O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PRINCÍPIO DA PERMANÊNCIA - 100 MIL POLICIAIS PARA O POLICIAMENTO COMUNITÁRIO NOS EUA.



Esta notícia abaixo é de 10 anos atrás, mas é boa para lembrar que a aplicação da estratégia de policiamento comunitário depende de um bom número de policiais para fixar o policiamento permanente no bairro onde prestará serviços aproximados da comunidade local. Não se pode bradar a bandeiro do policiamento comunitário sem efetivos policiais capazes de fixar a presença ostensiva no local onde se compromete a preservar a segurança pública. Policiamento Comunitário não se faz com "blitz" , operações relampagos, ações midiáticas, emprego de contenção, planos em papel, manchetes em jornal ou com discurso. Policiamento Comunitário se faz com presença constante nas ruas, patrulhamento 24 horas, atendimento rápido e diálogo constante.

No Brasil, as iniciativas são isoladas, superificiais ou visionárias sem qualquer base sólida capaz de fortificar a estratégia, comprometer os policiais com os locais de trabalho, consolidar a confiança do cidadão e manter a continuidade da estratégia independente da política partidária que estiver norteando o governo da hora. São pouco os policiais, as áreas de trabalho são muito amplas e a prioridade é dada à contenção dos delitos através do patrulhamento motorizado, onde o contato com o cidadão é apenas na ocorrência.

Noticias e Informações

100 mil policiais para o policiamento comunitário - 28 de Março de 2000 20:21."O Policial Digital"/O Editor

Programa COPS(*): "Community Oriented Policing Services" (Serviços Policiais Orientados para a Comunidade)- abreviatura com a palavra cop, expressão de gíria usada para designar policiais nos EUA.

Sobre o 'COPS: Reconstruindo os Laços entre a Cidadania e o Governo

Cidades e condados norte-americanos estão adotando o policiamento comunitário. O policiamento comunitário é uma estratégia montada sobre princípios básicos, tendo como ênfase à prevenção criminal e a descoberta de soluções duradouras para os problemas dessa área.

O policiamento comunitário reduz a criminalidade e o medo, ao mesmo tempo em que restaura o clima de ordem da comunidade. Mas ele também pode reconstituir o elo entre a cidadania e o governo. Policiais, na condição de servidores públicos que interagem com a cidadania diariamente, tem uma oportunidade única de mostrar a importância do envolvimento da cidadania com a comunidade. Por outro lado, isso permite que os policiais constatem, em termos práticos, que sua autoridade e efetividade estão diretamente relacionadas ao apoio que eles recebem dos cidadãos. Quando implementado, o policiamento comunitário é uma das maiores materializações da democracia.

A Lei de Controle de Crimes Violentos e Fiscalização Policial de 1994 autoriza o financiamento de programas de policiamento comunitário e acrescenta recursos adicionais para a contratação de 100.000 policiais para as atividades de policiamento comunitário dos EUA. O Departamento de Justiça dos EUA (equivalente ao Ministério da Justiça do Brasil) criou o Bureau de Serviços Policiais Comunitários (COPS) para tratar dessa atividade especifica.

No dia 12 de maio de 1999 o Departamento de Justiça e o COPS chegaram a uma 'medida histórica, ' implementando a contratação adicional de 100.000 policiais comunitários com verbas menores do que fora originalmente planejado e antes do cronograma previsto.

A Polícia Comunitária no Japão: Uma Visão Brasileira


A Polícia Comunitária no Japão: Uma Visão Brasileira - por Miguel Libório Cavalcante Neto

Numa sociedade democrática, a responsabilidade pela manutenção da Paz e a observância da Lei da Comunidade, não é somente da Polícia. É necessário uma polícia bem treinada, mas o seu papel é o de complementar e ajudar os esforços da comunidade, não de substituí-los. Patrick V. Murphy

Possuindo características de um Estado moderno, com um alto grau de participação social, muito diferente do modelo brasileiro, o Japão possui um sistema de policiamento fardado baseado na estrutura da Polícia Nacional Japonesa. Desenvolve um dos processos mais antigos de policiamento comunitário no mundo (criado em 1879), montado numa ampla rede de postos policiais, num total de 15.000 em todo o país, denominados KOBANS E CHUZAISHOS.

