O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

sexta-feira, 2 de março de 2012

AGENTES DE JUSTIÇA COMUNITÁRIA PARA TERRITÓRIO DA PAZ GAÚCHO


Abertas inscrições para agentes de justiça comunitária no Território de Paz - http://www.esteio.rs.gov.br, 29/02/2012

Começou nesta quarta-feira (29) o prazo para inscrições para seleção de Agentes de Justiça Comunitária no Território de Paz, em Esteio (RS). Vinte vagas foram abertas para o projeto, que tem como objetivo capacitar lideranças da comunidade para buscar alternativas na solução de conflitos na sua região. A ação integra o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, e é realizado pela Prefeitura Municipal.

Os selecionados receberão capacitação sobre como atender à comunidade e uma bolsa auxílio mensal no valor de R$ 190,00 como ajuda de custo para transporte e alimentação. O Núcleo de Justiça Comunitária será formado na escola Maria Sirley Vargas Ferraz (CAIC), localizada na Rua Orestes Pianta, 207, e abrangerá as comunidades do Parque Primavera, Parque Votorantim, Jardim das Figueiras, Hípica, Barreira, Nazareno, São Jorge e Três Marias.

Para concorrer a uma das vagas, é preciso ter mais de 18 anos, ensino fundamental completo, residir no bairro há pelo menos um ano, entre outros requisitos que podem ser conferidos no edital de abertura das inscrições. É necessário ter um dia na semana disponível para atendimento à população e avaliação dos trabalhos e atendimentos pessoais. A seleção será feita com análise do formulário de inscrição, dinâmica de grupo e entrevista.

As inscrições serão realizadas até as 19h o dia 15 de março, no Centro de Convivência do Território de Paz (Rua Orestes Pianta, 210). O resultado está previsto para ser divulgado no dia 30 de março. Outras informações pelo telefone 3459-2323.

EDITAL: http://www.esteio.rs.gov.br/images/files/edital_justica_comunitaria2012.pdf


CRAS e Núcleo de Justiça Comunitária promovem oficinas sobre cidadania - Jesiel B. Saldanha, PREFEITURA MUNICIPAL DE CANOAS, 30/01/2012, 14:45

O Núcleo de Justiça Comunitária do Território de Paz bairro Guajuviras em parceria como CRAS da região, realizará oficinas sobre o trabalho do NJC junto aos participantes das Frentes Emergenciais de Trabalho, programa operado pela Secretaria de Desenvolvimento Social. Serão quatro capacitações, que acontecerão entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro, na sede do CRAS, bairro Guajuviras, pela manhã e tarde.

Conforme Cristiane Pires, do NJC, o objetivo das oficinas é contribuir para a democratização do acesso à justiça, por meio de mobilização e capacitação não apenas dos agentes comunitários, mas também da comunidade que reside no Guajuviras. "Com isso, a atuação em mediações de conflitos também poderá ser fortalecida com divulgação e sensibilização comunitária sobre o trabalho do Núcleo. Assim, temos o estabelecimento de parcerias com as instituições diversas para efetivar a construção de soluções para os conflitos de forma colaborativa", avaliou.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Como o projeto pertence ao Poder Executivo, a denominação "agente de justiça" só serve para confundir o cidadão e as comunidades, levando a crer que estão recebendo serviços de "agentes de justiça" pertencentes ao Poder Judiciário. O melhor deveria ser "AGENTES COMUNITÁRIOS".

quinta-feira, 1 de março de 2012

CURITIBA - POLÍCIA COMUNITÁRIA EM ÁREA DE RISCO

Polícia comunitária será implantada em área de risco de Curitiba. Agência Brasil - CORREIO BRAZILIENSE, 01/03/2012 10:15


Curitiba – Cerca de 450 policiais civis, militares e da Guarda Municipal de Curitiba ocuparam na madrugada desta quinta-feira (1º/3) uma das áreas consideradas vulneráveis ao tráfico de drogas na capital. Às 6h, toda a região do bairro Uberaba já estava ocupada. O objetivo é encontrar pontos do tráfico. Não há prazo para o fim da operação, que terá prosseguimento com a implantação, no local, da polícia comunitária. Nesta quinta-feira estão sendo cumpridos 34 mandados de busca e apreensão.

