O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ONZE NÚCLEOS EM PELOTAS

BM PELOTAS.COM.BR

Policiamento Comunitário será instalado em Pelotas
agosto 28, 2013 




Imagina ter como vizinho um policial da Brigada Militar (BM), com direito a uma viatura bem ao lado de casa? Utopia? Não. Com o projeto de lei que prevê o Policiamento Comunitário, 11 núcleos serão instalados até o fim do ano em locais com até dez mil habitantes e considerados conflitantes, numa ação do Estado e prefeitura de Pelotas que investem na segurança considerada pró-ativa.

As unidades irão funcionar com quatro PMs residindo com suas famílias e trabalhando em vilas e bairros. Os grupos estarão equipados, mas atuarão como moradores, participando das ações das comunidades.

“Vamos modificar a maneira de fazer policiamento. O policial até poderá registrar ocorrência, mas sua função é conhecer e interagir com a comunidade”, garantiu o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM) e coordenador do PC, major Enilton Gley Albuquerque. Com o novo sistema, o oficial aposta em uma grande mudança na aplicação do policiamento ostensivo, pois diz acreditar na redução dos índices da violência urbana.

O objetivo principal do governo do Estado e da prefeitura é combater crimes contra o patrimônio. Conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no primeiro semestre, Pelotas registrou 2.275 furtos e 1.339 roubos – ambos incluem assalto a pedestre, a estabelecimento comercial, roubo a residências e a veículos. Até agora, 37 pessoas foram mortas violentamente na cidade, ultrapassando o total do período de 2012, quando 34 pessoas foram assassinadas.

“Por meio de reuniões vamos avaliar o trabalho realizado e mostrar resultados. Com isso, será possível fazer um levantamento das ocorrências antes e depois do policiamento nos bairros”, adiantou o major Albuquerque sobre a estratégia.

A fase agora é de seleção dos locais que carecem desse tipo de segurança. “Serão dez núcleos e mais um específico para a coordenação”, explicou. O Estado já garantiu o investimento de R$ 900 mil para a aquisição de viaturas novas e equipamentos individuais, como pistola, colete à prova de balas, bicicleta, rádio portátil e algemas. Em contrapartida, a prefeitura entra com auxílio moradia para os 44 policiais comunitários, em um contrato com validade de dois anos.

O assessor especial do prefeito Eduardo Leite (PSDB), Sadi Sapper, adianta que há uma disputa saudável pelas comunidades para sediar o projeto, o que demonstra a confiança da sociedade na Brigada Militar. O processo de escolha requer um trabalho minucioso, mas o coordenador do PC adiantou alguns locais como prováveis candidatos a receberem os núcleos.

Perfil do efetivo

O comando do 4º BPM não esconde a preocupação com o efetivo, ou melhor, com o déficit no número de policiais, uma vez que 44 PMs serão redirecionados. “A decisão de participar é voluntária, mas os candidatos terão de passar por uma seletiva, pois o policial comunitário terá de ter o perfil necessário para a atividade, como por exemplo, ser comunicativo.” Depois da seletiva, todos passarão por um curso de treinamento, a exemplo de Rio Grande, cidade que está com o projeto mais adiantado.

Andamento

O projeto ainda precisa do aval do Poder Legislativo, mas o documento que ficou de ser encaminhado pela prefeitura à Câmara de Vereadores entre terça e quarta-feira (27 e 28), até o fechamento desta reportagem ainda não havia sido protocolado. A projeção é que até o final do ano as unidades já estejam instaladas.

Expectativa de mais segurança

Com os locais de instalação das unidades do PC ainda não definidos, a reportagem do Diário Popular elegeu duas prováveis comunidades para conversar com moradores e frequentadores. A costureira Lídia da Silva Jordini, de 50 anos, já teve sua residência, no Navegantes, arrombada. Sua maior esperança é de que o Policiamento Comunitário traga paz ao local. “Faz falta a presença de um brigadiano. Pode ser que com o projeto o consumo e o tráfico de drogas diminuam.” Moradora há 16 anos, Lídia diz ser comum assaltos na redondeza.

O bairro Porto, considerado uma área crítica e alvo seguido da mídia pelos constantes ataques a estudantes, deve ganhar um núcleo do PC. A notícia chega como um alento para os acadêmicos, que mesmo não morando próximo às universidades, sofrem com ações dos bandidos. “O perigo não é nem à noite. A padaria e o xerox foram assaltados em plena luz do dia”, comenta a estudante em bacharelado de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Andréia da Rocha Lopes, de 38 anos.

Ela e a colega Janaína de Matos Corrêa, de 21 anos, precisam caminhar várias quadras para chegar ao Instituto de Ciência Humanas (ICH) e consideram a rua Alberto Rosa a mais perigosa da redondeza. “Quando tenho compromisso à noite, como para a realização de trabalho, dispenso a bolsa”, mostrou Andréia com as mãos abanando.

Experiência

Nos próximos dias, o coordenador do projeto em Pelotas, major Albuquerque, deverá viajar para Caxias do Sul, onde o Policiamento Comunitário está na ativa. “Vamos conhecer e trazer coisas boas para nossa cidade.” Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 46 núcleos implantados, número que se estenderá para 108 até o fim do ano, incluindo os de Pelotas.

Fonte – Jornal Diário – Popular Pelotas

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