O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

DE PROFESSOR A POLICIAL



George L. Kirkham


Como professor de Criminologia, tive problemas durante algum tempo, devido ao fato de que, seguindo a maioria daqueles que escrevem livros sobre assuntos policiais, eu nunca havia sido policial. Contudo, alguns elementos da comunidade acadêmica norte-americana, tal como eu, agiram muitas vezes precipitadamente ao apontar erros da nossa polícia. Dos incidentes que lemos nos jornais, formamos imagens estereotipadas, como as do policial violento, racista, venal ou incorreto. O que não vemos são os milhares de dedicados agentes da polícia, homens e mulheres, lutando e resolvendo problemas difíceis para preservar nossa sociedade e tudo que nos é caro.

Muitos dos meus alunos tinham sido policiais, e eles várias vezes opunham às minhas críticas o argumento de que uma pessoa só poderia compreender o que um agente da polícia tem de suportar quando se sentisse na pele de um policial. Por fim, me decidi a aceitar o desafio. Entraria para a polícia e, assim, iria testar a exatidão daquilo que vinha ensinando. Um dos meus alunos (um jovem agente que gozava licença para freqüentar o curso, pertencente à Delegacia de Polícia de Jacksonville, Flórida) me incitou a entrar em contato com o Xerife Dale Carson e o Vice-Xerife D. K. Brown e explicar-lhes minha pretensão.

Lutando por um distintivo

Jacksonville parecia-me o lugar ideal. Um porto marítimo e um centro industrial em crescimento acelerado. Ali ocorriam, também, manifestações dos maiores problemas sociais que afligem nossos tempos: crime, delinqüência, conflitos raciais, miséria e doenças mentais. Tinha, igualmente, a habitual favela e o bairro reservado aos negros. Sua força policial, composta por 800 elementos, era tida como uma das mais evoluídas dos Estados Unidos.

Esclareci ao Xerife Carson e ao Vice-Xerife Brown de que pretendia um lugar não como observador, mas como patrulheiro uniformizado, trabalhando em expediente integral durante um período de quatro a seis meses. Eles concordaram, mas impuseram também a condição de que eu deveria, primeiro, preencher os mesmos requisitos que qualquer outro candidato a policial, uma investigação completa do caráter, exame físico, e os mesmos programas de treinamento. Haveria outra condição com a qual concordei prontamente em nome da moral. Todos os outros agentes deviam saber quem eu era e o que estava fazendo ali. Fora disso, em nada eu me distinguiria de qualquer agente, desde o meu revólver Smith and Wesson .38 até o distintivo e o uniforme.

O maior obstáculo foram as 280 horas de treinamento estabelecidas por lei. Durante quatro meses (quatro horas por noite e cinco noites por semana), depois das tarefas de ensino teórico, eu aprendia como utilizar uma arma, como aproximar-me de um edifício na escuridão, como interrogar suspeitos, investigar acidentes de trânsito e recolher impressões digitais. Por vezes, à noite, quando regressava a casa depois de horas de treinamento de luta para defesa pessoal, com os músculos cansados, pensava que estava precisando era de um exame de sanidade mental por ter-me metido naquilo. Finalmente, veio a graduação e, com ela, o que viria a ser a mais compensadora experiência da minha vida.

Patrulhando a rua

Ao escrever este artigo, já completei mais de 100 rondas como agente iniciado, e tantas coisas aconteceram no espaço de seis meses que jamais voltarei a ser a mesma pessoa. Nunca mais esquecerei também o primeiro dia em que montei guarda defronte à porta da Delegacia de Jacksonville. Sentia-me, ao mesmo tempo, estúpido e orgulhoso no meu novo uniforme azul e com a cartucheira de couro.

A primeira experiência daquilo que eu chamo de minhas “lições de rua” aconteceu logo de imediato. Com meu colega de patrulha, fui destacado para um bar, onde havia distúrbios, no centro da zona comercial da cidade. Encontramos um bêbado robusto e turbulento que, aos gritos, se recusava a sair. Tendo adquirido certa experiência em admoestação correcional, apressei-me a tomar conta do caso. “Desculpe, amigo”, disse eu sorridente, “não quer dar uma chegadinha aqui fora para bater um papo comigo?” O homem me encarou incrédulo, com os olhos vermelhos. Cambaleou e me deu um empurrão no ombro. Antes que eu tivesse tempo de me recuperar, chocou-se de novo comigo e, desta vez, fazendo saltar da dragona a corrente que prendia meu apito. Após breve escaramuça, conseguimos levá-lo para a radiopatrulha.

