviar equipes ao Vidigal para elaborar um diagnóstico do que será preciso fazer nas futuras operações de choque de ordem na comunidade.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PRISÕES E APREENSÕES NO TERRITÓRIO DA PAZ EM PORTO ALEGRE

AÇÃO NA RESTINGA. Prisões e apreensões no Território da Paz - EDUARDO TORRES, ZERO HORA 28/12/2011

Depois de quase quatro meses da instalação do primeiro território da paz na Capital, ontem, a Polícia Civil e a Brigada Militar agiram em conjunto para mostrar na prática o projeto de pacificação na Restinga. E a ação pode ter causado o maior baque às quadrilhas que aterrorizam o bairro recordista de homicídios deste ano. Foram presas oito pessoas ontem e outras 11 ao longo das investigações.

A chamada Operação Restinga cumpriu mais de 30 mandados. Em uma casa de madeira, foram encontradas notas de R$ 100 empilhadas aos montes, assim como de R$ 50, R$ 20 e de valores menores. No final, um total de R$ 35 mil em dinheiro do tráfico. A poucos quilômetros dali, em um sítio no Lami, outra surpresa para os agentes, que descobriram um arsenal com 13 armas escondidas.

– A quantidade de materiais apreendida prova que, com a conjunção de conhecimento e estrutura, conseguimos fazer um trabalho eficiente nas áreas conflagradas – avaliou o comandante do Comando de Policiamento da Capita (CPC), coronel Atamar Cabreira.

Durante duas horas, os acessos à Restinga Velha foram controlados pelo policiamento. Pelo menos quatro bandos tiveram baixas importantes com a ação.

– O combate ao tráfico vai refletir diretamente na diminuição dos homicídios naquela área, que é o objetivo do Território da Paz – afirma o diretor de investigações do Denarc, delegado Heliomar Franco.

Segundo ele, a ação servirá de modelo para 2012.

– Continuamos investigando os traficantes da Restinga e vamos intensificar a atenção nos demais Territórios da Paz. Nossa ideia é repetir as ações conjuntas com a Brigada – disse o delegado.

Além da Restinga, os bairros Lomba do Pinheiro, Santa Tereza e Rubem Berta também fazem parte dos Territórios da Paz em Porto Alegre. Nenhum deles teve, até agora, ações policiais nas proporções desta última.

domingo, 11 de dezembro de 2011

FELICIDADE

Felicidade agora mora em áreas pacificadas do Rio. Em Santa Teresa, 68% dizem que PMs são bem preparados, mostram resultados de pesquisa na área de segurança - ELENILCE BOTTARI - O GLOBO, 10/12/11 - 18h04

RIO - Os morros dos Prazeres e do Escondidinho, em Santa Teresa, apresentaram alguns dos melhores resultados da pesquisa na área de segurança. Perguntados que nota dariam — de zero a dez — para o envolvimento da UPP em corrupção, 75% responderam "zero" (nenhum envolvimento). Para 68,5% dos entrevistados, os policiais que atuam na UPP — responsável pelo patrulhamento nas duas favelas — são muito bem preparados ou bem preparados. A pesquisa revelou ainda que, para 80% desses moradores, a segurança nos morros do Escondidinho e dos Prazeres melhorou após a UPP. E a pacificação mexeu com a vida deles: 92% dizem ser felizes ou muito felizes e 70,3% acreditam que é importante viver em segurança.

— A gente se sente feliz porque hoje podemos deixar nossas crianças brincarem sem medo de tiroteio. Isto é muito importante — conta Regina de Carvalho, enquanto brinca com a neta Érica.

Onde há corrupção, os piores resultados

A pesquisa da Endeavor foi realizada entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro, uma semana antes da prisão em flagrante de policiais da UPP dos morros da Coroa, do Fallet e do Fogueteiro, acusados de aceitarem propina do tráfico. Foi justamente esta região que apresentou os piores resultados: apenas 27,5% dos moradores dessas favelas acreditam que não haja corrupção na UPP. Entre os entrevistados, 38,5% consideram os policiais muito bem preparados, contra 36% que os consideram mal preparados ou muito mal preparados e 25% que preferiram não responder.
 
— Hoje mesmo (na última quarta-feira), fizemos uma reunião com o novo comandante da UPP e com a corregedoria da PM, além de lideranças comunitárias, para tentar chegar a um acordo sobre procedimentos de abordagem e direitos dos moradores. Os policiais continuam a entrar nas casas sem os moradores e invadem festas para revistar os convidados. Fazem isso no asfalto? — reclamou a presidente da Associação de Moradores do Fogueteiro, Cíntia Luna.

Já nos morros do Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, que estão pacificados desde junho de 2009, o relacionamento entre policiais e moradores é cada dia melhor.

— O mais importante que a UPP trouxe foi a segurança. Com ela, não só vivemos melhor, como também outros setores de governo e a iniciativa privada começaram a chegar. Ainda precisamos de muita coisa, mas a vida, com certeza, melhorou muito — disse o presidente da associação de moradores, Valdinei Medina.

