O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

POLICIAL COMUNITÁRIA É PRESA POR ABANDONO DE POSTO

PM de Sergipe é presa por sair para fazer xixi - 07 de abril de 2011 - Antonio Carlos Garcia - O Estado de S.Paulo - ESPECIAL PARA O ESTADO, ARACAJU

A soldado da Polícia Militar de Sergipe, Ediana Barbosa de Oliveira, foi presa em flagrante pelo capitão Donald Antônio Araújo da Costa por ter se ausentado do serviço para fazer xixi em casa, a 200 metros dali. Detalhe: no posto de Polícia Comunitária onde ela trabalhava, em São Cristóvão, região metropolitana de Aracaju, não há banheiro nem alojamento feminino. O caso foi parar na Justiça Militar.

A prisão ocorreu no domingo à noite, por telefone. Visivelmente irritado, o capitão disse que Ediana abandonou o posto - um crime previsto no Código Militar - e por isso seria presa.

A militar foi levada para o Presídio Militar (Presmil), mas, como não há alojamento feminino no local, foi transferida para o Quartel do Comando Geral (QCG), no centro de Aracaju. Anteontem, saiu depois de um habeas corpus pedido pela Associação Integrada de Mulheres da Segurança Pública de Sergipe.

Ontem, Ediana voltou ao trabalho, mas em outra unidade. A presidente da associação, Svetlana Barbosa da Silva, disse que a tropa está indignada com o caso. Já Donald informou, por meio da Assessoria de Comunicação da PM, que apenas cumpriu o previsto no Regime Disciplinar do Exército (RDE), usado pela polícia sergipana.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Este caso deveria ser bem analisado. Como especialista em policiamento comunitário defendo a interação do policial junto a comunidade nas 24 horas do dia, especialmente se ele morar na comunidade. Esta interação relaciona o posto policial com o local de trabalho (a comunidade e não com o imóvel onde ele fica), mais autonomia de decisão, resposta rápida caso procurado e maior confiança entre policiais e entre policiais e comunidade. Assim caem muitos paradigmas, inclusive este que foi considerado pelo oficial supervisor como abandono de posto. O que não deveria ocorrer neste caso, já que a policial estava atuando dentro da filosofia do policiamento comunitário. A não ser que existem outros fatos relevantes para a decisão do Oficial.

2 comentários:

Gregório de disse...

Com todo respeito Sr. Coronel, mas parece haver um comentário corporativista por parte de V. Sª. em relação à arbitrariedade praticada por aquele Oficial, quando desconsidera o trecho da reportagem que diz: "Detalhe: no posto de Polícia Comunitária onde ela trabalhava, em São Cristóvão, região metropolitana de Aracaju, não há banheiro nem alojamento feminino."
Se a PM sergipana quer dedicação total e abnegada de suas Praças (como o querem todas as PM´s do Brasil) que ofereçam condições mínimas para que o (a) Policial possa cumprir sua jornada de trabalho de forma digna. Infelizmente, o que vemos em várias localidades no Brasil, são convênios firmados entre Polícia e políticos, para colocar policiais nas ruas a fim de promover o marketing estatal da segurança e negando a esses profissionais condições seguras e humanas de trabalho.

Marcelo. Sd BM/PE

Bengochea disse...

Gregório. Tu não entendeste meu comentário. A filosofia do policiamento comunitário permite a interação entre a casa e família do policial com o posto de policiamento que podia ser fixo ou móvel. Eu permitia ao policial comunitário, sob meu comando, fazer suas refeições durante a jornada de trabalho em restaurante local, em casa ou no próprio posto. Tudo prescrito em ordem de serviço para não haver dúvidas. Tu tens razão em dizer que se deve dar as melhores condições para que o serviço seja de qualidade e efetivo, e vou além - deve-se ter confiança no subordinado. E a confiança é um dos suportes do policiamento comunitário.