O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

OS INCRÍVEIS JAPONESES

WANDERLEY SOARES, O SUL
Porto Alegre, Quinta-feira, 15 de Março de 2012.


Dia e noite, a qualquer hora, o policial militar poderá ser chamado pelo vizindário.

Em minha torre, conversava com meus conselheiros, quando revelei que o Japão é um dos países que, na condição de um humilde marquês, sem posses, não conheço. No entanto, tenho três amigos japoneses que jamais se queixaram do sistema de segurança de seu país.

Por isso, fiquei feliz ao tomar conhecimento de que o governo do RS, como mais um segmento da política da transversalidade na área de segurança pública, montou um plano piloto japonês de policiamento em Caxias do Sul.

A estruturação de tal plano não teve a precisão do pensamento nipônico, mas o importante é que a montagem está pronta com um núcleo de 33 profissionais da Brigada Militar.

Isso contemplará áreas de comércio e bancos de Caxias, onde tais policiais passarão a morar com uma espécie de auxílio-moradia saído dos cofres da prefeitura do município. Acredito que o projeto se estenderá em todo o Estado.

Estaremos todos com policiais à disposição nas 24 por dia, pois o PM que morar no bairro em que trabalha poderá ser chamado a qualquer hora pelo vizindário. Esses japoneses são incríveis.

quarta-feira, 14 de março de 2012

VIZINHANÇA FARDADA


PMs de Caxias moram nos bairros em que trabalham - SUELLEN MAPELLI | CAXIAS DO SUL - ZERO HORA 14/03/2012

A partir de hoje, 33 policiais militares trabalharão mais próximos dos moradores de Caxias do Sul. O projeto piloto da Secretaria da Segurança Pública, batizado de Polícia Comunitária dentro do RS na Paz, prevê que os PMs vivam nas comunidades em que atuam.

– Esse é um projeto inédito no Brasil e que só existe no Japão, mas em áreas rurais. A proposta é trabalhar na prevenção de crimes, mas de uma maneira que o policial se relacione harmonicamente com a comunidade – explica o secretário estadual da Segurança, Airton Michels.

Anunciado para o início de janeiro, e adiado por duas vezes, o policiamento será instalado, inicialmente em 10 núcleos que atendem as principais áreas de comércio e bancos de Caxias do Sul. Cada núcleo terá três soldados e uma viatura à disposição.

De acordo com o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar, major Jorge Emerson Ribas, os servidores estavam lotados nas três companhias do batalhão (Cruzeiro, Cinquentenário e Macaquinhos) e foram voluntários da Polícia Comunitária. O plano era que todos se encaixassem nos seguintes pré-requisitos: ser casado, não ter casa própria e não desenvolver outra atividade profissional. Mas houve exceções.

– Como não tivemos acréscimo no efetivo, tivemos de aceitar policiais que não são solteiros – explica o major.

Os PMs receberem auxílio moradia mensal de R$ 594 para alugar um imóvel na comunidade em que trabalhará, verba repassada pela prefeitura, que firmou convênio com o Estado.

O atraso na entrega de 11 viaturas novas – modelo Prisma – pelo governo estadual adiou a implantação do novo policiamento. Hoje, às 10h, na Praça Dante Alighieri, uma cerimônia de entrega dos veículos e de outros equipamentos (pistola .40, algemas e colete à prova de balas) marca o início do programa.

As viaturas ficarão estacionadas no pátio ou na garagem do policial que assumirá seu turno, ou seja, não precisam ser devolvidas ao batalhão no final de cada expediente de trabalho.

– O PM já está de serviço assim que sai de casa – explica Ribas.


COMO FUNCIONA

- Um PM ficará nas ruas do bairro das 8h às 16h. Os outros dois assumem das 16h à meia-noite. Conforme a realidade que for apresentada em cada núcleo, os horários poderão mudar.

