O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CRIADO NO VIDIGAL, SUBCOMANDANTE DA UPP QUER POR "ORDEM NA CASA"


Tenente Jairo Dantas, ou Jairinho, como é conhecido, morou na comunidade há cinco anos - Gustavo Goulart - O GLOBO, 19/01/12 - 23h50


RIO - A visão do esverdeado gramado sintético do campo de futebol de Sobradinho, localidade situada no ponto mais alto do Morro do Vidigal, encheu os olhos do tenente Jairo Dantas, ou melhor, o Jairinho, como é conhecido na comunidade o subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira. Quando ele morava lá, há cinco anos, o campo era de terra batida, mas não impedia o corre-corre com os pés descalços, os dribles, os chutes a gol, e a comemoração no final, com um grande churrasco entre amigos. A vida tem dessas coisas. Nascido e criado no morro, o hoje oficial foi embora da comunidade descontente com a violência do tráfico. Durante mais de um tiroteio, Dantas viu sua família se arrastar pelo chão para se esconder de balas perdidas no banheiro da casa. Foi a gota d’água. E ele disse para a mulher e para os amigos. "Vou embora agora para voltar depois e pôr ordem na casa."

— Eu prometi e estou cumprindo. Um amigo que tenho na favela me telefonou e lembrou da promessa. Hoje, meu pai, meus três irmãos, meus amigos, minha mulher e minhas duas filhas estão orgulhosos de mim — contou.

Dantas voltou e, como conhece bem as entranhas da comunidade, tem tido sucesso no planejamento das rondas dos 246 policiais militares lotados na UPP. O tenente ingressou na Academia da Polícia Militar em 2007 e foi influenciado nessa escolha por um dos irmãos, que é soldado da PM.

A educação rigorosa dos pais paraibanos, religiosos e trabalhadores afastou os quatro filhos de más companhias e de hábitos insalubres. Eles viram amigos se envolverem com o tráfico de drogas e desaparecerem.

— Meus pais eram rigorosos. Hoje, agradeço a eles. Mas lamento que muitos dos meus amigos não tenham seguido o caminho do bem. Certa vez, com 17 anos, soube que um amigo que frequentava a minha casa tinha passado para o outro lado. Fui atrás dele e passei o maior sabão: "tome vergonha na cara. Vá para casa". Ele me garantiu que ia, mas no dia seguinte foi morto durante uma troca de tiros na mata atrás do Sobradinho — contou o tenente, para quem seu retorno será completo apenas quando ele pisar novamente no campo de futebol para disputar uma pelada.

Vidigal, em paz, espera agora a ordem. Carros e barracas ocupam calçadas e caminhões descarregam a qualquer hora. Gustavo Goulart - o globo, 20/01/12 - 0h32

RIO - Deve ser difícil viver num lugar com uma das vistas mais bonitas da cidade — o mar à frente e a Mata Atlântica nos fundos —, um comércio abundante e, agora, segurança 24 horas. E é. O Morro do Vidigal pode ser considerado a Zona Sul das favelas cariocas, mas, embora tenha as qualidades acima, está longe de ser um ambiente ordeiro. Com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira, a favela agora clama por uma faxina geral, um choque de ordem que ponha as coisas nos seus devidos lugares. A começar pelo trânsito, que é caótico.

Carros estacionados nas curvas atrapalham tráfego

Para chegar, por exemplo, à localidade de Sobradinho, no topo do morro, onde foi inaugurada a UPP, autoridades e convidados chegaram a demorar até uma hora, usando a única via de acesso, a Avenida Presidente João Goulart. Na quinta-feira, O GLOBO voltou à favela e constatou que o desrespeito à lei faz parte do cotidiano da comunidade.

Os carros são estacionados de qualquer maneira, inclusive nas inúmeras curvas que levam ao Sobradinho. Não há garagens e, com o aumento do poder aquisitivo, mais veículos chegam à comunidade. Quem adquire o seu automóvel insiste em estacioná-lo em frente à sua casa. Mesmo se, do outro lado da rua, já houver outro estacionado. Para dar conta da falta de garagens, muita gente privatizou as poucas calçadas existentes: barras de ferro com cadeados são vistas em vários locais da favela, até mesmo ao lado da sede da UPP. Dessa forma, motoristas garantem suas vagas e jogam os pedestres para a rua, apesar do tráfego perigoso.

— Está uma bagunça danada. Em toda a favela, há barras de ferro nas calçadas garantindo estacionamento para carros. E os pedestres, principalmente idosos, crianças e gestantes, ficam expostos ao risco de ser atropelados por uma motocicleta ou por carros e caminhões — reclama o presidente da Associação de Moradores do Vidigal, Wanderley Ferreira.

Também não há horário estabelecido para carga e descarga no comércio local. É comum encontrar um caminhão no meio da Avenida Presidente João Goulart, como quinta-feira.

— E isso prejudica o acesso do caminhão da Comlurb, causando a sobrecarga das caçambas de lixo — disse Wanderley.

Equipe de secretaria será enviada ao local

Comerciantes construíram barracas no meio da calçada e impedem a circulação de pedestres. No acesso à favela, mesas e cadeiras são colocadas na rua por comerciantes.

O secretário municipal da Ordem Pública (Seop), Alex Costa, garantiu na quinta-feira que vai enviar equipes ao Vidigal para elaborar um diagnóstico do que será preciso fazer nas futuras operações de choque de ordem na comunidade.

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