A estrutura básica voltada à prevenção do crime tem seu alicerce de sustentação focado no policiamento comunitário fardado da Polícia Nacional do Japão, através do qual a vida pacífica e calma da comunidade é mantida pelo sistema “Koban”, montada numa ampla rede de postos policiais, num total superior a 15.000 em todo o país. Só na cidade de Tóquio tem aproximadamente 1000 “Kobans” e 240 “Chuzaishos”.
O Chuzaisho localiza-se normalmente nos bairros residenciais e conta atualmente com mais de 8.500 postos nesta modalidade; É uma casa que serve de posto policial 24 horas, onde o policial reside com seus familiares, e na sua ausência a esposa atende aqueles que procuram o posto. O Koban, por sua vez, localiza-se normalmente nos locais onde haja grande fluxo de pessoas, como zonas comerciais, turísticas, de serviço, próximo às estações de metrô, etc., sendo que, nesse tipo de posto trabalham equipes compostas por 03 ou mais policiais, conforme o fluxo de pessoas na área delimitada como circunscrição do posto, funcionando 24 horas por dia, existindo atualmente mais de 6.500 Kobans em todo o país.

POLICIAL COMUNITÁRIO NO JAPÃO

Para se ter uma avaliação da importância dada ao sistema de policiamento comunitário fardado no Japão, a partir de 1998 o efetivo policial passou a contar com 263.600 pessoas , sendo:

- Agencia Nacional de Polícia com 7.600 pessoas (1.400 policiais; 900 Guardas Imperial e 5.300 funcionários civis).

- 47 Províncias ( como se fossem Estados ) com 256.000 pessoas (226.000 policiais e 30.000 funcionários civis).

Dos 226.000 policiais, cerca de 40% estão destinados ao policiamento comunitário fardado, sendo que, destes, 65% estão prestando serviços nos Kobans e Chuzaishos, 20% no policiamento motorizado e 15% no serviço administrativo do Sistema, incluindo o staff de comando, sistema de atendimento e despacho de viaturas para ocorrências e comunicação como um todo.

O POLICIAL JAPONÊS


O Policial japonês através de suas atitudes demonstra claramente sua formação cultural, ou seja, extremamente educado, polido e disciplinado, cumprindo integralmente suas obrigações com determinação e zelo. Possuindo, no mínimo, formação de 2º grau e até mesmo universitária, sentindo-se perfeitamente à vontade quando da utilização dos mais avançados recursos tecnológicos, na área de comunicações e informática, o que aliado a sua formação técnica policial lhe possibilita alcançar resultados positivos em seu serviço, agindo na maior parte das vezes isoladamente.

O Juramento do Policial - "Como membro da Polícia, eu aqui prometo:

- Servir a nação e a sociedade com orgulho e um firme sentido de missão. Prestar o devido respeito aos direitos humanos e realizar minhas obrigações com justiça e gentileza. Manter estreita disciplina e trabalhar com o máximo de cooperação. Desenvolver meu caráter e a capacidade para minha auto-realização. Manter uma vida honesta e estável.

O POLICIAL COMUNITÁRIO

O Policiamento Comunitário é o centro das atividades policiais de segurança no Japão. Como já foi exposto 40% do efetivo da polícia é destinado ao Policiamento Comunitário. Os outros 60% estão exercendo suas funções em atividades administrativas, investigações criminais, segurança interna, escolas, bombeiros, trânsito, informações e comunicações bem como para a Guarda Imperial.
A importância dada ao Policiamento Comunitário pela Polícia Japonesa a qual é seguida à risca, se deve a algumas premissas tidas como imprescindíveis:

a) a impossibilidade de investigar todos os crimes pressupõe um investimento de recursos na prevenção de crimes e acidentes, para aumentar a confiança da população nas leis e na polícia.

b) impedir o acontecimento de crimes e acidentes é muito mais importante do que prender criminosos e socorrer vítimas acidentadas.

c) a polícia deve ser levada aonde está o problema, para manter uma resposta imediata e efetiva aos incidentes criminosos individuais e às emergências, com o objetivo de explorar novas iniciativas preventivas, visando a resolução do problema antes de que eles ocorram ou se tornem graves. Para tanto descentralizar é a solução, sendo que os maiores e melhores recursos da polícia devem estar alocados na linha de frente dos acontecimentos.

d) as atividades junto às diversas comunidades e o estreitamento de relações polícia e comunidade, além de incutir no policial a certeza de ser um “mini-chefe” de polícia descentralizado em patrulhamento constante, gozando de autonomia e liberdade de trabalhar como solucionador dos problemas da comunidade, também é a garantia de segurança e paz para a comunidade e para o seu próprio trabalho.

