O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento que utiliza estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento e comprometimento com o local de trabalho e com as comunidades na preservação da ordem pública, da vida e do patrimônio das pessoas. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado. O Comprometimento é a energia.

Esta estratégia de policiamento visa garantir o direito da população à segurança pública, mas, tendo em vista que confiança é essencial, o sucesso depende de policiais preparados, do apoio da sociedade organizada, das comunidades, de leis respeitadas e da interação entre poderes, instituições e órgãos envolvidos num Sistema de Justiça Criminal que exige finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, valor à vida das pessoas, comprometimento, objetivo, coatividade, instrumentos de justiça ágeis, execução penal responsável e forças policiais bem formadas, respeitadas, valorizadas, especializadas, atuando no ciclo completo e capacitadas em efetivos para exercer função essencial à justiça na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TRÁFICO DESAFIA UPP COM ARSENAL PODEROSO


A GUERRA DO RIO - No caminho da UPP do Alemão, o arsenal do tráfico. Vídeo mostra bandidos com 92 armas em festas de comunidade que será ocupada em 2011
- POR LESLIE LEITÃO, O Dia, 08/10/2010

Rio - No dia em que foi reeleito, o governador Sergio Cabral anunciou que, entre os alvos do projeto de expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para 2011, está a pacificação do Complexo do Alemão. Uma operação que vai necessitar de cerca de 2 mil homens. O efetivo gigantesco dá a dimensão do tamanho do desafio do estado para retomar um terreno. Como até o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, já admitiu, a região se tornou abrigo, justamente, de traficante refugiados de outras comunidades já ocupadas pelas UPPs. Consequentemente, as armas também se multiplicaram no local.

E é isso que revela um vídeo, ao qual O DIA teve acesso, feito ao longo deste ano no Morro da Fazendinha, em Inhaúma, durante quatro bailes funk realizados no meio da rua. Crianças até de chupeta, mulheres grávidas, idosos e jovens moradores são obrigados a conviver com o grupo armado até os dentes.

Nas quase três horas de gravação, os criminosos exibem 59 fuzis de modelos diferentes — a maioria calibre 7.62 — uma metralhadora e 32 pistolas, em um impressionante desfile bélico. Apesar de a filmagem ter uma legenda digital de 2007, o ano e o horário estão com registro errado. Fontes da Polícia Civil confirmaram que o vídeo foi gravado este ano.

Apontado pela polícia como o ‘quartel-general’ do Comando Vermelho (CV), o Complexo do Alemão tornou-se o principal reduto dos chefões da facção, especialmente, pela dificuldade de acesso. Em 2007 e 2008, foram apreendidas 394 armas no Alemão e no vizinho Complexo da Penha, dominado pela mesma quadrilha.

Em março de 2008, a região começou a ser beneficiada por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), orçadas em R$ 827 milhões, numa parceria entre os governos federal e estadual. A Polícia Civil chegou a planejar uma megaoperação — 120 mil cápsulas para fuzil —, mas a ação acabou cancelada.

Grandes incursões na região não têm sido frequentes. Segundo investigações, bandidos de favelas onde há UPPs — como Cidade de Deus, Pavão-Pavãozinho, Dona Marta e Borel — se refugiaram no Alemão e na Penha. O governador também anunciou a pacificação da Rocinha, Maré e Manguinhos em 2011.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Sou defensor da filosofia do policiamento comunitário como forma de conquista da confiança dos moradores e inibidor da criminalidade, mas não acredito na sua eficácia sem as salvaguardas da lei e envolvimento dos demais instrumentos de coação, justiça e cidadania na preservação da ordem pública. As UPPs são o exemplo prático na medida que ocupam territórios antes dominados pelos bandidos, permanecem nos locais em contato com os moradores, patrulham as áreas de risco, prendem e afugentam a bandidagem, mas não garantem que estes sejam julgados e condenados, fiquem presos, percam o comando e sejam isolados de suas facções. Apesar do esforço policial, os bandidos continuam aterrorizando o Rio, assaltando, fazendo arrastões, traficando, executando seus adversários e colaboradores da polícia, e recebendo benefícios penais e portas de fugas. Policiamento comunitário sem justiça e leis é o mesmo que uma flecha sem arco - uma ponta fraca, incapaz de atingir com profundidade seu alvo e sem impulso para cumprir a sua função. Com o tempo perde a motivação e a confiança de todos, para a alegria de outros.

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