- Os PMs que integram o projeto trabalharão prioritariamente no policiamento dos seus bairros.

- Cada policial tem direito a um dia de folga por semana, conforme escala feita pela coordenação.

- As chamadas devem continuar sendo feitas pelo 190 para que haja um controle das ocorrências e também porque os policiais podem prestar apoio a outros bairros.

- Os policiais não terão telefones funcionais. O presidente da Associação de Moradores de Bairros local possuiu o endereço e o telefone particular dos PMs. Demandas da comunidade, que não sejam de urgência, devem ser repassadas ao presidente, que as encaminha aos policiais.

Casal representa perfil padrão do projeto
Casados há três anos, o soldado Tel Fabiano de Souza Siqueira, 33 anos, e a soldado Simone dos Santos Hoisler Siqueira, 28, representam o perfil dos PMs do novo policiamento comunitário: idades entre 25 a 35 anos e, na maioria, jovens casais. Por já residirem no Rio Branco, eles optaram por participar do projeto no bairro. Agora, terão ajuda de custo para pagarem o aluguel da casa onde moram com a pequena Valentina, dois anos. Na verdade, eles já faziam o policiamento do bairro, informalmente.

– Uma vez, por exemplo, vi uma mulher ser assaltada na rua e consegui deter o bandido. Eu estava saindo de casa. Chamei uma viatura e o homem foi preso – recorda o soldado Siqueira.

Já Simone está ansiosa para voltar ao trabalho nas ruas, porque desde que ficou grávida de Valentina vinha fazendo serviço interno.

– Essa é a primeira vez que nós dois vamos trabalhar juntos – comenta.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Tática corretíssima: proximidade, comprometimento, confiança e permanência. Espero que não sofra interrupção e que os gestores e executores permaneçam longo tempo tendo apoio dos superiores lideranças comunitárias, suporte de políticas públicas e continuidade no Judiciário. Parabéns e sucesso.

ENGAVETADA META DE 2.800 UPPs


Dilma engaveta projeto que previa 2.800 UPPs pelo Brasil - Thiago Guimarães e Estelita Hass Carazzai, FOLHA DE SÃO PAULO, 14/03/2012 - 08h11

O governo federal engavetou o projeto que previa a instalação 2.883 UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) pelo Brasil. Segundo o Ministério da Justiça, técnicos avaliaram a principal promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff como "superdimensionada".

Os técnicos apontaram inclusive que não haveria sequer efetivo policial suficiente em algumas cidades para instalar as UPPs. Com isso, os recursos inicialmente previstos para construção das unidades pacificadoras, que chegam a cerca de R$ 1,6 bilhão, irão para outras ações, como combate ao uso do crack.

Implantado em 2008 no Rio de Janeiro, com recursos estaduais, o modelo das UPPs é um sistema de policiamento comunitário adaptado para áreas de risco. O eixo é a construção de bases de segurança que funcionam 24 horas por dia.

NOTA: Matéria indicada pelo Cel José Macedo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

RELATÓRIO LEE BROWN


POLICIANDO NOVA YORK NOS ANOS 90 - Relatório Lee Brown. Tradução Jorge Bengochea.

O policial de patrulha está voltando para a Cidade de Nova Iorque. É sobre isto que este relatório explica . Esboça como ela será policiada durante a década de 90, que passos o Departamento adotará para o policiamento e que estilo de policia dominará para manter a ordem ao longo dos bairros da cidade. É uma mudança radical.

Depois de sofrer uma revisão completa, inclusive histórica, o Departamento fez um compromisso organizacional para, de forma radical, alterar seu modo tradicional de policiar a cidade e administrar suas operações. Esta nova estratégia é o policiamento comunitário que é mais duro com crime e integrará a rica história do Departamento, de criatividade e experimentação.

