O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

DEZ CARACTERÍSTICAS DO FALSO LÍDER


 


RH.COM.BR - LIDERANÇA

Por Patrícia Bispo



A busca incessante por lideranças que façam a diferença para o negócio, só tende a aumentar. Mesmo as empresas que já contam com líderes capacitados, que levem suas equipes a terem um ótimo desempenho, continuarão na constante captação de novos talentos e investirão na formação dos líderes do futuro. Apesar dessa visível preocupação focada nas lideranças, há ainda quem detenha o "título" de líder, mas que na verdade, no dia a dia, não consegue nem dar um norte às próprias atividades quanto mais a uma equipe formada por pessoas com experiências e competências comportamentais completamente diferenciadas. Infelizmente, ainda, há pessoas que conseguem "driblar" a real visão de que pertencem ao grupo dos que apenas delegam ordens, mas que nunca conseguirão segurar o "leme" dos profissionais que estão sob suas responsabilidades. Abaixo, seguem algumas características dos falsos líderes.

1 - "Eu sei de tudo. Dou conta do meu departamento e não preciso de modismos". Um verdadeiro líder sabe que seu desenvolvimento precisa ser constante. E mais: o aprendizado não ocorre somente de maneira formal, através de treinamentos. O gestor precisa ser autodidata e reconhecer que sempre é possível aprender com aqueles que formam seu time.

2 - Se a empresa institui um Programa de Desenvolvimento de Lideranças, o "pseudogestor" entra em pânico e é o primeiro a levantar a "bandeira da resistência". Tenta convencer os demais gestores de que essa ação, desenvolvida pelo "tal RH", é apenas para mostrar serviço e finca os "pés" na zona de conforto.

3 - Caso a área de Recursos Humanos procure o "falso líder" para dar respaldo às suas atividades ou, então, firmar parcerias que visem o bem-estar da equipe, torna-se visível a repulsa. Para ele, o RH nada tem a fazer em seu departamento e deve preocupar-se apenas com assuntos burocráticos. A "moda" de RH Estratégico é passageira e sua equipe não necessita de intrusos para atrapalhar.

4 - Quando uma atividade mais complexa precisa ser desenvolvida, o falso líder vai convocar um ou dois membros da sua equipe para realizar o trabalho. Determina prazos, mas não acompanha o processo. Ao final, cobra o conteúdo produzido, dirige-se à diretoria para cumprir das determinações e, em momento algum, cita que contou com a "ajuda" de terceiros. Os "louros" recaem sobre sua cabeça, o que garante a sua permanência no cargo de "liderança".

5 - Outra característica de quem se autointitula de líder, mas que na prática passam bem longe, é acreditar que todos que estão ao seu redor cobiçam sua colocação na empresa. Quando identifica alguém que pode destacar-se e chamar a atenção dos dirigentes, imediatamente providencia o desligamento do profissional porque se sente ameaçado.

6 - Para o falso líder, a comunicação interna é pura perda de tempo. E indaga: "Por que parar para conversar com a equipe, se as pessoas terão que parar suas atividades por uma hora ou até menos? Todos têm que continuar a todo o vapor em suas atribuições, afinal são pagos para trabalhar e não para conversar, mesmo que os assuntos estejam relacionados à superação de metas.

7 - E por falar em metas, quando o "falso líder" percebe que seu setor ficará abaixo das expectativas da empresa, utiliza um estimulo motivacional, no mínimo, bizarro. Apela para gritos, ameaças de demissão e chega a cometer ações consideradas como assédio moral.

8 - A política de Portas Abertas para o "falso líder" só deve ser colocada em prática se a outra pessoa detém o título de liderança, é seu superior ou alguém que comparece à empresa para tratar de assuntos do seu próprio interesse

9 - Se uma equipe é o reflexo do seu gestor, aqueles que estão sob o julgo da "falsa liderança" apresentam sinais preocupantes para qualquer empresa como, por exemplo, desmotivação, situações de conflitos constantes entre os pares, presenteísmo, absenteísmo e baixo desempenho.

10 - Um péssimo hábito de um "falso líder" também se apresenta quando o processo de avaliação de desempenho chega às suas mãos, para que ele cumpra o papel de analisar a performance dos liderados. Ao invés de considerar os pontos fortes e aqueles que precisam ser trabalhados em cada pessoa que compõe o time, faz elogios apenas com quem esporadicamente simpatiza e deteriora a imagem dos demais colaboradores, mesmo que tenham uma atuação digna de elogios.

 COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Estou postando esta matéria por julgá-la interessante para a gestão de organizações policiais e execução do policiamento comunitário.

domingo, 21 de outubro de 2012

NYPD: MISSÃO, VALORES E VISÃO DE FUTURO


 

 O Departamento de Polícia de New York existe para proteger a vida e a propriedade dentro da lei, manter a ordem na comunidade, reduzir o crime e o medo de crime nos bairros, com grande respeito à dignidade humana e de acordo com os padrões mais altos de habilidade profissional, integridade e responsabilidade.


 

VALORES DO DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE NEW YORK: 

Em parceria com a comunidade, nós nos empenharemos a:

- Proteger as vidas e a propriedade de nossos concidadãos e com imparcialidade fazer cumprir a Lei;


- Combater o crime, prevenindo o crime e impedindo a ação dos violadores da Lei;


- Manter o mais alto padrão de integridade que geralmente é esperado dos outros, tanto quanto é esperado de nós;


- Valorizar a vida humana, respeitar a dignidade de cada indivíduo e fazer os nossos serviços com cortesia e civilidade.





ONDE ESTAREMOS NO FUTURO:

- Os policiais de bairro, maior recurso do Departamento, serão dispostos ao longo da cidade à disposição dos residentes;

- Toda a Organização policial refletirá o compromisso do "community policing":


- Os esforços do Departamento em administrar as crises diárias da cidade puxarão as forças políticas da comunidade, mas não prejudicará seu compromisso com os bairros da cidade;


- A estratégia de policiamento do Departamento enfocará a solução de problemas nos bairros através do policiamento em lugar de um rápido atendimento policial, simplesmente movido por uma chamada:

- Os membros do Departamento irão desenvolver novas habilidades e competências para refletir esta mudança de estratégia de policiamento;


- Os policiais comunitários terão uma maior habilidade para compartilhar a informação com os detetives e a prisão de criminosos será melhorada, obtendo um resultado importante na estratégia de policiamento;


- O principal papel dos supervisores de linha e gerentes são as mudanças. Eles trabalharão para assegurar o sucesso do policial comunitário.


(Policing New York City in the 1990s, The Strategy for Community Policing. Lee P. Brown, Police Commissioner, NYPD, Janeiro, 1991)

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Para os governantes que estimulam e investem neste tipo de policiamento e para os Comandantes das corporações policiais, gostaria de ressaltar três pontos fundamentais deste texto:

1. O motivo da existência da força policial - Pode ser comparado à uma questão fundamental e prioritária tratada nos planos estratégicos das grandes empresas: "qual é o meu negócio?"

2. Os valores podem ser difrentes, mas não fogem da integridade, imparcialidade, moralidade, eficácia e respeito à dignidade;

3. O papel dos supervisores de linha e gerentes (Comandantes) - Aqui reside o principal foco do naufrágio deste tipo de policiamento. Se for tratado com descaso este papel, a eficácia será minada por uma resistência causada pelo desconhecimento, despreparo, desmotivação e sentimento de perda de poder. De nada adianta elaborar os planos, publicar em mídia e formar policiais treinando-os para atividades de aproximação, relações interpessoais e ações proativas, se os Comandantes nao estiverem comprometidos e preparados para uma mudança operacional que delega a decisão executora para o comandante responsável  pelo policiamento ostensivo no bairro e pelas metas de equipe que deve alcançar junto ao seu superior imediato. Junto a isto, soma-se a supervisão, o apoio e o controle direto dos meios empregados pelos Comandantes de área e de bairro.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ASSASSINATOS E VIOLÊNCIA CRESCEM EM FAVELAS SEM UPPS

FOLHA.COM 12/10/2012 - 05h30

Assassinatos e violência crescem em favelas sem UPPs, no Rio

MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO


Longe de onde estão as 28 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) já instaladas no Rio --na zona sul e em parte da zona norte, principalmente em torno do Maracanã-- a violência aumentou.

Levantamento da Folha com base nas estatísticas da Secretaria de Segurança mostra que os índices subiram em, pelo menos, três Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp, divisão implantada pelo Estado a partir de 2003 para que, em cada região, batalhões da PM e delegacias trabalhem de forma integrada).

Juntas, essas três áreas concentram 53 bairros, como Madureira, Jacarezinho e Costa Barros, e pouco mais de 1,5 milhão de habitantes, um quarto da população da cidade.

Somando-se as ocorrências nos 53 bairros, foram registradas 315 mortes violentas nos seis primeiros meses do ano, mais de uma por dia. No ano passado, no mesmo período, o total foi de 297 casos.

Na zona sul, onde todas as favelas têm UPPs, houve 20 mortes violentas ao longo do primeiro semestre de 2012.

Numa tentativa de reduzir os índices nessas áreas, a secretaria fará uma operação para ocupar no domingo as favelas de Manguinhos, Mandela e Jacarezinho, na zona norte.