POLICIAIS DE UM KOBAN NO PATRULHAMENTO, VISITAS ROTINEIRAS A RESIDENCIAS, ATIVIDADES COMUNITÁRIAS E REUNIÕES COM A COMUNIDADE

Seguindo estas idéias básicas, a Polícia Japonesa descentralizou territorialmente sua bases de segurança em mais de 15.000 bases comunitárias de segurança, denominados Koban ou Chuzaisho, funcionando nas 24 horas do dia.
Os Kobans e os Chuzaishos são construídos pelas prefeituras das cidades onde estão localizados, responsabilizando-se também pela manutenção do prédio, pagamento da água, luz, gás, etc. O critério para sua instalação e localização é puramente técnico e é estabelecido pela Polícia de tal forma que garanta o atendimento cuidadoso e atencioso às pessoas que procurem a polícia. Estes postos policiais ( Kobans e Chuzaishos ) estão subordinados aos “Police Stations”.

Chuzaisho: Instalação e Funcionamento

O policial é instalado numa casa, juntamente com sua família. Esta casa, fornecida pela Prefeitura, é considerada um posto policial, existindo mais de 8.500 em todo o Japão; cada Chuzaisho está vinculado diretamente a um “Police Station”( Cia ) do distrito policial onde atua.

O policial trabalha no horário de expediente, executando suas rondas fardado. Na ausência do policial, sua esposa auxiliará em suas atividades, atendendo ao rádio, telefone, telex e as pessoas, sem que, para isso, seja considerada funcionária do Estado, mas essa sua atividade possibilita ao marido policial o recebimento de uma vantagem salarial. Quanto aos gastos com energia, água, gás e a manutenção do prédio ficam a cargo da prefeitura da cidade onde o posto esta localizado.

Koban : Instalação e Funcionamento

Os Kobans, em número superior a 6.500 em todo o Japão, estão instalados em áreas de maior necessidade policial (critério técnico). Os Kobans são construídos em dimensões racionais, em dois ou mais pavimentos, com uma sala para o atendimento ao público, com todos os recursos de comunicações e informática, além de compartimentos destinados ao alojamento ( com camas e armários), cozinha, dispensa e depósito de materiais de escritório, segurança, primeiros socorros, etc.

No Koban, trabalham equipes compostas por 03 ou mais policiais, conforme seu grau de importância, cobrindo as 24 horas do dia em sistema de rodízio por turnos de 08, 12 ou até mesmo 24 horas, o que é mais comum.

No interior de um Koban há sempre uma equipe de um ou dois policiais para atendimento ao público e atender ao rádio e ao telefax; os demais desenvolvem atividades de patrulhamento a pé, de bicicleta ou mesmo motocicletas, e é responsável por uma pequena área e pelas visitas comunitárias, através das quais sabem o número de residências, comércios, estrangeiros residentes, enfim um controle detalhado daquela pequena área, uma vez que o controle das ocorrências é de responsabilidade dos integrantes daquele Koban.

Para todas as atividades desenvolvidas em um Koban, há horários específicos para o seu cumprimento, como por exemplo horários para o patrulhamento, entrevistas com a comunidade, preenchimento de relatórios policiais, refeições e descanso no próprio Koban.

Há também reuniões com a comunidade, chamados conselhos comunitários (similar aos Conselhos Comunitários de Segurança - CONSEGs), os quais se reúnem de 2 a 3 vezes por ano, isto porque, enquanto um ou mais problemas apresentados pela comunidade não forem solucionados, não se discute novos problemas, para evitar que um problema se acumule sobre outro e não se resolva nenhum.

Existem cerca de 2000, policiais aposentados ou ex-políciais (exonerados a pedido) contratados para trabalhar como atendente nos Kobans. Eles trabalham 30 horas semanais recebendo o salário através de verba repassada pelo Governo Federal às Policiais Provinciais.