A operação ocorre na área escolhida para a implantação da primeira Unidade do Paraná Seguro (UPS), que além de reforço policial, vai contar com outros serviços públicos, em parceria com as prefeituras. As unidades, que deverão ser implantadas em todo o estado, são semelhantes às de Polícia Pacificadora (UPPs), instaladas nas favelas do Rio de Janeiro, a diferença é que não terão a participação do Exército.

Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Reinaldo de Almeida César, o critério utilizado para a escolha da região onde está sendo implantada a primeira unidade da UPS foi técnico. Ele disse que o Paraná vai devolver uma vida comunitária regular aos moradores dessas regiões.

O conceito da unidade, conforme o secretário, não é o de intervenção, de constrangimento aos moradores. Serão identificados os pontos de tráfico e, em um segundo momento, realizadas ações saneadoras, com a prisão dos envolvidos. “Vamos continuar o que foi iniciado hoje, que pode ser chamado de congelamento da área. O governador Beto Richa quer um trabalho forte da polícia comunitária, próxima e amiga do cidadão. Ao lado disso, a implantação de políticas públicas pelo governo e prefeituras, com ações fortes para mudar a realidade local”, acrescentou Almeida César.

De acordo com o secretário, as unidades marcam nova época para a segurança pública no estado, com investimentos em torno de R$ 500 milhões. A meta para este ano é a implantação de dez unidades do Paraná Seguro em Curitiba, e o governo já está mapeando áreas de risco nos maiores municípios do estado, que também passarão a contar com o serviço.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

POLICIAMENTO PREDICTIVO - FORTALECENDO A CIDADANIA


PREVISÃO ANALÍTICA AJUDA POLÍCIA NO CRIME - ANTES QUE ACONTEÇA. Duas cidades da Califórnia são pioneiras no “policiamento predictivo”. A análise de dados históricos do crime produz mapas digitais que mostram onde patrulhar para evitar assaltos e roubos de veículos. (artigo em inglês) - COMPUTERWORLD, 17 de Novembro de 2011 às 09:37:57

Capt. Sean Malinowski of the Los Angeles Police Department (LAPD) has just done something once unimaginable for a commanding officer: He’s given up control of deploying his beat officers to a computer.

Malinowski, commanding officer of the LAPD’s Foothill Community Police Station, is a pioneer in the field of “predictive policing.” That means using predictive analytics to analyze data, such as the times and locations of past crimes, to forecast where and when certain crimes are likely to happen in the future so police can stop them before they occur.

“We’re doing a rigorous examination, an experiment, for the next three months of predictive analytics and for the first time we’re going to rely 100% on the computer to forecast property crimes, which are the lion’s share of our crime,” he says. The experiment began Nov. 6.

Malinowski says he’s willing to make some sacrifices in terms of control if it means reducing crime in his jurisdiction.

“That’s unusual for me to do because, as a [commanding officer], I like to be in control of things, especially the mission,” he says. “But I’m going to give that up and I’m going to let the computer generate the geographic assignment of the missions.”

Across the country, police departments must fight crimes in the face of decreasing budgets and manpower. But in Los Angeles and Santa Cruz, Calif., the police departments are turning to new technologies like predictive analytics to help them save time and money by enabling them to prevent crime by more effectively deploying patrol officers.

The LAPD and the Santa Cruz Police Department are using a crime-fighting tool developed by researchers–social scientists and mathematicians–at the University of California Los Angeles (UCLA) to target property crimes such as home and business burglaries, as well as vehicle thefts and break-ins.