Como professor universitário, eu estava habituado a ser tratado com respeito e deferência e, de certo modo, presumia que isso iria continuar assim em minhas novas funções. Estava porém, aprendendo que meu distintivo e uniforme, longe de me protegerem do desrespeito, muitas vezes atuavam como um imã atraindo indivíduos que odiavam o que eu representava. Confuso, olhei para meu colega, que apenas sorriu.

Teoria e prática

Nos dias e semanas seguintes, eu iria aprender mais coisas. Como professor, sempre procurava transmitir aos meus alunos a idéia de que era errado exagerar o exercício da autoridade, tomar decisões por outras pessoas ou nos basearmos em ordens e mandatos para executar qualquer tarefa. Como agente de polícia, porém, fui muitas vezes forçado a fazer exatamente isso. Encontrei indivíduos que confundiam gentileza com fraqueza – o que se tornava um convite à violência. Também encontrei homens, mulheres e crianças que, com medo ou em situações de desespero, procuravam auxílio e conselhos no homem uniformizado.

Cheguei à conclusão de que existe um abismo entre a forma como eu, sentado calmamente no meu gabinete com ar condicionado, conversava com o ladrão ou assaltante à mão armada, e a maneira pela qual os patrulheiros lidam com esses homens – quando eles se mostram violentos, histéricos ou desesperados. Esses agressores, que anteriormente me pareciam tão inocentes, inofensivos e arrependidos depois do crime cometido, como agente de polícia, eu os encarava pela primeira vez como uma ameaça à minha segurança pessoal e a da nossa própria sociedade.

Aprendendo com o medo

Tal como o crime, o medo deixou de ser um conceito abstrato para mim, e se tornou algo bem real, que por várias vezes senti: era a estranha impressão em meu estômago, que experimentava ao me aproximar de uma loja onde o sinal de alarme fora acionado; era uma sensação de boca seca quando, com as lâmpadas azuis acesas e a sirena do carro ligada, corríamos para atender a uma perigos chamada onde poderia haver tiroteio.

Recordo especialmente uma dramática lição no capítulo do medo. Num sábado à noite, patrulhava com meu colega uma zona de bares mal freqüentados e casas de bilhares, quando vimos um jovem estacionar o carro em fila dupla. Dirigimo-nos para o local, e eu pedi que arrumasse devidamente o automóvel, ou então que fosse embora, ao que ele respondeu inopinadamente com insultos. Ao sairmos da radiopatrulha e nos aproximarmos do homem, a multidão exaltada começou a nos rodear. Ele continuava a nos insultar, recusando-se a retirar o carro. Então, tivemos que prendê-lo. Quando o trouxemos para a viatura da polícia, a turba nos cercou completamente. Na confusão que se seguiu, uma mulher histérica abriu meu coldre e tentou sacar meu revólver.

De súbito, eu estava lutando para salvar minha vida. Recordo a sensação de verdadeiro terror que senti ao premir o botão do armeiro na radiopatrulha onde se encontravam nossas armas longas. Até então, eu sempre tinha defendido a opinião de que não devia ser permitido aos policiais o uso de armas longas, pelo aspecto “agressivo” que denotavam, mas as circunstâncias daquele momento fizeram mudar meu ponto de vista, porque agora era minha vida que estava em risco. Senti certo amargor quando, logo na noite seguinte, voltei a ver, já em liberdade, o indivíduo que tinha provocado aquele quase motim – e mais amargurado fiquei quando ele foi julgado e, confessando-se culpado, condenaram-no a uma pena leve por “violação da ordem”.

Vítimas silenciosas

Dentre todas as trágicas vítimas que vi durante seis meses, uma se destaca. No centro da cidade, num edifício de apartamentos, vivia um homem idoso que tinha um cão. Era motorista de ônibus aposentado. Encontrava-os quase sempre na mesma esquina, quando me dirigia para o serviço, e por vezes me acompanhavam durante alguns quarteirões.