Quanto ao tempo de permanência de um policial comunitário em um mesmo Koban, este pode variar de 2 a 5 anos, mas é extremamente importante o tempo mínimo de permanência, para que haja efetivamente o engajamento do policial num determinado setor específico da comunidade, criando uma relação de pertinência, em caráter de longo prazo, uma vez que pelos conhecimentos que possui do bairro e das pessoas que nele vivem ou trabalham pode ser o catalisador para o desenvolvimento de soluções criativas que não se concentre especificamente em prender delinqüentes, pois só assim, o policial pode reduzir o crime e ir ao encontro das necessidades apropriadas da comunidade, sendo conhecido e respeitado pelas suas atitudes.

Cada Koban é comandado por um “Assistant Police Inspector” ou por um “Police Sergeant”, conforme sua importância, e cada equipe é comandada pelo mais antigo de polícia da guarnição, ou mais o graduado no respectivo turno.

Os Kobans se ligam diretamente aos “Police Station” deles recebendo as determinações e acionamentos necessários ou para eles encaminhando as ocorrências não resolvidas nos locais, bem como condução das partes.

As atividades num Koban é intensa e existe uma rotina estabelecida, que varia de dia para dia e de acordo com a situação.

- atendimento às pessoas;
- recebimento e transmissão de mensagens;
- preenchimento de relatórios de serviço;
- faxina e manutenção do material;
- patrulhamento a pé, de bicicleta ou motocicleta nas áreas abrangidas pelo Koban;
- visitas às residências, casas comerciais e escritórios de serviço;
- visitas a pessoas idosas, escolas, etc.

KOBANS - Polícia do Brasil e Japão dão curso em São Paulo


Polícia do Brasil e Japão dão curso em São Paulo - Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça.

Teve início nesta segunda-feira (16/8) um curso sobre policiamento comunitário com a participação de policiais de onze estados. Eles participarão das aulas ministradas por profissionais do Japão e da Polícia Militar de São Paulo.

Até o próximo dia 27, os 40 participantes do Curso Internacional de Polícia Comunitária irão conhecer o sistema de bases comunitárias Koban (Japão) e o trabalho já desenvolvido pela polícia paulista — pioneira no intercâmbio de conhecimento com os japoneses.

Participam das aulas policiais do Acre, Pará, Alagoas, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Este será a última edição do curso em 2010. Outras três edições já estão previstas para o próximo ano.

Com essa iniciativa, a Senasp espera capacitar agentes de segurança (oficiais, tenentes e capitães) de 11 estados para difundir e replicar essa filosofia de trabalho, principalmente nas regiões atendidas pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

A indução dessa política já apresenta os primeiros resultados. Há oficiais treinados nesse curso que comandam Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) no Rio de Janeiro, Bases Comunitárias no Pará, coordenam trabalhos em Minas Gerais e reestruturam a Polícia Interativa no Espírito Santo. No Distrito Federal, também estão implementando o que aprenderam nos Postos Comunitários de Segurança.

O treinamento é organizado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), pelo Ministério da Justiça, pela Agência Internacional de Cooperação do Japão (Jiica), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e pela PM.
O curso funcionará na Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), na zona norte de São Paulo, e tem programado várias visitas às bases comunitárias de segurança do estado.

Os estados, ao acordarem com a Senasp para participarem do projeto, se comprometeram a criar coordenações de Polícia Comunitária nas estruturas da SSP ou da Polícia Militar com o objetivo de implementar ou ampliar suas ações de Polícia Comunitária, ou seja, aquelas de prevenção primária da violência. Esse mesmo curso já capacitou cerca de 280 oficiais em sete edições.

Também pelo acordo, já receberam treinamento no Japão dois oficiais de cada estado envolvido no projeto. “A complementação do curso é muito importante para o aprimoramento dos conhecimentos e futura difusão desses nos estados de origem. Com essa parceria houve grande aproximação dos policiais dos diversos estados envolvidos que trocam experiências”, explicou o coordenador de Polícia Comunitária da Senasp, Cristiano Guedes.

O Japão acumula experiência de 130 anos em policiamento comunitário. As atividades são colocadas em prática por meio de postos policiais menores (Kobans) e maiores (Chuzaisho). Em 2002, existiam 6,5 mil kobans e 8,1 mil chuzaishos com 8,4 mil policiais (40% da força policial do país atuando principalmente, na prevenção).