A estratégia de policiamento comunitário, através de trabalho policial em cada distrito da cidade, é a prioridade mais alta do Departamento. Com o policiamento comunitário , todo bairro terá um ou mais policiais nomeados e responsável para ajudar os residentes da comunidade na prevenção ao crime, desenvolver sua própria capacidade na manutenção de ordem e melhorar a qualidade de vida.

Deste modo, o Departamento pode aumentar sua significativa contribuição para controlar crime e melhorar a qualidade de vida ao longo da cidade. Esta nova orientação assume a missão seguinte para o Departamento:

• O Departamento Policial da Cidade de Nova Iorque existe para proteger a vida e a propriedade dentro da lei, manter a ordem na comunidade, reduzir o crime e o medo de crime nos bairros, com grande respeito à dignidade humana e de acordo com os padrões mais altos de habilidade profissional, integridade e responsabilidade.

Os componentes chaves da transformação para o policiamento comunitário são:

• A presença do policiamento comunitário será providenciada para todos os bairros da cidade.

• A solução de problemas se tornará o caminho padrão em qual os integrantes do Departamento respondem a situações atendidas, quando em patrulha ou administrativo, nas investigações ou em tarefas de apoio. O Departamento administrará suas operações até certo ponto e estimula os policiais baseado em compromisso a um jogo escrito de valores que guiam suas ações.

• Para policiar os bairros da cidade, a patrulha ostensiva terá a estrutura, o apoio e recompensas necessárias para fazer disto uma atividade desejável para próprio policial fazer carreira como em qualquer outra tarefa no Departamento.

• A criatividade policial será reconhecida formalmente e será usada para resolver o problema. Igualmente, haverá policiais responsáveis pelas suas ações, dentro do contexto da missão do Departamento, valores, objetivos, políticas e procedimentos.

• Novas medidas de desempenho departamental serão desenvolvidas para manter os integrantes do Departamento em constante feeedback com pesquisas na comunidade e no Departamento para verificar se ele está alcançando seu objetivos.

• Serão controladas as demandas de trabalho do fone 911. O sistema será aprimorado para classificar e identificar a chamada e projetar procedimentos. Todos os policiais serão nomeados para um determinado bairro no qual ajudarão na respostas a chamadas de ocorrências que vem do seu bairro.

• O Sistema de Despacho de Patrulha, que mandava o pessoal para o atendimento das várias ocorrências, será revisto para refletir a integração de todo o pessoal na estratégia do policiamento comunitário.

• A base do serviço para o qual são recrutados será alargado. As pessoas aceitarão o compromisso do departamento como uma organização policial que representa a comunidade, a qual vê o trabalho policial como um serviço para comunidade, em lugar de buscar o indivíduo será identificado e será procurado.

• O processo de seleção será modernizado. A seleção desenvolverá investigações profundas e a prova psicológica será revisada para um recrutamento orientado ao policiamento comunitário.

• Os policiais a civis e pessoal de uniforme se tornarão membros iguais na transição para o policiamento comunitário.

• O Departamento de treinamento terá aumentada as suas responsabilidades e, em algumas instâncias, totalmente, revisada. Eles ensinarão as novas habilidades requeridas para o policiamento comunitário, ensinando como resolver problemas, prevenir o crime e organizar a comunidade.

• Os mecanismos de avaliação de desempenho serão revisados e desenvolvidos para proporcionar aos policiais o feedback no seu desempenho e lhes ajudar fortalecer a sua efetividade.

• Novos sistemas de recompensa serão desenvolvidas para reforçar à comunidade que a policia tem valores e assegurar que este reconhecimento é para os que se superarem na atividade policial levando a cabo a filosofia do policiamento comunitário.