Certa noite, fomos chamados por causa de um tiroteio numa rua perto do edifício. Quando chegamos, o velho estava estendido de costas no meio de uma grande poça de sangue. Fora atingido no peito por uma bala e, em agonia, me sussurrou que três adolescentes o tinham interceptado e lhe exigiram dinheiro. Quando viram que tinha tão pouco, dispararam e o abandonaram na rua.

Em breve, comecei a sentir os efeitos daquela tensão diária a que estava sujeito. Fiquei doente e cansado de ser ofendido e atacado por criminosos que depois seriam quase sempre julgados por juizes benevolentes e por jurados dispostos a conceder aos delinqüentes “nova oportunidade de se reintegrarem ao convívio da sociedade”. Como professor de Criminologia, eu dispunha do tempo que queria para tomar decisões difíceis. Como policial, no entanto, era forçado a fazer escolhas críticas em questão de segundos (prender ou não prender, perseguir ou não perseguir), sempre com a incômoda certeza de que outros, aqueles que tinham tempo para analisar e pensar, estariam prontos para julgar e condenar aquilo que eu fizera ou aquilo que não havia feito.

Como policial, muitas vezes fui forçado a resolver problemas humanos incomparavelmente mais difíceis do que aqueles que enfrentara para solucionar assuntos correcionais ou de sanidade mental: rixas familiares, neuroses, reações coletivas perigosas de grandes multidões, criminosos. Até então, estivera afastado de toda espécie de miséria humana que faz parte do dia-a-dia da vida de um policial

Bondade em uniforme

Freqüentemente, fiquei espantado com os sentimentos de humanidade e compaixão que pareciam caracterizar muitos dos meus colegas agentes da polícia. Conceitos que eu considerava estereotipados eram, muitas vezes, desmentidos por atos de bondade: um jovem policial fazendo respiração boca-a-boca num imundo mendigo, um veterano grisalho levando sacos de doces para as crianças dos guetos, um agente oferecendo a uma família abandonada dinheiro que provavelmente não voltaria a reaver.

Em conseqüência de tudo isso, cheguei a humilhante conclusão de que tinha uma capacidade bastante limitada para suportar toda a tensão a que estava sujeito. Recordo em particular certa noite em que o longo e difícil turno terminara com uma perseguição a um carro roubado. Quando largamos o serviço, eu me sentia cansado e nervoso. Com meu colega, estava me dirigindo para um restaurante a fim de comer qualquer coisa, quando ouvimos o som de vidros que se partiam, proveniente de uma igreja próxima, e vimos dois adolescentes cabeludos fugindo do local. Nós os alcançamos e pedi a um deles que se identificasse. Ele me olhou com desprezo, xingou-me e virou as costas com intenção de se afastar. Não me lembro do que senti. Só sei que o agarrei pela camisa, colei seu nariz bem no meu e rosnei: “Estou falando com você, seu cretino!”

Então meu colega me tocou no ombro, e ouvi sua confortante voz me chamando à razão: “Calma, companheiro!” Larguei o adolescente e fiquei em silêncio durante alguns segundos. Depois me recordei de uma das minhas lições, na qual dissera aos alunos: “O sujeito que não é capaz de manter completo domínio sobre suas emoções, em todas as circunstâncias, não serve para policial”.

Desafio complicado. Muitas vezes perguntara a mim próprio: “Por que uma pessoa quer ser policial?” Ninguém está interessado em dar conselhos a uma família com problemas às três da madrugada de um domingo, ou em entrar às escuras num edifício que foi assaltado, ou em presenciar, dia após dia, a pobreza, os desequilíbrios mentais, as tragédias humanas. O que faz um policial suportar o desrespeito, as restrições legais, as longas horas de serviço com baixo salário, o risco de ser assassinado ou mutilado?

A única resposta que posso dar é baseada apenas na minha curta experiência como policial. Todas as noites eu voltava para casa com um sentimento de satisfação e de ter contribuído com algo para a sociedade – coisa que nenhuma outra tarefa me havia dado até então.