Com informações do Cel Mamedes por email. obrigado!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

PACIFICAÇÃO - População apela à UPP para resolver problemas cotidianos


Além do policiamento. População apela à UPP para resolver problemas cotidianos - oO GLOBO, 14/06/2010 às 22h48m; Vera Araújo

RIO - Um reservatório de água do Morro da Babilônia, no Leme, obra que os moradores aguardavam há mais de dez anos, deve ficar pronto até o fim do ano graças ao empenho da polícia. É o que conta, Percília da Silva Pereira, moradora da favela há 62 anos e líder comunitária. Ela atesta que a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no morro trouxe melhorias para a região, mas admite que não pode esperar que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, resolva tudo. O assunto foi um dos temas do evento "Rio de Encontros, Novas Perguntas e Percepções sobre a Cidade do Rio de Janeiro", nesta segunda-feira, na Casa do Saber, na Lagoa, com o objetivo de discutir os rumos das UPPs, promovido pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) e por O Instituto.

Além de Percília, participaram do debate o secretário estadual de Ação Social, Ricardo Henriques; o economista Sérgio Guimarães; a pesquisadora do CESeC Silvia Ramos; e o capitão Leonardo Nogueira, comandante da UPP do Pavão/Pavãozinho e do Cantagalo. Tanto a líder comunitária quanto o capitão Nogueira deixaram claro que os policiais das UPPs estão sobrecarregados com os pedidos dos moradores de favelas pacificadas, para atender demandas que não são ligadas à segurança, como lixo e abastecimento de energia elétrica.

- Atendemos a dezenas de solicitações. Inclusive, criei o policiamento de aproximação na comunidade, onde o policial chega desarmado para atender os moradores. Muitas vezes, não são problemas de segurança pública. Há uma sobrecarga da polícia - desabafou Nogueira.

Durante o encontro, o secretário de Ação Social, Ricardo Henriques, anunciou que o projeto de política social para as comunidades com UPPs fica pronto em julho, com metas de curto, médio e longo prazos, respeitando as características de cada comunidade, da cultura à economia. Segundo ele, embora a sua secretaria esteja centralizando as decisões, o programa envolve secretarias dos governos estadual e municipal e a iniciativa privada.

O economista Sérgio Guimarães, que integra a equipe de Henriques, ressaltou que, um dos próximos desafios será a instalação das UPPs nas favelas da Zona Norte, principalmente os complexos:

- Foi importante que as UPPs tenham entrado em áreas bem definidas, no caso, na Zona Sul. A Cidade de Deus já foi complicada, mas hoje está estruturada. A Tijuca também têm comunidades contíguas, mas o desafio está na Zona Norte. As comunidades são o que chamamos de conurbações, ou seja, onde acaba uma comunidade começa a outra. O desafio é instalar a UPP integrada à malha urbana.

Política de segurança tem o aval dos jovens
- O GLOBO, 14/06/2010 às 22h47m; Ediane Merola

RIO - Os jovens cariocas acreditam no programa de combate à violência desenvolvido pelo poder público no Rio, mas, para a maioria deles, ainda é preciso modernizar os serviços de denúncia. É o que revela um levantamento inédito feito pelo movimento O Rio Pela Paz, que desde 2004 promove campanhas e analisa temas relacionados à segurança pública. Durante a pesquisa, realizada no mês passado, foram consultados 800 estudantes cariocas, com idades entre 14 e 17 anos. As entrevistas foram feitas em frente a escolas públicas e particulares.

Os jovens tiveram que responder a três perguntas. As duas primeiras foram se acreditavam no combate à violência desenvolvido pelo poder público e se ele dará resultado: nos dois casos, 87% dos entrevistados disseram que sim.
Sociólogo diz que otimismo dos jovens é importante

Quanto ao sistema de denúncias, 12% disseram que as opções oferecidas ao cidadão são insatisfatórias, 27% afirmaram que são melhores do que o esperado e 61% disseram que é preciso modernizá-lo, acompanhando as evoluções tecnológicas.