• Os mecanismos de controle de integridade serão completamente revistos para assegurar a manutenção do nível mais alto de integridade ao longo do Departamento, encorajando e apoiando o exercício da discrição por pessoas de princípios que trabalham para rechaçar os problemas

Estas ações constituem a estratégia do policiamento para os anos 90. Este relatório explica: 1) de onde somos; 2) onde vamos e 3) o que deve ser feito para chegar lá.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Esta introdução mostra que o então Comissário de polícia de NYPD, Lee Brown estava indignado com a forma de atuação impessoal da polícia e precisava resgatar estratégias antigas de aproximação dos policiais junto às comunidades, juntando a novas estratégias de ocupação, permanência, metas e recompensas. Este relatório tem valor e importância para os gestores, pois as mazelas enfrentadas por Lee Brown naquela época são bem semelhantes às atuais dificuldades das polícias estaduais no Brasil, em especial a polícia militar que exerce o policiamento ostensivo preventivo.

VALORES DO NYPD

VALORES DO DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DA CIDADE DE NEW YORK

Em sociedade com a comunidade nós nos empenharemos a:

- Proteger as vidas e a propriedade de nossos concidadãos e com imparcialidade fazer cumprir a lei;

- Combater o crime prevenindo o crime e impedindo a ação dos violadores da lei;

- Manter um alto padrão de integridade que geralmente é esperado dos outros, tanto quanto é esperado de nós;

- Valorizar a vida humana, respeitar a dignidade de cada indivíduo e fazer os nossos serviços com cortesia e civilidade.

Fonte: Relatório Lee Brown, 1990

sábado, 10 de março de 2012

PENSAMENTO ESTRATÉGICO DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO


POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, CONQUISTANDO A CONFIANÇA DA COMUNIDADE - JORGE BENGOCHEA, CEL RR BRIGADA MILITAR


Uma conduta estratégica bem definida dentro do tempo possibilita aos líderes conduzir pessoas, empregar meios adequados e econômicos e controlar situações para obter resultados determinados e esta tem sido parte de uma busca do homem desde a Antigüidade.

Planejar é construir um trilho para seguir uma direção determinada na busca de uma meta julgada possível de ser atingida. Focar para frente e para trás coletando as informações necessárias para determinar as ações que serão realizadas para atingir as metas propostas. Nenhuma organização sobreviverá se conduzir suas ações sem planejamento. Na doutrina militar os planos e as ordens bem definidas possibilitam coordenar esforços, empregar os recursos da forma certa e tomar as melhores decisões para alcançar as vitórias.

Sun Tzú, Napoleão, Clausewitz, Cardeal de Richelieu, Zhou Yu, Zhuge Liang, Sima Yi, Lü Meng, Lu Xun, Jiang Wei, Sima Yan, Vo Nguyen Giape outros grandes políticos, generais, chefes, articuladores e manipuladores escreveram seus nomes na história, graças a estratégias, ações continuadas e estratagemas bem formulados. Foram com planos bem elaborados que as decisões se mostraram corretas e as ações bem executadas, atingindo os objetivos, dominando territórios e conquistando corações e lealdade de pessoas e povos. O pensamento destes estrategistas ultrapassaram o tempo e hoje são utilizados no mundo contemporâneo para conquistar objetivos, dominar e ampliar espaços, atingir o desenvolvimento organizacional, firmar uma imagem de confiança e garantir a sobrevivência.

Não se pode adotar medidas ou ações sem que se tenha bom um estudo da situação, pleno conhecimento do cenário, evolução e perspectivas, para elaborar um plano de trabalho, adequado e dentro da realidade em que se insere esta organização ou empresa, para então se estruturar, capacitar e iniciar as ações na direção dos objetivos pretendidos.

Um dos grandes erros é aplicar políticas e executar as funções pertinentes sem conhecer a sí próprio (pontos fortes e fracos), conhecer o inimigo (ameaças) e conhecer o ambiente (terreno, local, oportunidades), que são conhecimentos utilizados na construção do plano que servirá de referência e alicerce para apontar os melhores caminhos para trilhar dentre as inúmeras variáveis encontradas, aliada à inteligência e perspicácia do estrategista.