Todo agente de polícia deve compreender que sua aptidão para fazer cumprir a lei, com a autoridade que ele representa, é a única “ponte” entre a civilização e o submundo dos fora-da-lei. De certo modo, essa convicção faz com que todo o resto (o desrespeito, o perigo, os aborrecimentos) mereça que se façam quaisquer sacrifícios.




George L. Kirkham. Professor assistente da Escola de Criminologia da Universidade da Flórida

Extraído de Polícia Militar – Revista da Polícia Militar do Rio de Janeiro – n° 5­/Ano III – Agosto de 1988

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A POPULAÇÃO NÃO AGUENTA MAIS...

PALESTRA

Ricardo Balestreri

* Respeitar direitos humanos é pouco
* Embrião da polícia comunitária na década de 50
* Ditadura militar, viaturização
* Policial pra servir a população tem que falar com ela, conhecer, ser referência
* Como evitar corrupção
* BO praticamente não serve pra nada, pior sem o ciclo completo de polícia
* Na prática quando o delinquente é detido.
* Exemplo que ocorre no Amazonas
* Resistência do sistema às mudanças
* Serviço público é SERVIÇO não é PODER público.
* Por na pauta dos militantes a reforma das polícias !



http://www.youtube.com/watch?v=vYToA9YPlQs

segunda-feira, 17 de junho de 2013

NÚCLEOS DE POLÍCIA COMUNITÁRIA PELO RS

BLOG SEGURANÇA NEWS segunda-feira, junho 17, 2013

Cruz Alta recebe núcleos de polícia comunitária


14 de Junho de 2013

Mais de 20 mil moradores de Cruz Alta passam a ser beneficiados com o Projeto de Policiamento Comunitário, implantado nessa sexta-feira (14) no município. As grandes regiões dos bairros Fátima e Vila Nova receberam um núcleo com quatro policiais e uma viatura em cada um.

Para o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, o projeto vai além do caráter policial de prevenção e combate ao crime. "A população verá que o Estado está presente. Todos vão saber que têm a quem recorrer próximo de suas casas". Michels ainda ressaltou que o resultado no aumento da segurança se refletirá em toda cidade de Cruz Alta.

O prefeito Juliano da Silva enfatizou a parceria entre município e governo do Estado, dizendo que o projeto vai "agregar qualidade ao policiamento ostensivo".

Resultados Na última semana, o projeto Polícia Comunitária foi implantado em seis cidades além de Cruz Alta - entre inaugurações e ampliações. Ao todo, sete cidades já contam com o projeto, que tem se mostrado eficiente na redução da criminalidade. "Os resultados são animadores, pois em Caxias, tivemos redução de crimes como homicídios e furtos de 20% a 50%", relatou o coordenador do projeto no Estado, coronel Julio César Marobin. Segundo ele, outra questão importante é a colaboração da comunidade, que tem se mostrado satisfeita.

Os municípios de Novo Hamburgo, Rio Grande, Santa Cruz do Sul e Guaíba são os próximos que receberão o projeto até o fim do ano, além de Caxias, que receberá mais oito novos núcleos.

O projeto O projeto de Polícia Comunitária - implantado do Rio Grande do Sul pela Secretaria da Segurança Pública - traz um conceito inédito no Brasil, de aproximar os policiais com a população, alimentando a sensação de segurança pública a partir dessa convivência. Combina o policiamento comunitário denominado de "Chuzaisho" (do Japão), e o de policial de quarteirão. Traz para o perímetro urbano o conceito japonês que coloca o policial a morar em pequenas comunidades da zona rural.

É operado a partir de núcleos formados por bairros, que são atendidos por PMs que moram nos locais onde farão o policiamento. Uma parceria entre a Secretaria e as prefeituras garante uma bolsa-auxílio de R$ 600, por meio do município, para o pagamento do aluguel das casas para os policiais.

Na implantação do projeto, o Estado entrega uma viatura nova para cada núcleo e equipamentos de uso individual para cada policial. A SSP, por meio do Departamento de Ensino e Treinamento, capacita policiais e líderes comunitários no curso de Polícia Comunitária. 

Cidades com Polícia Comunitária Bento Gonçalves - Oito núcleos (um com Polícia Civil), sete viaturas, 18 policiais militares e oito policiais civis, em 14 bairros - São Roque, Universitário, Progresso, Humaita, Maria Goreti, São Francisco, Licorsul, Cidade Alta, Juventude, São Bento, Planalto, Fenavinho, Botafogo e Santa Rita. Também em três distritos - Vale dos Vinhedos, Tuiuti e Faria Lemos.

