O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

NOVA REALIDADE - A receita que vem do Rio


NOVA REALIDADE. A receita que vem do Rio. Subsecretário afirma que unidades policiais nas favelas forçaram traficantes a trocar de profissão - HUMBERTO TREZZI, Zero Hora, 20/08/2010

As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) estão obrigando os traficantes cariocas a mudar de profissão. – Os bandidos que não migraram para outras favelas tentam vaga em algum bico honesto – descreve o subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Antônio Roberto Cesário de Sá, 45 anos.

Carioca, delegado federal desde 1996, Sá já trabalhou no Acre e voltou ao Rio no atual governo, para ajudar o colega José Mariano Beltrame (delegado gaúcho da Polícia Federal) a transformar a secretaria de Segurança. Sá é ex-tenente-coronel da PM e foi instrutor do temido Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), responsável pelas mais perigosas ações policiais no Rio.

Propagandista entusiasmado das UPPs – unidades que estão pacificando os morros cariocas –, ele palestrou ontem em Porto Alegre, a convite da Comissão Especial de Políticas Criminais e Segurança Pública da seção gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Sá afirma que, até 2016, serão formados 60 mil policiais militares no Rio (hoje são 40 mil). Destes, 12 mil serão destinados às Unidades Pacificadoras, uma espécie de polícia comunitária que busca cristalizar a parceria entre a população e o governo.

“Acredite, tem bandido procurando emprego” - Antônio Roberto Sá, subsecretário de Segurança Pública do Rio

A seguir, trechos da entrevista concedida pelo subsecretário de Segurança do Rio, Antônio Sá:

Zero Hora – Vocês estão vencendo o crime organizado no Rio?

Antônio Roberto Sá – Ele está sendo expulso, principalmente no corredor turístico-econômico da orla, aquele que gera maior impacto. Começamos num local pequeno e com acessos bem difíceis, para testar, o morro Dona Marta. Os bandidos armados sumiram dali. Fomos nos espalhando e hoje já estamos com 12 UPPs, abrangendo 36 comunidades da cidade.

ZH – Como vocês fazem para tirar os bandidos?

Sá – É um trabalho lento, delicado e metódico. Fizemos um mapeamento das cem favelas mais complicadas da cidade. Dessas, separamos as 40 principais e levantamos dados socioeconômicos, estrutura viária, tamanho das quadrilhas que ali agem. Priorizamos as que tinham maior simbolismo. Agimos em quatro fases. A primeira foi o trabalho de inteligência. Depois entra o Bope, pronto para enfrentar a quadrilha que resistir. A terceira é a implantação da UPP propriamente dita, com policiais voltados para a ação comunitária. E a quarta é a consolidação do projeto, com injeções de verbas em obras de infraestrutura, nesse caso apoiadas por outros segmentos, como a Secretaria de Ação Social.

ZH – Os bandidos não resistem...

Sá – Tivemos alguma resistência, mas pouca. No Morro do Turano, semana passada, eles balearam um policial e roubaram um carro da imprensa, ao deixarem o terreno. Mas, via de regra, vão embora sem atirar. Não será sempre assim. Na medida em que avançamos e apertamos, a possibilidade de confronto é maior.

ZH – Mas para onde estão indo os criminosos já desalojados?

Sá – Rapaz, pode acreditar, tem bandido procurando emprego. Muito traficante está buscando alternativas de serviço dentro da lei, principalmente os vapozeiros (repassadores de pequenas quantias de droga). O importante é que não voltaram onde tem a UPP, porque sabem que perderam. Entenderam que nossa estratégia veio para ficar. A população está deixando de ter vergonha de morar na favela. Estão ganhando placa com nome das ruas, eletricidade, geladeira, internet. E vamos agir também no Interior, aguarde para ver.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Defendo esta estratégia, mas continuo afirmando que as UPPs, forjadas nos princípios do policiamento comunitário, são somente a primeira alavanca de pacificação de um local de risco. Para restabelecer definitivamente a ordem pública no local e garantir a confiança dos moradores, elas precisam de valorização profissional do policial, de salvaguardas legais e de continuidade dos esforço na polícia e aplicação da lei por uma justiça célere, envolvida e comprometida com as questões de ordem pública.

Porém, apesar da esperança, não se pode deixar levar pela propaganda partidária e eleitoral que levanta a bandeira das UPPs para se promover. O Rio não está pacificado e o retrato está nas noticias publicadas nos jornais, revistas, rádios e TVs de lá. A justiça não se envolveu, os bandidos continuam bem armados e dominando várias favelas, os chefes comandam de dentro dos presídios e continuam os confrontos, os arrastões e as execuções por todo o Rio. As UPPs criaram apenas ilhas de segurança.

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