Like Predicting Earthquakes

The tool, which identifies criminal hotspots, is modeled on a mathematical algorithm used to predict earthquakes and their aftershocks because the researchers discovered that, just as aftershocks are in close proximity to the initial earthquake, criminals tend to commit crimes in close proximity to past crimes.

The technology grew out of a long-standing UCLA-based project looking at the mathematics of crime, says P. Jeffrey Brantingham, one of the UCLA researchers and an associate professor of anthropology at the school. For the first six years of the seven-year project, researchers focused on trying to figure out what models do a good job determining how and why crime patterns form in the way they do. Now that they’ve developed those models, the researchers are putting them into practice.

“We’re now testing these predictive analytics in the field and we launched a controlled, randomized trial in LA earlier this month,” Brantingham says.
The theory is that predictive analytics might work better on property crimes because the targets are stationary and the nature of the targets doesn’t change that much over time, he says, unlike crimes where the victims are mobile and change their behaviors.

Criminologists find it’s easier to predict these types of crimes because there are patterns regarding where and when they occur. For example, burglaries tend to be clustered in terms of time and location and the individuals committing these crimes tend to have predictable patterns–usually they commit them somewhere near their homes or near familiar locations.

Additionally, property crimes are not displaceable crimes, which means if police departments target these crimes in particular areas, the criminals won’t simply move two miles to another location.

Zach Friend, a crime analyst at the Santa Cruz Police Department, says his department is the “operational test case agency” for the system, although Santa Cruz didn’t set its program up as a controlled experiment, as did the LAPD.

“What [the researchers] did before was just test crime data, but we were actually willing to test it in the field,” he says.

Friend says data from the department’s records management system is fed into the computer program on a daily basis, and then transferred to Microsoft Excel software where it’s cleaned, ordered and geocoded. Next, the data is combined with a master Excel database of all pertinent crimes for the past seven years and run through the UCLA algorithm.

Hotspots on Google Maps

“We recalibrate on a daily basis and the algorithm produces 10 Google hotspot maps every day of approximately 500 feet by 500 feet where burglary or vehicle theft is likely to occur in our city on that day,” he says.

Officers are given the hotspot maps at roll call. The officers check those areas during their “free” patrol times, when they’re not obligated on other calls, and they document their activities for tracking purposes. Because the city of Santa Cruz is only 13 square miles, the hotspot maps significantly reduce the area that officers need to patrol.

“Law enforcement in the past has taken a reactive approach to enforcement–if crime occurs in one place you need to go to that place,” Friend says. “This is breaking that mold. You don’t necessarily have to go there. Maybe it will send you to a separate location to prevent the next crime from occurring.”

The point of predictive policing is not to make arrests but rather to reduce the numbers of the targeted crimes from happening in the first place. And it seems to be working in Santa Cruz.

“In the first month, July 2011, the only variable we introduced was the application of this model and there was a 27 percent reduction year-over- year of the targeted crime types, because there was a police presence in the area where maybe there wouldn’t have been a police presence at all,” Friend says.

The SCPD just finished it’s three-month analysis of the algorithm and the department learned a couple things: There isn’t enough crime in Santa Cruz to make a definitive statement about causality, but there was a correlation between the number of extra checks the officers ran in the hotspot areas and a reduction in the crime types the department was targeting.

Accurate Predictions

“So for every extra 50 checks we ran in the city per week we found a two percentage-point decrease in the targeted crime types,” Friend says. “The predictions [based on the algorithm] where crimes will occur are 10 times more accurate than if you let an officer go where he wants to go.”

Malinowski isn’t impressed with the Santa Cruz department’s methodology.

“Santa Cruz will have a difficult time making a scientific claim that the [computer] forecast contributed to a reduction in crime, because I think they had very little in the way of crime analysis before,” he says. “And they didn’t set it up as an experiment. It takes a little more time and effort to do it the way we’re going to do it.”

Malinowski, who explains that his station is the only one in the LAPD currently engaged in the experiment, wants to be able to tell his counterparts at other LAPD stations that he went strictly by the computer forecast and realized, say, an additional 2 percent, 3 percent or 4 percent reduction in property crimes.