Pesquisa e Estatística Policial

Pesquisas científicas são importantes para desenvolver o conhecimento da situação existente ou possível, dando base à uma análise que fundamentará a construção do planejamento da gestão policial. A pesquisa é uma ferramenta de apoio para a identificação dos problemas que serão tratados, com técnicas apuradas e métodos padronizados.

Uma das técnicas que deve ser implementada é a da entrevista pessoal que, além de possibilitar a aproximação e um melhor relacionamento entre superiores e subordinados ou com as lideranças e pessoas da comunidade, avalia as emoções e os sentimentos que envolvem o ambiente de trabalho, o estado de segurança pública e a solidez das informações, críticas e sugestões recebidas. Lembre da "anamnese" realizada pelo médicos no tratamento de seus pacientes. Com ela, eles podem verificar o local onde existe a dor, o estado do paciente e determinar os exemplos complementares (pesquisa) para detectar a doença e assim proceder o tratamento para a cura. É uma postura que se assemelha ao do gestor do policiamento comunitário onde os pacientes são a comunidade (insegurança pública) e a doença é o crime a ser debelado.

A outra é a pesquisa de campo (diagnóstico, exames complementares), através de questionários previamente elaborados, para levantar, baseado nas questões norteadoras, a opinião sobre ponto relevantes tal como a satisfação da comunidade em relação ao crime e às atividades policiais desenvolvidas.

O levantamento pode levar às seguintes informações:

- a situação e o movimento dos indicadores de ocorrências;
- a capacidade da presença policial e o tempo de resposta nos atendimentos;
- o grau de motivação e treinamento dos gestores e executores policiais;
- Os níveis de satisfação da comunidade para com a atividade policial;
- O nível de confiança do cidadão na Instituição policial;
- Os problemas que causam a insegurança da comunidade;
- As causas de violência na comunidade;
- Os níveis das relações e do clima organizacional da Instituição.

NÍVEIS DE PLANEJAMENTO

ESTRATÉGICO

Ambientado em cenários, compete o nível estratégico à Instituição como um todo, estabelecendo a visão de futuro, os objetivos e a vida da Instituição. É o mais importante, pois estabelece as aspirações de querer coisas ou pessoas para satisfazer necessidades condicionadas pela filosofia que será implementada. A Instituição levanta as preocupações e as suas necessidades, verifica as questões internas que ameaçam a sua estrutura e estabelece para todos os seus órgãos e departamentos subordinados as coordenadas que serão implementadas, com metas específicas. O plano estratégico determina etapas a curto, médio e longo prazo para a realização das ações devendo no decurso de cada prazo, sofrer as alterações necessárias de acordo com a situação do momento.

É o planejamento mais amplo e abrangente cujas principais características são:

- é projetado a longo prazo;
- é baseado em prospectivas futuras, tendo seus efeitos e conseqüências estendidos a vários anos pela frente;
- envolve a Instituição como um todo, preocupando-se em atingir os objetivos a nível institucional.

TÁTICO

Relaciona-se a objetivos de médio prazo e com métodos e ações que influenciam somente uma parte da Instituição. São estabelecidos em nível regional ou departamental, e compatibilizados com os objetivos estratégicos fornecem o rumo a ser tomado pelos planos operacionais. Suas principais características são:

- projetado para o médio prazo, geralmente para o exercício anual;
- envolve cada departamento;
- preocupa-se em atingir objetivos departamentais.

OPERACIONAL

Compete o planejamento operacional à linha de execução das atividades de prestação de serviços (órgãos de execução), feito para cada tarefa ou atividade. Os planos operacionais definem as ações a serem realizadas nas diversas situações enfrentadas pela organização na sua rotina normal e nas especiais. Suas principais características são:

- é projetado para o curto prazo e para o imediato;
- envolve cada tarefa ou atividade isoladamente.