Tropas federais vão auxiliar na ocupação, nos moldes do que ocorreu no Complexo do Alemão e na Rocinha. A ocupação é o primeiro passo para a instalação das UPPs.

A confirmação com antecedência é estratégia da pasta para evitar confronto com criminosos e, consequentemente, vítimas inocentes.

POLICIAIS DO MEDO

Não faltam histórias de violência nas áreas ainda não ocupadas por UPPs. Os policiais civis da 39ª DP (Pavuna, zona norte), por exemplo, formam comboios para ir para casa. Temem ser assaltados.

Segundo um policial, grupos de áreas ocupadas se abrigaram em Costa Barros, de onde controlam o tráfico. Quando precisam de dinheiro rápido, saem para assaltar.

"As UPPs não são a solução para este tipo de crime urbano", diz o subsecretário de Segurança, Roberto Sá, que defende patrulhamento e prisões.

Em Costa Barros, o policiamento é feito por 70 PMs por dia: um para cada 7.000 habitantes. No Jacarezinho, há um PM para 6.000. Na zona sul da cidade a proporção é de um PM para cada 960.

OUTRO LADO

Subsecretário de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança, Roberto Sá diz que o governo vem se esforçando para reduzir o crime nessas regiões. "Cobrei dos policiais e agora espero uma solução", afirmou Sá.

Além de ocupar as favelas do Jacarezinho e de Manguinhos, a secretaria pretende instalar uma companhia da PM no morro da Serrinha, em Madureira, onde há uma disputa de facções.

Sá concorda que há deficit de PMs no Rio, mas diz que novos concursos estão sendo organizados.

Editoria de arte/Folhapress




sábado, 6 de outubro de 2012

O OUTRO LADO DA UPP

REVISTA ISTO É N° Edição: 2239 | 05.Out.12 - 21:00


Olheiros de clubes europeus descobrem novos talentos do futebol em projeto esportivo coordenado por militares que ocuparam comunidade pacificada no Rio Tamara Menezes


FUTURO
Fabrício, 15 anos, e Paulo Henrique, 14: preparação bancada pelo
Porto e pelo Barcelona para em 2013 jogarem no Exterior

No campo de terra esburacada, pessoas eram queimadas vivas em pneus até quatro anos atrás, quando o tráfico impunha seu poder na comunidade Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro. Testemunhas da sombria época dizem que os bandidos exigiam que pelo menos um morador de cada casa assistisse ao espetáculo para que, depois, contassem aos demais, espalhando o medo. Nesse mesmo campo, hoje a bola rola livre nos pés de meninos que treinam futebol na escolinha comandada pelo sargento Orlando Muniz. Ela faz parte do projeto Rio 2016 da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) implantada há três anos na Cidade de Deus. O campinho está irreconhecível: agora tem grades, rede de proteção, grama sintética e traves novas. Melhor de tudo, a presença de traficantes deu lugar às 400 crianças que treinam futebol ali.

Dois garotos já tiraram a sorte grande. Fabrício Gomes, 15 anos, e Paulo Henrique Sena, 14 anos, foram descobertos por olheiros de times europeus e convidados a integrar a base das agremiações. Fabrício no Porto, de Portugal, e Paulo Henrique no Barcelona, da Espanha. Bancados pelos estrangeiros, os atletas mirins estão recebendo apoio psicológico, cuidados nutricionais e preparação física adequada para, no ano que vem, embarcarem rumo a uma carreira fora do Brasil. E, assim, escapar de um provável destino triste. O pai de Fabrício foi assassinado pelo tráfico e ele não tem contato com a mãe, que é dependente de drogas. Caladão, guarda seu sorriso para ocasiões especiais, como quando conta que deverá ir a Portugal até o fim deste ano para começar a se familiarizar com o futuro time. “Ainda não sei nada do Porto”, sorri. O treinador Muniz elogia o jovem lateral esquerdo: “Joga de cabeça erguida, como os grandes craques.”

Franzino, Paulo Henrique é mais novo, porém já tem alguma experiência. O atacante disputou um torneio internacional na China, em julho. Agora, quer aprender inglês e espanhol e jogar como seu ídolo, o argentino Lionel Messi, atacante do Barcelona, para onde ele irá. “O representante do time me liga todo dia para falar do Paulo”, conta o treinador Muniz. Testemunha da virada social da favela, ele lembra que no início as pessoas diziam aos alunos que eles entrariam numa lista negra e, depois que as UPPs saíssem, seriam mortos. Felizmente, o desfecho é o oposto. “O esporte é um dos fatores mais positivos que ajudaram a aproximação da comunidade com policiais”, diz o major Xavier, responsável pela UPP.



Foto: Masao Goto Filho/ag. Isto É