Para 93,5% dos moradores do Chapéu Mangueira e da Babilônia, a segurança melhorou depois da UPP. Para 60,5%, o envolvimento em corrupção naquela unidade é zero.

MAIS CONFIANÇA

Mais confiança entre moradores e policiais de UPP. Pesquisa revela que 72,4% acham que envolvimento de PMs com a corrupção não existe ou é muito pequeno - ELENILCE BOTTARI - O GLOBO, 10/12/11 - 18h31

RIO - Marcada por décadas de violência e desconfiança, a relação entre moradores de favelas e policiais militares começa a mudar, pelo menos, nas comunidades beneficiadas pelo programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Uma pesquisa inédita, realizada pelo Instituto Endeavor Brasil e pelo professor Maurício Moura, da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, com 3.816 moradores de 23 comunidades pacificadas, revela que o envolvimento de policiais de UPP com a corrupção não existe ou atinge apenas uma pequena parte da tropa na opinião de 72,4% dos entrevistados. No entanto, para 6,9% dos ouvidos, a totalidade dos PMs é corrupta.

O diagnóstico mostrou ainda que, para a maioria dos moradores (66,8%), a segurança na favela melhorou depois da UPP. Outros 24,4% acham que não houve mudanças e 4,7% acreditam ter piorado. Entre os que pior avaliam a polícia ou mesmo a segurança na comunidade, estão os homens jovens, entre 16 e 24 anos.

— A comunidade está reaprendendo a respeitar o poder policial e o policial está reaprendendo a respeitar o morador de comunidade. São muitos anos de abandono do poder público. Nossos jovens de hoje nasceram conhecendo a polícia corrupta, violenta, agressiva, que só entrava na favela atirando, sem saber quem iria atingir. Para muitos deles, é estranho agora cruzar com um policial no beco e dar bom-dia — conta a presidente da Associação de Moradores do Morro dos Prazeres, Eliza Rosa Brandão.

Segundo ela, ainda há na comunidade policiais truculentos, mas são poucos:

— A maioria, graças a Deus, está aprendendo a ser a polícia pacificadora.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

EXPERIÊNCIAS EM POLÍCIA COMUNITÁRIA NO ACORDO ENTRE RS E SP


Governadores gaúcho e paulista acertaram termo de cooperação que será assinado até fim do ano - ZERO HORA 17/11/2011

Os governadores do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e de São Paulo, Geraldo Alckmin, acertaram ontem uma parceria, visando à melhoria da segurança pública gaúcha. Em encontro no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, foi definida a elaboração de um termo de cooperação que será assinado até o final do ano, prevendo a troca de experiências entre os gestores diretos da área. Uma das ideias é se espelhar no exemplo paulista para reduzir os homicídios.

Entre os acordos que deverão ser firmados destaca-se o intercâmbio entre as polícias civis para desenvolvimento de estratégias de inteligência policial e técnicas investigativas, acordo de cooperação e integração para combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, utilização de ferramentas e funcionamento do disque-denúncia e a troca de experiências para redução de homicídios. Em 2010, o índice de homicídios em São Paulo chegou a 10,4 casos por 100 mil habitantes. No Rio Grande do Sul, a taxa foi de 15,1 assassinatos por 100 mil habitantes.

São Paulo é referência nacional no enfrentamento dos assassinatos, com queda sucessivas há mais de uma década. A política de policiamento comunitária, baseada em um projeto japonês, também é destaque. Uma das iniciativas de sucesso é a instalação de bases militares que também servem de moradia para PMs e suas famílias em áreas rurais, distantes dos quartéis, e com moderados índices de violência.

Segundo Tarso, o modelo pode ser adaptado para a realidade gaúcha. Ele lembrou que o Estado vem negociando parcerias para que prefeituras paguem o aluguel de moradias para PMs se estabelecerem em áreas onde vão atuar no policiamento comunitário.

– Nas questões operacionais, o nosso entendimento é que tem muita similitude da Grande São Paulo com a Grande Porto Alegre, o tipo de conglomerados, o tipo de contraste entre pobreza e riqueza – afirmou Tarso a Zero Hora, antes da viagem para São Paulo.

Alckmin concorda:

– De fato, as questões de segurança em São Paulo e no Rio Grande do Sul são semelhantes. Estamos intensificando um contato que vai prosperar por meio do diálogo.

Para afinar as propostas, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, o chefe da Polícia Civil, Ranolfo Vieira Junior, e o comandante-geral da Brigada Militar, Sérgio Roberto de Abreu, participam de uma reunião, em 24 de novembro, em São Paulo, com a cúpula da segurança paulista.