Arte Bengochea/Odiomar

quarta-feira, 7 de março de 2012

PRIMEIRA MULHER A COMANDAR UPP GANHA PRÊMIO INTERNACIONAL


Primeira mulher a comandar uma UPP é uma das dez a ganhar prêmio internacional nos EUA. Pricilla de Oliveira Azevedo contou a Beltrame que foi uma das vencedoras do Prêmio Internacional Mulheres de Coragem 2012. CARLA ROCHA, O GLOBO, 6/03/12 - 23h21

RIO - Ela é negra, corpo seco e musculoso, cabelos sempre presos num coque bem apertado e, de enfeites, apenas gloss e discretos brincos nas orelhas. Tem 1,65 metro e não deve pesar muito mais do que 60 quilos. Não fosse por uma certa dureza, logo notada, a major da Polícia Militar Pricilla, de 34 anos, poderia até ser descrita como uma mulher de aparência frágil. Engano. Depois de expulsar o tráfico do Morro Dona Marta, em Botafogo, como primeira comandante de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio, ela ligou na terça-feira dos EUA, na hora do almoço, para contar ao secretário de Segurança, José Beltrame, outro feito. Meio sem jeito, disse que era uma das dez vencedoras do Prêmio Internacional Mulheres de Coragem 2012.
— Você é uma guerreira! — explodiu Beltrame ao telefone.

Não era para menos. Em 2008, ele colocara nas mãos de uma oficial da PM, ignorando resquícios machistas, o mais importante programa de segurança do governo.

Beltrame não esconde de ninguém a admiração que tem pela história de Pricilla de Oliveira Azevedo, de origem humilde, parecida com a dos moradores da comunidade que protegeu por três anos. No início, chegou a andar de fuzil pelas vielas. Depois da pacificação, adotou a pistola. Mas a arma da major sempre foi mesmo a conversa. Junto com a repreensão no olhar, era imbatível. Pode parecer politicamente correta, mas, dizem, que se transformava em operações policiais. Com a adrenalina, sobravam até palavrões.

Mulher coragem. O título faz sentido. Em 2007, ela sofreu um sequestro-relâmpago. Foi levada com uma arma enfiada na boca até uma favela em Niterói. Quando a identificaram como policial, ela apanhou. Na cara. E muito. Ficou cheia de hematomas. Mas conseguiu fugir. Catou um por um seus detratores; só falta um. Um dia chega o dia dele.

Estudante de direito, a major — que deixou até afilhados na favela; e quantas Pricillas sem S não nasceram depois de sua passagem por lá? — só saiu do Dona Marta para assumir o desafio de cuidar de todos os projetos estratégicos da pasta. Claro que o foco principal são as UPPs.

O prêmio é um luxo para Pricilla, evangélica da Assembleia de Deus, criada no subúrbio. Será entregue na quinta-feira, Dia Internacional da Mulher, pela secretária de estado americana, Hillary Clinton, em Washington. E terá como convidada especial ninguém menos que a primeira-dama Michelle Obama. Pricilla também deverá ser cumprimentada por Leymah Gbowee e Tawakkol Karman, que ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 2011. O evento será no Auditório Dean Acheson do Departamento de Estado dos EUA. Em comum entre as premiadas, ações na área de direitos humanos, caso de Samar Badawi, ativista política da Arábia Saudita, ou de Hawa Abdallah Mohammed Salih, do Sudão.

Prova que Pricilla entrou na vida do Dona Marta definitivamente foi a reação do presidente da associação de moradores, José Mário, ao saber na terça-feira que ela ganhara o prêmio.

— Vou mandar um e-mail para ela agora mesmo — adiantou-se. — A Pricilla era durona, mas ganhou a gente se interessando de verdade pelos problemas das pessoas, conversando com pais para resgatar jovens do crime. Quando foi homenageada na quadra da favela, ela não segurou as lágrimas. Guardo até hoje, e acho que todo mundo do morro também, a imagem das crianças secando o rosto dela.