“We’re experimenting and we’ll see how it goes and if it will answer the questions: ‘Does the forecast add value to the process of assigning missions for patrol?’ and ‘Will it give us some information on how many officers we need in a certain part of our jurisdiction and for how long?’ and ‘Will it make an impact on property crime in a certain very small geographic space like a block?’ We’re going to be collecting data as well so we’ll be able to track that,” he says.

Malinowski says LAPD Chief Charlie Beck as well as former LAPD Chief William Bratton both support using predictive analytics to inform the department’s decision-making in fighting crime because they know that it’s getting harder and harder to slash crime rates.

Crime is down so dramatically in the Foothills “that we’re victims of our own success in some way,” he says. “Take burglary of a motor vehicle: [We're] down 25 percent year-to-date, so what else can I do? I’ve pretty much exhausted my arsenal, so if I want to eek out a couple more percentage points, then it looks like I have to use the data to do that.”

Malinowski says at some point he may think about using a commercial product, but for now the easiest thing to do is work with the UCLA researchers because they come with their own government funding–and unlike the vendors he’s talked to who are in it for the profit, the researchers’ motives are “more pure.”

It’s a win-win, he says. “We give the researchers the data and we’re a real-world laboratory for the researchers [and it doesn't cost us anything].”
But there may be a small downside. Malinowski acknowledges that the patrol officers who are assigned to do crime analysis worry that they’ll be replaced by the new system.

“It’s difficult for people to get their heads around the fact that the computer could generate these specific geographic locations where crimes are most likely to occur,” he says. “And it’s hard because they feel there’s a lot of special knowledge that they can bring to the forecast that the computer can’t.”

But the bottom line for Malinowski is to deny the criminal the opportunity to commit the crime he intended to commit. “He doesn’t get arrested and we don’t spend time booking him,” the commanding officer says, “and someone doesn’t get his laptop stolen out of his car.”

NOTA: Matéria indicada por José Andersen
Fontes:
http://www.computerworld.com.pt/2011/11/17/previsao-analitica-ajuda-policia-no-crime-antes-que-aconteca/
http://policialdofuturobsb.wordpress.com/2011/02/20/policiamento-preditivo/la-me-predict/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

HISTÓRIA - SÃO LUIZ GONZAGA/RS (1985)


HISTÓRICO DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO EM SÃO LUIZ GONZAGA/RS

1. DATA: 14 de abril de 1985
2. LOCAL : São Luiz Gonzaga/RS

3. RECURSOS UTILIZADOS :

- Para o policiamento comunitário a pé: Um Sargento e Oito (08) Soldados PM;
- Para o policiamento escolar: Quatro (04) Soldados PM e uma motocicleta (CHIPS);
- Para o policiamento motorizado: Uma viatura fixa no centro, duas viaturas no patrulhamento da cidade. Cada uma com uma guarnição de dois policiais nas 24 horas do dia.
- Para o policiamento montado: Três (03) policiais e três (03) eqüinos.

4. INTRODUÇÃO

Em 1985, tínhamos o fascínio pelo que diziam dos KOBANS, uma verdadeira base da atividade policial, em que o policial trabalhava sempre ao lado dos cidadãos, lidando com toda a sorte de problemas e eram chamados carinhosamente pela comunidade de “KEISATSU’, eis que cuidavam sempre da mesma área de policiamento. Realizavam entrevistas pessoais nas residências e escritórios onde ouviam as sugestões e se inteiravam dos problemas, ansiedades e preocupações, e mantinham na central de policia uma sala de consulta aos cidadãos para registrar as informações recebidas. Os KOBANs eram considerados a verdadeira origem da policia japonesa pelo relacionamento afetivo com a comunidade. E o mais interessante é que as esposas dos policiais ajudam fazendo contato com a comunidade e na conservação do posto policial. Muitos procedimentos do KOBAN podem ser adaptados para a realidade da policia militar brasileira , basta vontade e continuidade, que é ainda a nossa maior deficiência e fator de desconfiança da comunidade com nossos programas e estratégias.

