O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O JAPÃO É AQUI


O SUL, 28/10/2013


WANDERLEY SOARES

Sistema nipônico começa a amarelar a política da segurança pública do RS

O município de Lajeado, no Vale do Taquari, implantará seis núcleos do PEPC (Programa Estadual de Polícia Comunitária), que é programado para ser conhecido por 46 mil pessoas. O investimento total chega a R$ 450 mil, o que corresponde a um apartamento de classe média quase alta. Para aperfeiçoar o programa, está sendo realizado um curso de 40 horas de PPC (Promotor de Polícia Comunitária). Lembro que as 40 horas do PPC correspondem a uma semana de trabalho de um professor que leciona em dois turnos. Em Lajeado, participam do PPC 24 policiais e cinco membros da comunidade, que sairão do curso prontinhos para ir à luta. Sigam-me.


Chuzaisho (1)

Segundo o Piratini, o PEPC traz um conceito inédito no Brasil, "aproximando os policiais com a população". Alinhava o policiamento comunitário - denominado Chuzaisho, no Japão - e o de policial de quarteirão. Traz para o perímetro urbano o conceito japonês que coloca o policial a morar em pequenas comunidades da zona rural. Os PMs alugam as moradas nos bairros de atuação (custeadas pelos municípios com bolsa de R$ 600 por mês) e a viatura poderá ficar na própria casa, em algum lugar da comunidade ou no batalhão. A partir do levantamento das necessidades da região, o policial adapta seu horário de trabalho


Chuzaisho (2)

Adotado o sistema nipônico, segundo consigo entender, como um humilde marquês e mero observador da segurança pública, o PM que morar em sua área de trabalho e com uma viatura na frente ou próxima de sua casa, estará de plantão 24h/dia. Ele a sua família. Tal policial será prestigiado pela comunidade e alvo iluminado para bandidos. Chego a crer que o PEPC deverá importar não só o Chuzaisho, como também a cultura japonesa, sem esquecer de tornar os cruzados dos PMs equivalentes aos ienes dos samurais



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Sou defensor da estratégia do policiamento comunitário, de proximidade e interativo, trabalhado como filosofia de policiamento que aproxima o policial do cidadão, aumenta as relações comunitárias e propicia uma interação preventiva dos delitos, mediação de conflito  e agilidade no atendimento das ocorrências. A base desta filosofia é a confiança mútua e a chave é o comprometimento. Se a base não for sólida e a chave não for a adequada, a filosofia não resiste ao tempo, especialmente se tiver conteúdo político partidário.

sábado, 5 de outubro de 2013

A ARTE MÉDICA DE SHERLOCK HOLMES






ZERO HORA 05 de outubro de 2013 | N° 17574

ARTIGOS

Franklin Cunha*



O criador do detetive Sherlock Holmes, como todos sabem, foi o médico inglês dr. Arthur Conan Doyle (1859-1930). Seu amigo, assistente e biógrafo, foi o dr. John Hamish Watson, personagem de ficção que fez o mundo conhecer as façanhas do arguto personagem, descritas com um estilo intrigante pelo famoso detetive que provou ser extremamente talentoso nas artes da literatura. Por ser médico, Conan Doyle, empregava rigorosamente o método da semiologia médica, para desvendar obscuros casos de assassinatos. A partir de sinais e sintomas, adicionados de perspicazes observações e paixão pela justiça, chegava sempre ao autor do crime. Munido apenas com uma lupa, ao detectar um fio de cabelo no espaldar de uma poltrona, cinzas de charutos no tapete, uma palavra ou expressão facial do investigado, era tudo o que Conan Doyle necessitava para chegar às suas brilhantes e acertadas conclusões. E sem o coice na porta, a invasão de domicílio e a tortura.

O aspecto pouco observado nos contos de Doyle é a fina ironia que ele exerce ao ter como assistente de investigações exatamente o dr. Watson, um médico que nunca entendia o semiótico raciocínio investigativo de seu chefe. Pronunciada desdenhosamente, a conhecida frase “ elementar, meu caro Watson” talvez fosse endereçada a certos médicos de sua época que elaboravam diagnósticos equivocados e prescreviam terapêuticas inúteis.