- As ouvidorias têm que estar preparadas para receber todo tipo de mensagem. O jovem usa Twitter, Facebook... Acredito que as autoridades já estejam ligadas nisso, mas precisam ter mais profissionais capacitados para filtrar esse tipo de informação e apurar as denúncias que chegam pela internet - disse Rommel Cardozo, que preside O Rio Pela Paz.

Segundo ele, um aspecto positivo verificado no levantamento foi o otimismo entre os jovens em relação à política de segurança pública:

- Programas como as Unidades de Polícia Pacificadora e a Operação Lei Seca, que melhoram a segurança do cidadão, têm reflexo na avaliação dos jovens. Quem diria que a Cidade de Deus ficaria livre do tráfico? Que poderíamos subir o Dona Marta sem problemas? A juventude está muito antenada em tudo isso.

Para o sociólogo Michel Misse, é importante que o jovem tenha essa percepção positiva do mundo em que vive:

- Ele tem que confiar, ter esperança de que tudo dará certo. Ser otimista ajuda a dar crédito às políticas públicas, aos planos de redução de crimes.
Campanha pede sugestões sobre prédios para reformar

Diretora do ensino médio do Colégio A. Liessin e acostumada a lidar com adolescentes, Clarice Dahis diz que os jovens de hoje sabem exercitar sua consciência crítica:

- O jovem hoje participa de debates, sabe questionar. Ele escreve cartas para jornais, revistas. Ele se sente cidadão.

Nesta segunda-feira, O Rio Pela Paz lançou uma campanha para receber sugestões dos cariocas sobre prédios que estão abandonados e precisam ser revitalizados em bairros da área central da cidade. Segundo Rommel, o objetivo é montar um dossiê de todos os imóveis que foram invadidos por moradores de rua e estão em situação precária. O movimento pretende mapear prédios em lugares como Santa Teresa, São Cristóvão, Praça Onze, Lapa, Castelo, Praça Quinze e Bairro de Fátima. Sugestões podem ser enviadas para movimentooriopelapaz@gmail.com.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A POLÍCIA QUE FUNCIONA



A polícia que funciona - Zero Hora Editorial de 27/07/2010

Os resultados positivos exibidos em favelas do Rio de Janeiro contempladas pelo projeto de polícia pacificadora significam um alento para a população, que começa a conviver com uma sensação de menos insegurança, e para quem planeja estar na cidade na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. Reportagem publicada no último domingo em Zero Hora revela que nas regiões contempladas pelas primeiras nove Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), de um total de 40 previstas em quatro anos, já é mais raro encontrar bandidos armados tolhendo o direito de ir e vir dos moradores. Por isso, é preciso que os resultados sejam preservados e, assim, possam motivar também outros Estados a livrar a população do domínio do crime organizado.

Certamente, assim como em outros Estados, a corrupção persiste tanto na polícia civil como na militar do Rio de Janeiro, como evidenciaram casos recentes. Também é preciso levar em conta que criminosos desalojados de uma área pela polícia acabam forçosamente indo parar em outra, na qual os organismos de segurança estão ausentes. O aspecto positivo da experiência, porém, é o de demonstrar que é possível livrar a população do jugo dos criminosos, e em pouco tempo.

A mudança se deve tanto à presença ostensiva de policiais fardados nas ruas como a uma série de ações em favor dos cidadãos. Entre as alternativas postas em prática no Rio para dobrar o poder dos traficantes, estão as ligadas à infraestrutura, das quais o exemplo mais citado é um bondinho que transporta moradores até o topo do Morro Dona Marta. Onde antes esbarrava em traficantes armados, a comunidade encontra hoje posto de saúde, creche, biblioteca e cancha de futebol, entre outros serviços.

Iniciativas desse tipo, para a qual há recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), precisam andar rápido em Estados às voltas com insegurança, como é o caso do Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, o poder público deve ficar atento para evitar que, nas áreas retomadas pelo Estado, as forças policiais voltem a ser corrompidas pelo dinheiro do crime organizado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Policiamento Comunitário é um tipo de policiamento que pode ser considerado "a arte de policiar". Policiais que permanecem num local determinado (responsabilidade territorial) onde interagem com o cidadão, se comprometem com seus anseios e se esforçam para mediar conflitos, orientar, prevenir e reprimir delitos exercem a "arte de policiar". É justamente a responsabilidade territorial definida para grupos de policiais que estabelece este compromisso. As blitz, as ações midiáticas, as incursões de enfrentamento e o patrulhamento motorizado impessoal, de inopino e amplitude demasiada distanciam o policial do cidadão e da prevenção de delitos, distanciam o cidadão do policial e facilitam os dleitos pela ausência policial e medo do cidadão.