Campo Bom - Dois núcleos, quatro policiais, duas viaturas em dois bairros - Quatro Colônias e Operária
Canoas - Dez núcleos, 34 policiais, 11 viaturas em 12 regiões - Mathias Velho, Harmonia, Centro, Mato Grande, Marechal Rondon, Nossa Senhora das Graças, Niterói, Igara, Estância Velha, Guajuviras, Olaria, Rio Branco

Caxias do Sul - 15 núcleos, 15 viaturas e 46 policiais em 25 bairros - Pio X, Santa Catarina, Exposição, Panazollo, Cristo Redentor, Rio Branco, Lourdes, Bela Vista, São Vito, Floresta, Medianeira, Sagrada Família, Santa Lúcia, Cohab, Colina Sorriso, São Pelegrino, Petrópolis, Presidente Vargas, Cruzeiro, Cinquentenário I e Cinquentenário II, Marechal Floriano, Madureira, Universitário e Jardim América.
Cruz Alta - Dois núcleos, oito policiais, duas viaturas em duas regiões - Fátima e Vila Nova.

Esteio - Dois núcleos, nove policiais, três viaturas em três regiões - Primavera, São José e Novo Esteio.
Passo Fundo - Dois núcleos, quatro policiais, duas viaturas em dois bairros - Integração e Zachia Sapucaia do Sul; Dois núcleos, oito policiais, duas viaturas em duas regiões - Fortuna e Cohab. 

Texto: Patrícia Lemos
Edição: Redação Secom

Postado por Odiomar Luis Bitencourt Teixeira às 1

quarta-feira, 12 de junho de 2013

NOVOS NÚCLEOS DE POLCOM EM CAXIAS DO SUL

REDE SUL DE RÁDIO

Caxias do Sul recebe nesta quinta-feira quatro novos núcleos de policiamento comunitário. Mais oito deverão ser implantados até o final do ano

por Cleberson Portela , dia 12/06/2013 às 10:42



A partir desta quinta-feira (13/06), quatro novos núcleos de policiamento comunitário estarão funcionando em Caxias do Sul. O município é pioneiro na implantação deste tipo de policiamento. Desta vez os bairros contemplados serão o Marechal Floriano, o Cruzeiro, o Cinquentenário e a Região da Antena.

O diretor Geral da Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social, José Francisco Barden da Rosa explica como funciona a parceria com o governo do Estado. Ele destaca que no convênio, o Estado disponibiliza os policiais militares, viaturas e os equipamentos como armas, coletes e algemas e a Prefeitura repassa o auxilio aluguel para os policiais participantes do projeto. Barden ressalta que até o final do ano mais oito núcleos de policiamento comunitário devem ser instalados no município.

Hoje a cidade conta com 34 policiais militares participantes do projeto, em 10 núcleos, que abrangem os bairros Pio X, Santa Catarina, Exposição, Panazzolo, Cristo Redentor, Rio Branco, Lourdes, Bela Vista, Sanvitto, Floresta, Medianeira, Sagrada Família, Santa Lúcia, Cohab, Colina Sorriso, São Pelegrino, Petrópolis e Presidente Vargas.

Ouça na íntegra a entrevista realizada no programa Acontece desta quarta-feira (12/06), com a apresentação de Evandro Fontana.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

COMO É A INSTALAÇÃO DE UM UPP?

REVISTA SUPERINTERESSANTE JAN2011

COMO FUNCIONA

A SUPER te mostra como foram instaladas as 13 Unidades de Polícia Pacificadora, que buscam combater as facções criminosas nas favelas do Rio.

por Maurício Horta, Renata Steffen, Paula Soares e F. Scomazzon


1. MAPEAMENTO

É a fase teórica. Diferentes secretarias do governo fluminense coletam dados socio-econômicos, topográficos e criminais: mancha do crime, que facção controla qual morro, quais armamentos são usados e tipos e preços de drogas vendidas. É delimitada então uma comunidade para a ação.