Discute-se atualmente, se, para se detectar doenças na prática médica diária, são indispensáveis e fundamentais as sofisticadas tecnologias de múltiplos exames laboratoriais acrescidos de refinadas imagens radiológicas, ecográficas, tomográficas, cintilográficas, de ressonâncias magnéticas e outras. Sob o ponto de vista do médico, todas são esclarecedoras e confortáveis, pois, nos poucos minutos que sobram para o paciente, o diagnóstico quase sempre é feito. Mas, para o lado das inseguras e atemorizadas pessoas que procuram algo além da bateria de exames, tais como tempo para falar, expressar suas angústias, contar sua vida e perceber que têm a sua disposição ouvidos e olhares atentos e amorosos, os exames não são suficientes. E a queixa frequente é de que “o doutor nem me olhou, só examinou os exames”. Então, se a tecnologia diagnóstica é colocada prioritariamente como uma parede entre o médico e quem o procura por se julgar doente, de forma a interromper o indispensável relacionamento médico-paciente humano, este, sim, fundamental no exercício da arte médica, é urgente que se reformule todo o procedimento da cura de doenças e da manutenção da saúde, principalmente das populações pobres do país.

A lupa única de Conan Doyle e sua paixão pela justiça, uns poucos exames, o afeto e o respeito ao paciente no exercício da arte médica, são condições pontuais e necessárias, a primeira para se descobrir o autor de um crime e as outras para se cumprir o que Maimônides, há mais de mil anos ensinou: “Ao paciente, deve-se dedicar uma hora: 15 minutos para examinar-lhe o corpo e 45 minutos para sondar-lhe a alma”.


*MÉDICO


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Há muito em comum a atividade médica com a atividade policial. Se os policiais utilizassem os padrões médicos a partir da anamnese seriam muito mais eficientes.

A Anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é "uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença. Realizada pelo gestor do policiamento ostensivo junto ao corpo policial que comanda, junto ao cidadão morador ou comerciante, ou junto à comunidade onde trabalha. A entrevista e a reunião comunitária são capazes de dar um pontapé inicial para um diagnóstico da atuação policial e dos problemas de segurança pública existentes no seu território ou local de responsabilidade. O diagnóstico posterior possibilita a relação desta entrevista ou reunião com o cenário de insegurança, na busca de sinais e sintomas que podem ser encontrados em níveis de criminalidade, tipos de delitos, deficiências internas, falta de sistema e nos resultados produzidos pelas estratégias, táticas e ações policiais desenvolvidas. Diante destes sinais e sintomas, o próximo passo a sanar os erros e dar um tratamento correto e de qualidade no exercício do serviço público na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. 

Um dos maiores erros de um gestor de policiamento ostensivo é achar que sabe tudo e que não precisa do policial, do cidadão e da comunidade para encontrar os problemas, detectar os erros e encontrar as soluções.

Infelizmente nas polícias brasileiras não são comuns a realização periódica de entrevistas com lideranças , reuniões comunitárias e diagnóstico institucional (o que somos, o que temos e qual é a nossa razão de existência) e diagnóstico da prestação de serviço policial geral (como instituição) e nos espaços de territorialidade (qualidade na prestação da atividade policial) em relação às demandas. Em 1991, então comissário-chefe da NYPD, Lee Brown elaborou um relatório que trouxe a tona os erros estratégicos diante da demanda por segurança e dos anseios da população; apontou as dificuldades e deficiências do departamento; iluminou tendências e uma perspectiva futura; e proporcionou uma retomada do departamento com aplicação de novas formas de emprego, novo perfil de recrutamento, métodos de treinamento, aumento de efetivos, valorização dos policiais, aproximação da polícia junto às comunidade periféricas e aumento das responsabilidades dos comandos com compromissos e metas qualitativas a serem cumpridas. Há de ter muito profissionalismo, planejamento estratégico, comprometimento, foco e aproximação para se avaliar uma doença (especialmente a do crime e da violência) e adotar o tratamento mais adequado com todos os remédios possíveis, usando os da organização e exigindo os que faltam.