Mas esta arte ao longo do tempo precisa de continuidade, de ciclo completo policial, de um rígido e confiável suporte legal, de um sistema integrado e multidisciplinar de segurança e um Poder Judiciário aproximado, ágil e comprometido com as questões de ordem pública. Sem este conjunto, o esforço se torna superficial, desmoralizado pelos criminosos e desacreditado pelo cidadão que anseia por segurança.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

BRIGADA MILITAR LANÇA PATRULHAS LOCALIZADAS

SEGURANÇA EM PORTO ALEGRE. BM lança patrulhas especiais no Centro - ZERO HORA, 15 de julho de 2010

Quatro duplas de PMs irão policiar ruas e avenidas centrais de Porto Alegre com o objetivo de prevenir ataques a bancos e a lojas, combater o comércio ilegal e reprimir o transporte irregular de passageiros. A principal mudança proposta pela Brigada Militar diz respeito à área de atuação dos policiais envolvidos no projeto, que será mais restrita, e ao tipo de relacionamento que eles manterão com a população.

– A comunidade saberá o nome e o celular das duplas que farão patrulhas direcionadas. Não será preciso ligar para o 190 – diz o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Maciel da Silva.

Os PMs, escolhidos entre os mais antigos que atuam na região, farão rondas a pé. Conforme o tenente-coronel Maciel, a iniciativa integra o projeto Patrulha Cidadã, que visa a qualificar a BM para a Copa de 2014.

Cada uma das patrulhas do Centro terá um nome:


- Bancária: fará ronda nas imediações das 75 agências e postos bancários)

- Comercial: acompanhará os cerca de 8 mil pontos comerciais da região)

- Smic: atuará em parceria com fiscais da secretaria da Produção, Indústria e Comércio)

- Metroplan (pretende reprimir o transporte irregular).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

TERRITÓRIO DA PAZ É PROMESSA DE PAPEL NO RS

PROMESSA DE PAPEL - Zero Hora Editorial de 28/06/2010

Anunciadas como uma alternativa para a redução da criminalidade no Estado, as ações integrantes do chamado Território da Paz esbarraram numa série de entraves e ainda não saíram do papel. O caso mais preocupante é o da Praça da Juventude lançada no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que se comprometeu em voltar ao local um ano depois para ver se a promessa havia sido cumprida. Um ano se passou e a obra segue enredada em problemas que vão da burocracia à falta de comprometimento e até mesmo divergências políticas entre os governos municipal e federal. Perde a sociedade, que apostou nessa alternativa de lazer como uma forma importante de afastar os jovens da criminalidade.

Como outras ações também avançaram pouco na Capital – caso do Projeto de Proteção dos Jovens em Território Vulnerável (Protejo) e do Mulheres da Paz –, a população deve ficar atenta às razões reais do atraso. O inadmissível, no caso, é que as explicações se devam a motivos que não poderiam, em hipótese alguma, se sobrepor aos interesses da população num assunto de tal importância.

Segurança pública é uma área que, embora seja de responsabilidade dos governos estaduais, precisa ser garantida com os esforços de todas as instâncias da federação. Um dos méritos do Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci) é justamente o de estimular esse tipo de integração, acima de diferenças de ordem política ou administrativa.

Assim como em Porto Alegre, em outras cidades populosas do Estado as ações relacionadas ao Território da Paz também têm andado lentamente. Por mais irritante que seja a demora e as causas alegadas, a sociedade precisa continuar vigilante, até que os projetos saiam de fato do papel.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É uma pena que esta idéia seja utilizada de forma isolada e como bandeira partidária. É uma boa estratégia que será detonada assim que trocar o partido do governo. É isolada devido a não ter suporte de emergência para as ações e nem envolvimento do Judiciário, do MP, da Defensoria, do setor Prisional, da Saúde e da Educação. A visão de pacificação é focada apenas nas forças policiais que são colocadas em locais de risco sem as precauções para proteger os moradores. Os resultados são o número de vitimas inocentes e o bandido só trocando de lugar.