2. ESTRATÉGIA

A Polícia Militar recebe esses dados e faz um plano de ação nas comunidades, com o número de policiais, armamentos e viaturas. O material todo volta para a Secretaria de Segurança Pública, para aprovar o orçamento necessário.

3. AÇÃO

A PM e o Bope sobem o morro e expulsam os traficantes armados. Pode haver ou não confronto, mas a polícia evita - afinal, é mais difícil ganhar confiança se um inocente for atingido. Uma estratégia é informar à comunidade qual o dia e o horário da tomada.

4. ESTABILIZAÇÃO

Ainda sem instalações fixas, a PM continua no morro para garantir a estabilização do território. Para lá são enviados apenas policiais recém-formados. Isso evita a entrada de pessoas relacionadas com a comunidade ou já corrompidas pelo "sistema".

5. INSTALAÇÃO

A unidade física da UPP é então instalada - o tempo depende do sucesso da operação. No início, as comunidades ficavam receosas, mas, com o aumento da sensação de segurança, os moradores começaram a se aproximar da polícia.

6. INVESTIMENTO

O tráfico de drogas continua, mas desarmado. Com a queda da violência, o governo passa a fazer obras de infraestrutura, educação, lazer e inclusão social. Assim, até imóveis no morro e no entorno se valorizam - puxadinhos chegam a triplicar de preço.

Fonte Roberto Alzir, superintendente de planejamento e integração das UPPs.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

UPP RECUPERA AUTOESTIMA DA TIJUCA


Após UPPs, Tijuca recupera autoestima e volta a se valorizar. Às vésperas de completar 254 anos, bairro vive entrada de novos lançamentos imobiliários, lojas de grifes estrangeiras e até seu primeiro hotel internacional


FERNANDA PONTES
WALESKA BORGES 
O GLOBO
Atualizado:29/05/13 - 5h00

A moradora Sonia Fragozo, que se diz tijucana de carteirinha, retornou ao bairro, após um exílio de dez anos; na foto, ela está à frente da Igreja São Francisco Xavier Marcelo Piu / O Globo


RIO — Quando se viu com o travesseiro nas mãos, no meio da madrugada, procurando um lugar seguro para dormir no corredor de sua própria casa, a arquiteta Sonia Fragozo tomou uma decisão até então impensável: se mudar da Tijuca, bairro onde nasceu, para a Zona Sul. Era o ano 2000, quando, da janela de seu apartamento na esquina da Rua Barão de Itapagipe com Professor Gabizo, acompanhava com apreensão as rajadas de metralhadoras nas comunidades vizinhas. Em 2010, quando as favelas da região começaram a ser pacificadas, Sonia resolveu voltar.

Ao trocar a Tijuca por Laranjeiras, a arquiteta sentiu logo a diferença. Seu novo apartamento ficava longe do metrô, não havia oferta de transporte público e, como a família e amigos ainda moravam na Tijuca, ela continuou frequentando o bairro:

— Sou tijucana de carteirinha, estudei no Colégio Santa Teresa, frequentei os cinemas da Praça Saens Peña. Hoje eu encontro as pessoas na rua e ainda paro para tomar um expresso no Café Palheta.

De volta ao passado

Sonia retrata um movimento que o mercado imobiliário e o comércio já perceberam: às vésperas de completar 254 anos, a Tijuca está voltando aos bons e velhos tempos, com a entrada de novos lançamentos imobiliários, lojas de grifes estrangeiras e até seu primeiro hotel internacional — o que fez subir o valor do metro quadrado de R$ 5.022, em 2010, para R$ 8.642, em 2012, o equivalente a 72%.

Para João Paulo Matos, presidente da Ademi, o bairro passou 20 anos “adormecido”, devido ao processo de favelização, que acabou sendo maior que no restante da cidade por questões geográficas.

— Após a entrada das UPPs, seus ex-moradores estão voltando. São pessoas conservadoras, que saíram com medo da violência e querem voltar para perto da família — analisa ele, que contabilizou o lançamento de 1.077 unidades residenciais e comerciais na região em 2012, contra 523 em 2010.