Lee Patrick Brown (nascido em 04 de outubro de 1937) teve uma carreira de longa data na aplicação da lei, levando os departamentos de polícia de Atlanta, Houston e Nova York ao longo de quase quatro décadas. Durante esse tempo, ele ajudou a implementaruma série de técnicas de policiamento comunitário que pareciam resultar em diminuições substanciais em crime. Em 1997, Brown foi o primeiro americano Africano para ser eleito prefeito de Houston, Texas. Ele foi reeleito duas vezes para servir o máximo de três mandatos 1998-2004.(wikipédia)

















quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A UPP ESTILHAÇADA




ZERO HORA 03 de outubro de 2013 | N° 17572

SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI

A se julgar pelos resultados do exaustivo inquérito conduzido pela Polícia Civil fluminense, o pedreiro Amarildo de Souza foi torturado, antes de ser morto por PMs, possivelmente pelo exagero nos maus-tratos. Nada espantoso para uma Polícia Militar de históricos padrões violentíssimos, num Estado com tradição em execuções de suspeitos.

Tudo talvez virasse nota de rodapé nos jornais não se tratasse de uma morte ocorrida dentro de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Para quem não é do Rio e nem está acostumado ao noticiário policial: as UPPs são o novo cartão de visitas carioca. São postos de policiamento comunitário compostos de policiais treinados para interagir com os moradores da região. A conhecê-los pelo nome. A respeitá-los.

Tudo mesclado com fortes investimentos em infra-estrutura, como rede elétrica, de informática, canchas de esporte e até salões para dança, em muitos casos. A mais moderna proposta de policiamento no Brasil, reconhecida até mesmo pela renhida oposição enfrentada pelo governador fluminense Sérgio Cabral. E sei do que falo, porque visitei os morros e as principais unidades pacificadoras em 2011, sem me identificar, para ver se funcionava mesmo. Os postos comunitários eram até melhores do que eu esperava.

Pois Cabral acaba de ter sua principal vitrine política, a UPP, estilhaçada por um episódio sem justificativa. Por mais que tentem criminalizar Amarildo, os PMs que o prenderam – e, conforme investigações, o torturaram e o mataram – terão dificuldade de explicar como se transformaram de guardiões comunitários em carrascos.

Os métodos utilizados no caso, um interrogatório recheado de choques elétricos para descobrir paradeiro de traficantes, pareciam longe de contaminar as UPPs. Até agora... Compreensível que a comunidade grite contra esse crime. Só não ponham a culpa no projeto das UPPs, de longe a melhor ideia já implementada no policiamento das favelas.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

PROGRAMA JUSTIÇA COMUNITÁRIA

PORTAL MJ

Programa Justiça Comunitária prorroga prazo para projeto
s


Brasília (16/09/2013) – Foi prorrogado para dia 20 de setembro o prazo para envio de projetos do Programa Justiça Comunitária. Até a próxima sexta-feira, a Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, vai receber propostas de convênio dos estados, municípios e órgãos do sistema de Justiça para o Programa Justiça Comunitária. A iniciativa promove o acesso à Justiça por meio da criação de núcleos de Justiça Comunitária em comunidades vulneráveis.

Os Núcleos de Justiça Comunitária contribuem para a democratização do acesso à justiça, por meio da capacitação de cidadãos em técnicas de mediação de conflitos e educação para os direitos, inserindo a cultura do diálogo na comunidade. Já estão em funcionamento os núcleos implementados em 16 estados e o objetivo é alcançar todo o país até o final de 2013. Cada núcleo contará com até R$ 387 mil de investimento.

O programa estimula a comunidade a desenvolver mecanismos próprios de resolução de conflitos, por meio do diálogo, participação social e efetivação dos direitos humanos. Os agentes comunitários são voluntários capacitados, que buscam a realização de acordos com envolvimento das partes em conflito.

A seleção dos agentes é feita por uma equipe multidisciplinar, de acordo com perfil estabelecido em cada projeto. A equipe, composta por profissionais da área de psicologia, serviço social e direito, além de realizar a seleção dos agentes, também é responsável pela capacitação e supervisão das atividades desenvolvidas.