5. IMPLANTAÇÃO DO POLICIAMENTO

No dia 14 de abril de 1985, foi instalado um posto de policiamento comunitário no centro da cidade de São Luiz Gonzaga, divulgado pelo Jornal ‘A Notícia” no mesmo dia - “14° BPM implanta aqui serviço pioneiro no Estado: o policiamento de quarteirões.” Na época, o Comandante éra o Ten Cel Clovis Mamedes da Silva de Lima, que apoiou a idéia e ainda promoveu palestras em todos os municípios da OPM para difundir a filosofia de relacionamento e aproximação comunitária.

Na execução do policiamento pela 1° Cia do 14° BPM foram utilizados os processos a pé, motorizado e montado. O patrulhamento a pé no centro da cidade ficava apoiado por três viaturas de radio-patrulhamento , sendo que uma ficava fixa na Praça Central do município. O policiamento escolar era feito por quatro policiais militares, sendo que um deles utilizava uma motocicleta para deslocar para aquelas escolas que não tinham o policiamento fixo. O patrulhamento montado percorria os bairros. No planejamento deste trabalho foi fixado o mês de novembro como meta para instalar policiais nos bairros quando se pretendia reunir os Moradores de cada Bairro. Sabia-se que a medida que fossem instalados novos postos, os recursos humanos se tornariam escassos e para isto pedia-se informações à comunidade.

O 14° BPM possuía, como cortesia, uma coluna no jornal “A Notícia” onde buscava-se esclarecer a comunidade e informar sobre as atividades da Unidade. Antes de instalar o primeiro posto de policiamento de quarteirão , foram reunidos dados sobre a cidade de São Luiz Gonzaga e verificado que o ponto estratégico mais importante da cidade era formado por oito quadras onde ficava os Estabelecimentos Comerciais, o único Jornal da cidade, a Prefeitura Municipal, a única Rádio , o Hotel principal e o maior Supermercado da época.

Depois de levantado o local onde seria instalado o posto de policiamento de quarteirão, foi convocada a comunidade do local para uma reunião no quartel do 14° BPM , quando foi realizada uma palestra pelo então Ten JORGE LUIZ PAZ BENGOCHEA juntamente com o Sgt BELMONTE , nomeado Comandante do grupo do 1° Posto de Policiamento de Quarteirão de São Luiz Gonzaga (um embrião para os próximos a serem instalados), sendo apresentados os policiais militares que integrariam o projeto e também o plano de trabalho que seria desenvolvido.

Após esta reunião, os policiais militares realizaram uma visitação em cada residência e empresa instalada no local, anotando os dados referentes a nome do proprietário, número de pessoas residentes, veículos utilizados, problemas enfrentados, e outros dados que foram catalogados num livro posto, com a numeração da residência. Cada policial militar teve a oportunidade de conversar com os moradores e proprietários de empresas, tornando-se conhecido, ocorrendo um envolvimento e comprometimento tanto dos policiais como também das pessoas da comunidade.

Para o policiamento escolar, adotamos o patrulhamento de motocicleta que incorporou o apelido dado pelos alunos: Chips (do seriado americano). Esta denominação aproximou ainda mais os policiais das comunidades escolares.

Após um mês de trabalho, os moradores foram novamente convocados para uma reunião de avaliação , quando verificou-se que havia já uma certa cumplicidade natural entre policiais e moradores e indícios de um relacionamento amistoso que transpirava confiança. 

Infelizmente, na Instituição existe o processo da falta de continuidade em que as pessoas envolvidas são transferidas e muda-se o que já está feito, não importando as conseqüências para a comunidade e para os policias militares que se comprometeram com o projeto.