De olho nesse mercado, Rogério Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, voltou a investir na região após 11 anos. Ele aposta que o bairro vive o resultado de um “mercado reprimido pela violência”:

— Nós começamos na Tijuca, mas os imóveis deixaram de ter liquidez. Agora vivemos o movimento oposto. Vendemos 200 escritórios num prédio comercial em apenas uma tarde. Hoje o metro quadrado vale um pouco menos que o de Botafogo, que custa R$ 10 mil.

Barra, só para o fim de semana

A engenheira Julieta Santos, por exemplo, comprou uma cobertura na Tijuca por mais de R$ 1 milhão. Ela diz que poderia morar na Zona Sul ou na Barra, mas gosta da Tijuca porque tem tudo “pertinho”.

Já a professora aposentada Lúcia Viola, de 66 anos, está no bairro há quatro décadas. Mesmo depois de ter comprado um apartamento na Barra, apenas para passar o fim de semana e emprestar aos amigos, ela não se mudou da Tijuca, onde vive numa espaçosa cobertura. O farto comércio, a facilidade de transporte, hospitais, restaurantes e igrejas são alguns dos motivos apontados para permanecer no lugar.

— Faço tudo na Tijuca. Costumo brincar dizendo que, se sair daqui, vou precisar de passaporte. O tijucano é muito bairrista. Eu me orgulho de morar aqui — diz Lúcia, que também é síndica do prédio onde mora.

Esse tijucano com poder aquisitivo, e que não está disposto a cruzar o túnel toda vez que quiser fazer compras em lojas de marcas, é um dos focos do Shopping Tijuca, que acaba de passar por uma “remodelação”. Calvin Klein, Lacoste e Adidas e o café Starbucks são algumas de suas aquisições estrangeiras, além das grifes nacionais Le Lis Blanc e Reserva.

A mudança também já pode ser sentida nas ruas do bairro, que ganhará seu primeiro hotel de bandeira internacional. O Best Western, voltado para negócios, está presente em 83 países. Ficará na Rua Ibituruna, em frente à Universidade Veiga de Almeida. E, em 2014, abrirá na Rua Uruguai uma nova estação do metrô, por onde passarão 30 mil pessoas por dia.

A Granado, um dos ícones dos áureos tempos, reabriu mês passado, após dez anos de exílio, no mesmo prédio histórico onde funcionou a primeira filial da Granado, a partir de 1917.

A história da Tijuca começa com a venda de chácaras em leilão para descendentes de nobres portugueses e grandes comerciantes. Não à toa, algumas das instituições mais emblemáticas do Rio foram construídas ali, como o Instituto de Educação e o Colégio Militar.

— Seu auge foi nos anos 50 e 60, quando foi consagrada como região que oferecia qualidade de vida e vizinhança nobre. Daí o ‘orgulho tijucano’ — explica o historiador Nireu Cavalcanti.

O colecionador Fernando França, que trabalha num antiquário na Praça Saens Peña, conta que vendeu sua casa na Tijuca por causa da violência. Hoje, reconhece que o bairro melhorou.

— Infelizmente, vendi minha casa antes da UPP e acabei perdendo dinheiro. Hoje não sei se teria dinheiro para comprá-la de volta.

Era na Praça Saens Peña, coração da Tijuca, que ficava o maior número de cinemas da cidade (11), incluindo a maior sala de todas, a do Olinda. Com o passar dos anos, muitos cinemas foram transformados em igrejas evangélicas. Mas o lugar continua sendo um ponto de referência.

Padaria de bambas

Os idosos aproveitam a tranquilidade da praça para fazer ginástica nos aparelhos ou para jogar cartas. O clima, porém, nem sempre foi assim.

— Antes da UPP, já tive que sair correndo num domingo por causa de um tiroteio no morro. Hoje, meus amigos de outros bairros ficam aqui conversando sem medo — conta o aposentado Alcides da Costa, de 83 anos.

Se no asfalto a vida melhorou, quem mora na favela sentiu ainda mais a diferença. Marcelo da Paz, nascido e criado no Salgueiro, transformou a antiga birosca do pai em bar, mercearia e padaria. O lugar, inaugurado em janeiro, virou também um ponto de encontro entre o morro e o asfalto. Turistas da China, do Japão e dos Estados Unidos já estiveram ali. De lá, partem para trilhas em comunidades pacificadas.