Agência MJ de Notícias
acs@mj.gov.br
www.justica.gov.br


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CMT DAS UPPS VAI REFORÇAR INTERVENÇÕES


Comandante das UPPs vai reforçar intervenções dentro das comunidades pacificadas. Frederico Caldas diz que aumentará abordagem, busca de armas e patrulhamentos preventivos. Ações não usarão homens do Bope, mas de 100 a 200 policiais da própria Coordenadoria de Polícia Pacificadora. PM troca 25 dos 34 comandos de UPPs do Rio. Major Pricila, ex-comandante do Santa Marta, chefiará Rocinha

ANA CLAUDIA COSTA
O GLOBO
Atualizado:6/09/13 - 11h59

Major Priscilla assume a UPP da Rocinha / Bruno Gonzalez / Agência O Globo


RIO - Ao anunciar a troca de 25 dos 34 comandantes de UPPs, o coordenador de Polícia Pacificadora, coronel Frederico Caldas, afirmou, nesta sexta-feira, que começará, na segunda quinzena de setembro, a operação União de Paz. A ação, segundo ele, vai reforçar as intervenções dentro das UPPs, aumentando a abordagem, a busca de armas e os patrulhamentos preventivos.

Para essa operação, Caldas anunciou que não vai usar homens do Bope e sim de 100 a 200 policiais da própria Coordenadoria de Polícia Pacificadora. As três primeiras comunidades que devem receber a operação são: Rocinha, Alemão e São Carlos.

- Vamos fazer operações nas comunidades respeitando o contexto da polícia de proximidade, que é a filosofia da UPP. Não há por que usar o Bope se eu tenho um efetivo de 8.600 PMs lotados em todas as UPPs - disse o coronel.

Designada para comandar a UPP da Rocinha, a major Pricila de Oliveira Azevedo disse que chefiar a unidade da comunidade será um grande desafio, mas que pretende trabalhar com a mesma eficiência que conseguiu em sua atuação na UPP do Santa Marta, em Botafogo.

As mudanças nas UPPs surgiu após análise feita por Caldas, que durante o primeiro mês de gestão identificou a necessidade de “oxigenação” do programa UPP. Para ele, a rotatividade permite o aperfeiçoamento dos oficiais e melhor capacitação das gestões.

Anúncio da 34ª UPP

Frederico Caldas também anunciou a UPP Arará/Mandela como a 34ª unidade do estado. As duas comunidades eram atendidas, anteriormente, pela UPP Manguinhos, mas agora terão uma unidade exclusiva. O efetivo que já atendia a essas áreas foi desmembrado de Manguinhos, portanto não houve a necessidade de convocação de novos policiais.

A nova UPP conta com 273 policiais e duas bases avançadas: na Favela do Mandela (Rua Quatorze) e no Arará (Rua Carlos Matoso Corrêa).

Nomes dos novos comandantes

As nove UPPs que permaneceram com os mesmos comandantes são: Caju, Babilônia, Formiga, São João, Coroa, Vila Cruzeiro, Barreira do Vasco, Batan, Macacos.

Confira os nomes dos novos comandantes das UPPs:

Rocinha – major Pricilla de Oliveira Azevedo

Cidade de Deus – major Felipe Romeu

Providência – capitão Fabio Pereira

Santa Marta – capitão Jeimison Barbosa

Borel – capitão Carlos Eduardo Panza

Pavão-Pavãozinho/Cantagalo – capitão Douglas Ultramar

Tabajaras – capitão Almir Beltran

Salgueiro – capitão Jeferson Odilon

Turano – capitão Felipe Carvalho

Andaraí – capitão Marcio Rocha

Prazeres/Escondidinho – capitão Ronaldo Salgado

São Carlos – major Leonardo Nogueira

Mangueira – major Márcio Rodrigues

Vidigal – tenente Carlos Martins da Veiga

Fazendinha – capitão Ricardo Alves

Nova Brasília – major Glauco Schorcht

Adeus/Baiana – major Bruno Xavier

Alemão – capitão Bruno Leite

Fé/Sereno – capitão Victor de Souza

Chatuba – capitão Leo Ludolff

Parque Proletário – capitão Bruno Amaral

Jacarezinho – major Plínio César

Manguinhos – capitão Gabriel de Toledo

Cerro-Corá – tenente Leandro Carlou

Arará/Mandela – capitão Paulo Ramos

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ONZE NÚCLEOS EM PELOTAS

BM PELOTAS.COM.BR

Policiamento Comunitário será instalado em Pelotas
agosto 28, 2013 




Imagina ter como vizinho um policial da Brigada Militar (BM), com direito a uma viatura bem ao lado de casa? Utopia? Não. Com o projeto de lei que prevê o Policiamento Comunitário, 11 núcleos serão instalados até o fim do ano em locais com até dez mil habitantes e considerados conflitantes, numa ação do Estado e prefeitura de Pelotas que investem na segurança considerada pró-ativa.