O projeto não durou muito e foi extinto, voltando-se a fazer o policiamento normal , prejudicando a nossa aproximação com o futuro, muito antes de Lee Brown realizar o seu famoso relatório de 1991 , criando as estratégias do policiamento comunitário, mais tarde adotado pelo prefeito de Nova York Rudolph Giuliani e que conquistou tanto o respeito da comunidade americana.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O POLICIAL COMUNITÁRIO E RELAÇÕES PÚBLICAS



BM Polícia Comunitária Relações Públicas Policial Comunitário - GELSON VINADÉ, 11/06/2009

Manual de Relações Públicas editado e adotado pela Brigada Gaúcha em maio de 1982. Reposiciona idéias e modifica paradigmas. Considera o cidadão um cliente cujo foco deve merecer as atenções da Polícia. Apresenta o Policial Comunitário como alternativa para otimizar e customizar os recursos comunitários e mobilizar seus integrantes no combate à criminalidade. Apresenta a Polícia como um dos atores desse processo, não o único. Na época, o entendimento reinante era de que segurança pública era somente de responsabilidade dos órgãos policiais.

O conceito de cliente foi incorporado à cultura brigadiana, forçando a mudança de paradigmas e a repensar a razão de existir da polícia. O centro de atenções deve ser o cidadão, tudo deve ser planejado e pensado em sua função. Os órgãos policiais devem subordinar-se aos interesses comunitários e, esta, deve ser parceira e co-gestora nesse processo.

Na época o foco não era a comunidade como um todo, até mesmo como decorrência do momento vivido e da forte cultura militar reinante em detrimento da policial.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

CAEM HOMICÍDIOS NOS TERRITÓRIOS DA PAZ GAÚCHOS

Territórios da Paz: caem homicídios - CORREIO DO POVO, 26/01/2012

Desde a implementação do projeto Territórios da Paz, em setembro de 2011, em quatro bairros da Capital, o número de homicídios caiu 35%.

A informação foi dada pelo secretário adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro, durante a 4 Reunião de Avaliação das Ações nos Territórios de Paz, ontem. Segundo ele, antes da ação nos bairros Rubem Berta, Restinga, Lomba do Pinheiro e Santa Tereza, a Capital representava 25% dos casos de homicídios registrados no RS, e o percentual caiu para 18,97%.

Participaram do ato o comandante-geral da BM, coronel Sérgio Abreu, e o secretário de Segurança Pública e Cidadania de Canoas, Alberto Kopittke.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CRIADO NO VIDIGAL, SUBCOMANDANTE DA UPP QUER POR "ORDEM NA CASA"


Tenente Jairo Dantas, ou Jairinho, como é conhecido, morou na comunidade há cinco anos - Gustavo Goulart - O GLOBO, 19/01/12 - 23h50


RIO - A visão do esverdeado gramado sintético do campo de futebol de Sobradinho, localidade situada no ponto mais alto do Morro do Vidigal, encheu os olhos do tenente Jairo Dantas, ou melhor, o Jairinho, como é conhecido na comunidade o subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira. Quando ele morava lá, há cinco anos, o campo era de terra batida, mas não impedia o corre-corre com os pés descalços, os dribles, os chutes a gol, e a comemoração no final, com um grande churrasco entre amigos. A vida tem dessas coisas. Nascido e criado no morro, o hoje oficial foi embora da comunidade descontente com a violência do tráfico. Durante mais de um tiroteio, Dantas viu sua família se arrastar pelo chão para se esconder de balas perdidas no banheiro da casa. Foi a gota d’água. E ele disse para a mulher e para os amigos. "Vou embora agora para voltar depois e pôr ordem na casa."

— Eu prometi e estou cumprindo. Um amigo que tenho na favela me telefonou e lembrou da promessa. Hoje, meu pai, meus três irmãos, meus amigos, minha mulher e minhas duas filhas estão orgulhosos de mim — contou.