— Nada disso seria possível se não fosse a pacificação. Não temos mais a ostentação de armas — explica Marcelo, que faz uma constatação: — Hoje o Salgueiro é um pré-sal inexplorado.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

BÔNUS PARA REDUZIR A CRIMINALIDADE

G1 - 22/05/2013 10h55

Alckmin cria bônus para policial que diminuir criminalidade. Policiais terão metas de redução de crimes em sua área de trabalho. Projeto prevê bônus de até R$ 10 mil.

Do G1 São Paulo




O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (22), em entrevista ao Bom Dia São Paulo, o pagamento de bônus aos policiais que conseguirem reduzir os índices de criminalidade em suas áreas de atuação. O bônus será de R$ 4 mil semestrais para cada policial, mas poderá chegar a R$ 10 mil.

As metas de redução da criminalidade que os policiais deverão seguir ainda não foram definidas. Elas serão determinadas em parceria com os institutos Sou da Paz e Falconi, através de um convênio com o governo do estado. O governador também não informou os critérios para a distribuição dos bônus.

"Vamos estabelecer as metas mais importantes para a população e, como resultado deste sistema de metas a serem atingidas por região, por tipo de delitos, é natural uma meritocracia, ou seja, uma bonificação. São um conjunto de medidas, vai até a criação de uma nova seccional em Campinas, um novo Deinter em Araçatuba", disse Alckmin sobre o pacote batizado de "São Paulo Contra o Crime" lançado nesta quarta.

Segundo ele, as metas e prazos da redução da criminalidade serão públicos. “Queremos resultado para a população na ponta, que é redução dos indicadores de criminalidade. É um misto: de um lado carreira, salário; de outro, estímulo", destacou.

Alckmin anunciou ainda o aumento do efetivo da Polícia Civil e da Polícia Técnico-Científica. A Polícia Civil deverá ganhar cerca de 3 mil novos agentes. Já a Polícia Técnico-Científica terá um incremento de 62%. “Serão ao todo 4.600, praticamente, policiais a mais nas polícias civil e técnico-científica", afirmou.

O governador pretende implantar as medidas no segundo semestre deste ano com o objetivo de diminuir os índices de criminalidade.

Quando questionado sobre o fim violência no estado, o governador disse que esse é um problema nacional. “Essa é uma guerra , é uma luta 24 horas, aliás, no país inteiro”, disse Alckmin.

Ele citou a responsabilidade do governo federal sobre a questão da segurança, a quem atribuiu omissão. “Uma situação geral: tráfico de drogas, tráfico de armas, omissão do governo federal, fronteiras totalmente abertas".

Sobre os índices de criminalidade no estado - alguns deles em alta -, Alckmin lembrou que em 2012 apenas São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram baixas as estatísticas. Segundo ele, o número de homicídios, em alta desde julho do ano passado, cairá nos índices de violência em abril, que serão divulgados na próxima sexta-feira (25).

O governador anunciará oficialmente o novo pacote de segurança na manhã desta quarta, em evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Ao premiar a redução da criminalidade, o governador valoriza um indicador qualitativo, enquanto outros se valiam de indicadores quantitativos. Se a premiação for destinada à equipe de policiais que trabalha numa área de responsabilidade para a qual as metas qualitativas foram estabelecidas, esta iniciativa tem todo o meu aplauso. Porém, se a premiação for individual, estará fadada ao insucesso, pois vai criar concorrência, atritos, conflitos organizacionais e outros fatores negativos. Nos EUA, um plano semelhante premiava os distritos e louvava as chefias que conseguissem atingir a meta qualitativa estabelecidas de redução dos indicadores de crime. O distrito que não conseguisse atingir a meta teria ainda mais uma chance sob pena de substituição do comando do distrito. O que vale é a produtividade da equipe de policiais e não de um policial. No Brasil, todas as iniciativas de premiar a produtividade foram inoperantes por ter focado o particular ao invés do esforço coletivo.

Infelizmente, tenham ou não os requisitos apropriados para a premiação por produtividade qualitativa, a segurança pública vai depender da proficiência na justiça onde as coisas são morosas, burocratas, assistemáticas, condescendentes, divergentes, focada no direito particular e sem preocupação com a ordem pública ou bem-estar do povo.