As unidades irão funcionar com quatro PMs residindo com suas famílias e trabalhando em vilas e bairros. Os grupos estarão equipados, mas atuarão como moradores, participando das ações das comunidades.

“Vamos modificar a maneira de fazer policiamento. O policial até poderá registrar ocorrência, mas sua função é conhecer e interagir com a comunidade”, garantiu o subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (4º BPM) e coordenador do PC, major Enilton Gley Albuquerque. Com o novo sistema, o oficial aposta em uma grande mudança na aplicação do policiamento ostensivo, pois diz acreditar na redução dos índices da violência urbana.

O objetivo principal do governo do Estado e da prefeitura é combater crimes contra o patrimônio. Conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no primeiro semestre, Pelotas registrou 2.275 furtos e 1.339 roubos – ambos incluem assalto a pedestre, a estabelecimento comercial, roubo a residências e a veículos. Até agora, 37 pessoas foram mortas violentamente na cidade, ultrapassando o total do período de 2012, quando 34 pessoas foram assassinadas.

“Por meio de reuniões vamos avaliar o trabalho realizado e mostrar resultados. Com isso, será possível fazer um levantamento das ocorrências antes e depois do policiamento nos bairros”, adiantou o major Albuquerque sobre a estratégia.

A fase agora é de seleção dos locais que carecem desse tipo de segurança. “Serão dez núcleos e mais um específico para a coordenação”, explicou. O Estado já garantiu o investimento de R$ 900 mil para a aquisição de viaturas novas e equipamentos individuais, como pistola, colete à prova de balas, bicicleta, rádio portátil e algemas. Em contrapartida, a prefeitura entra com auxílio moradia para os 44 policiais comunitários, em um contrato com validade de dois anos.

O assessor especial do prefeito Eduardo Leite (PSDB), Sadi Sapper, adianta que há uma disputa saudável pelas comunidades para sediar o projeto, o que demonstra a confiança da sociedade na Brigada Militar. O processo de escolha requer um trabalho minucioso, mas o coordenador do PC adiantou alguns locais como prováveis candidatos a receberem os núcleos.

Perfil do efetivo

O comando do 4º BPM não esconde a preocupação com o efetivo, ou melhor, com o déficit no número de policiais, uma vez que 44 PMs serão redirecionados. “A decisão de participar é voluntária, mas os candidatos terão de passar por uma seletiva, pois o policial comunitário terá de ter o perfil necessário para a atividade, como por exemplo, ser comunicativo.” Depois da seletiva, todos passarão por um curso de treinamento, a exemplo de Rio Grande, cidade que está com o projeto mais adiantado.

Andamento

O projeto ainda precisa do aval do Poder Legislativo, mas o documento que ficou de ser encaminhado pela prefeitura à Câmara de Vereadores entre terça e quarta-feira (27 e 28), até o fechamento desta reportagem ainda não havia sido protocolado. A projeção é que até o final do ano as unidades já estejam instaladas.

Expectativa de mais segurança

Com os locais de instalação das unidades do PC ainda não definidos, a reportagem do Diário Popular elegeu duas prováveis comunidades para conversar com moradores e frequentadores. A costureira Lídia da Silva Jordini, de 50 anos, já teve sua residência, no Navegantes, arrombada. Sua maior esperança é de que o Policiamento Comunitário traga paz ao local. “Faz falta a presença de um brigadiano. Pode ser que com o projeto o consumo e o tráfico de drogas diminuam.” Moradora há 16 anos, Lídia diz ser comum assaltos na redondeza.

O bairro Porto, considerado uma área crítica e alvo seguido da mídia pelos constantes ataques a estudantes, deve ganhar um núcleo do PC. A notícia chega como um alento para os acadêmicos, que mesmo não morando próximo às universidades, sofrem com ações dos bandidos. “O perigo não é nem à noite. A padaria e o xerox foram assaltados em plena luz do dia”, comenta a estudante em bacharelado de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Andréia da Rocha Lopes, de 38 anos.