O modelo paulista. Exemplos de medidas adotadas pela PM em São Paulo:

- Um dos pilares da queda nos números da criminalidade em São Paulo é o reforço do patrulhamento das ruas;

- A ênfase é para o policiamento comunitário, que tem um departamento específico dentro da PM com 30 oficiais praças desenvolvendo projetos para essa finalidade;

- Além de bases móveis, foram criadas bases fixas, nas quais trabalham entre 13 e 25 policiais em contato direto com moradores e comerciantes, que, em caso de ajuda ou troca de informações, telefonam diretamente para a base, sem necessidade de ligar para o 190;

- Em localidades rurais no interior, com baixos índices de criminalidade, PMs e familiares moram na própria base policial;

- Para agilizar o atendimento de ocorrências nas grandes cidades, viaturas são monitoradas por GPS. Para segurança dos PMs, eles usam uma espécie de celular, que dispara um alerta para o centro de controle da PM sempre que houver um movimento brusco do policial.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Sempre é boa a troca de experiências. São Paulo é um dos Estados que mais investe em recursos materiais e estratégias de segurança pública, entretanto é um Estado que paga salários miseráveis aos policiais e onde os conflitos entre as forças policiais são mais aflorados. Aliás, estes dois fatores são os principais erros dos governantes brasileiros nas questões de segurança pública. Ao visarem recursos materiais esquecendo o operador de segurança pública, eles "esquecem" que quem faz funcionar todos estes recursos é a pessoa do agente, bem formada, preparada, capacitada, habilitada, motivada e valorizada com segurança pessoal e financeira. De nada adianta, investirem em viaturas, tecnologia de ponta e programas se não investirem na saúde física, emocional e psíquica do policial onde a segurança pessoal e financeira é fator de motivação, dignidade, valor e confiança.

Quanto ao policiamento comunitário, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo foram os Estados pioneiros a institucionalizar o policiamento comunitário. Em São Paulo, o governo investiu mais realizando congressos, mandando Oficiais para o exterior e motivando iniciativas dos Oficiais. Aqui no RS, vários Oficiais desenvolveram ações de policiamento de quarteirão, de bairro e comunitário, porém de forma isolada e sem o reconhecimento necessário para sensibilizar os Governantes da tendência e importância desta estratégia policial. Houve muita resistência, desconhecimento e discriminação. Infelizmente, alguns Oficiais que se entregavam nesta ideia se desmotivaram e pediram a reserva.

Apesar de não gostar das ações midiáticas e pontuais do Governo Tarso na área da segurança pública, eu aplaudo suas iniciativas de institucionalizar o policiamento comunitário na Brigada Militar e a polícia comunitária na Polícia Civil, buscando experiências em outros Estados e até no Exterior. Entretanto, gostaria de lembrar ao Governador que a Brigada Militar conta com Oficiais muito experientes e estudiosos nesta estratégia, e Delegados da Polícia Civil contaminados pela necessidade de aproximação das polícias para com o cidadão e comunidades.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

TERRITÓRIO DA PAZ GAÚCHO - SECRETARIO DE SEGURANÇA FESTEJA QUEDA DE HOMICÍDIOS


Balanço mostra redução de homicídios em Porto Alegre. Para Michels, redução se deve ao reforço no policiamento - JORNAL DO COMERCIO, 16/11/2011

Após 60 dias de implantação dos Territórios da Paz em quatro bairros de Porto Alegre (Restinga, Lomba do Pinheiro, Rubem Berta e Santa Teresa), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) apresentou os primeiros resultados na segunda-feira. O número de homicídios apresentou uma redução de 44%. Nos trinta dias que antecederam a iniciativa, de 14 de agosto a 12 de setembro, houve 16 ocorrências de homicídios nos quatro bairros. No período posterior, entre 13 de setembro e 12 de outubro, foram registrados nove homicídios. O número manteve-se o mesmo entre 13 de outubro e 11 de novembro.

Para o secretário titular da SSP, Airton Michels, a redução se deve ao reforço no policiamento, no trabalho de mapeamento da criminalidade, nos investimentos em equipamentos e também na qualificação profissional na área de policiamento comunitário. “Os resultados não são definitivos, é preciso manter esse trabalho conjunto entre Polícia Civil (PC) e Brigada Militar (BM), além de uma relação cada vez mais próxima com a comunidade”, afirma Michels.

No policiamento ostensivo, em cada bairro foram instalados um posto móvel da BM para abrigar a equipe de policiais de atendimento 24 horas ao público, viaturas de radiopatrulhamento e de policiamento ostensivo, que atuam exclusivamente no projeto, cinco rádios portáteis e notebooks com internet. Foram destacados 17 policiais militares a mais para atender aos quatro bairros e ampliado o número de horas extras pagas aos policiais, totalizando 4.680 por módulo, para cada 30 dias de operação.

Os Territórios da Paz são áreas da cidade caracterizadas por elevados índices de violência letal, que envolvem principalmente os jovens de 15 a 29 anos. O objetivo da identificação dessas áreas na cidade é que estes locais, por meio de diversas intervenções sociais e implantação de policiamento comunitário previstas pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), sejam pacificados, transformando-se em Territórios da Paz.