Dantas voltou e, como conhece bem as entranhas da comunidade, tem tido sucesso no planejamento das rondas dos 246 policiais militares lotados na UPP. O tenente ingressou na Academia da Polícia Militar em 2007 e foi influenciado nessa escolha por um dos irmãos, que é soldado da PM.

A educação rigorosa dos pais paraibanos, religiosos e trabalhadores afastou os quatro filhos de más companhias e de hábitos insalubres. Eles viram amigos se envolverem com o tráfico de drogas e desaparecerem.

— Meus pais eram rigorosos. Hoje, agradeço a eles. Mas lamento que muitos dos meus amigos não tenham seguido o caminho do bem. Certa vez, com 17 anos, soube que um amigo que frequentava a minha casa tinha passado para o outro lado. Fui atrás dele e passei o maior sabão: "tome vergonha na cara. Vá para casa". Ele me garantiu que ia, mas no dia seguinte foi morto durante uma troca de tiros na mata atrás do Sobradinho — contou o tenente, para quem seu retorno será completo apenas quando ele pisar novamente no campo de futebol para disputar uma pelada.

Vidigal, em paz, espera agora a ordem. Carros e barracas ocupam calçadas e caminhões descarregam a qualquer hora. Gustavo Goulart - o globo, 20/01/12 - 0h32

RIO - Deve ser difícil viver num lugar com uma das vistas mais bonitas da cidade — o mar à frente e a Mata Atlântica nos fundos —, um comércio abundante e, agora, segurança 24 horas. E é. O Morro do Vidigal pode ser considerado a Zona Sul das favelas cariocas, mas, embora tenha as qualidades acima, está longe de ser um ambiente ordeiro. Com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira, a favela agora clama por uma faxina geral, um choque de ordem que ponha as coisas nos seus devidos lugares. A começar pelo trânsito, que é caótico.

Carros estacionados nas curvas atrapalham tráfego

Para chegar, por exemplo, à localidade de Sobradinho, no topo do morro, onde foi inaugurada a UPP, autoridades e convidados chegaram a demorar até uma hora, usando a única via de acesso, a Avenida Presidente João Goulart. Na quinta-feira, O GLOBO voltou à favela e constatou que o desrespeito à lei faz parte do cotidiano da comunidade.

Os carros são estacionados de qualquer maneira, inclusive nas inúmeras curvas que levam ao Sobradinho. Não há garagens e, com o aumento do poder aquisitivo, mais veículos chegam à comunidade. Quem adquire o seu automóvel insiste em estacioná-lo em frente à sua casa. Mesmo se, do outro lado da rua, já houver outro estacionado. Para dar conta da falta de garagens, muita gente privatizou as poucas calçadas existentes: barras de ferro com cadeados são vistas em vários locais da favela, até mesmo ao lado da sede da UPP. Dessa forma, motoristas garantem suas vagas e jogam os pedestres para a rua, apesar do tráfego perigoso.

— Está uma bagunça danada. Em toda a favela, há barras de ferro nas calçadas garantindo estacionamento para carros. E os pedestres, principalmente idosos, crianças e gestantes, ficam expostos ao risco de ser atropelados por uma motocicleta ou por carros e caminhões — reclama o presidente da Associação de Moradores do Vidigal, Wanderley Ferreira.

Também não há horário estabelecido para carga e descarga no comércio local. É comum encontrar um caminhão no meio da Avenida Presidente João Goulart, como quinta-feira.

— E isso prejudica o acesso do caminhão da Comlurb, causando a sobrecarga das caçambas de lixo — disse Wanderley.

Equipe de secretaria será enviada ao local

Comerciantes construíram barracas no meio da calçada e impedem a circulação de pedestres. No acesso à favela, mesas e cadeiras são colocadas na rua por comerciantes.

O secretário municipal da Ordem Pública (Seop), Alex Costa, garantiu na quinta-feira que vai enviar equipes ao Vidigal para elaborar um diagnóstico do que será preciso fazer nas futuras operações de choque de ordem na comunidade.