Ela e a colega Janaína de Matos Corrêa, de 21 anos, precisam caminhar várias quadras para chegar ao Instituto de Ciência Humanas (ICH) e consideram a rua Alberto Rosa a mais perigosa da redondeza. “Quando tenho compromisso à noite, como para a realização de trabalho, dispenso a bolsa”, mostrou Andréia com as mãos abanando.

Experiência

Nos próximos dias, o coordenador do projeto em Pelotas, major Albuquerque, deverá viajar para Caxias do Sul, onde o Policiamento Comunitário está na ativa. “Vamos conhecer e trazer coisas boas para nossa cidade.” Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 46 núcleos implantados, número que se estenderá para 108 até o fim do ano, incluindo os de Pelotas.

Fonte – Jornal Diário – Popular Pelotas

sábado, 24 de agosto de 2013

SOCIEDADE CIVIL SE UNE EM DEFESA DAS UPPS E AFROREGGAE


Campanha nas redes teve 121 milhões de acessos e compartilhamentos

ELENILCE BOTTARI
O GLOBO
Publicado:24/08/13 - 5h00

A campanha em defesa da pacificação no Facebook Terceiro / Reprodução


RIO - Com apenas dez dias de vida no Facebook, a campanha “Deixem o Rio em Paz”, um movimento da sociedade civil em defesa da programa de pacificação e do AfroReggae, já alcançou 121 milhões de acessos e compartilhamentos na rede. Organizado após os atentados às sedes do AfroReggae, o movimento vem ganhando apoio de artistas, empresários, desportistas, profissionais liberais e entidades sociais que decidiram criar uma “rede de proteção” às UPPs e ao AfroReggae. Em nota divulgada nesta sexta-feira no GLOBO e assinada por mais de cem participantes, a campanha afirma que os atentados à ONG e as ameaças ao seu fundador, José Junior, também põem em risco o processo de pacificação.

“As ameaças de morte a seu coordenador e alguns outros integrantes, a tentativa de expulsão da ONG do Complexo do Alemão, em meio a atentados a suas instalações e ao evento Desafio da Paz, exigem mobilização imediata de toda a sociedade. Fatos como esses não têm mais lugar no Rio de Janeiro”, afirma o manifesto, que, ontem, ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que postou um depoimento em vídeo na página oficial da ONG na internet.

Um dos fundadores da campanha, o coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, enumerou os benefícios já conquistados pelas UPPs e afirmou que o programa de pacificação é um patrimônio da sociedade do Rio.

— De 2008 para cá, são menos mil homicídios por ano. Mais de cem mil balas deixaram de ser disparadas pela polícia militar, 23 mil só em confrontos em favelas dominadas pelo tráfico. Caíram as mortes em confrontos, o número de policiais mortos, as balas perdidas. A sensação de segurança voltou, e, o mais importante, o sagrado direito de ir e vir. É por tudo isso que estamos lutando. Claro que ainda tem muita coisa a melhorar, não podemos admitir casos como o do desaparecimento do Amarildo, mas esses são problemas pontuais que serão resolvidos. O que não podemos permitir é a volta da barbárie — afirmou Zeca Borges.

Bala perdida: queda de 81%

O coordenador do Disque-Denúncia citou ainda a redução dos casos de balas perdidas, de 181 pessoas atingidas na capital em 2008 para 35 no ano passado. Ou seja: 81% a menos, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Quem quiser, pode assinar o manifesto, na página www.facebook.com/deixemorioempaz, onde há depoimentos como o do cineasta Cacá Diegues:

“A sociedade tem que proteger José Junior e abraçar a causa do AfroReggae, como se estivesse abraçando e protegendo a ela mesma. Se não formos capazes disso, não mereceremos viver numa sociedade justa.”

Responsável pela campanha na internet, o publicitário Eduardo Trevisan disse que, nos últimos dias, as exposições da página alcançaram uma média de 40 milhões a cada 48 horas:

— Mal conheço o José Junior, mas me sinto atingido também, porque não se pode mais admitir que um traficante expulse de uma comunidade um movimento que tira crianças da rua, só porque ele não gostou das denúncias feitas pelo coordenador contra um pastor. Isso aqui não é Uganda, não é a Síria. Não mais.

Desde 2008, o projeto já instalou 33 UPPs, beneficiando 1,5 milhão de pessoas e libertando 226 territórios retomados pelo estado, numa extensão de 9.442.247 m².