O Policiamento Comunitário ou de Proximidade é um tipo de policiamento ostensivo que emprega efetivos e estratégias de aproximação, ação de presença, permanência, envolvimento com as questões locais, comprometimento com o local de trabalho e relações com as comunidades, objetivando a garantia da lei, o exercício da função essencial à justiça e a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do do patrimônio. A Confiança Mútua é o elo entre cidadão e policial, entre a comunidade e a força policial, entre a população e o Estado.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

BRIGADA MILITAR LANÇA PATRULHAS LOCALIZADAS

SEGURANÇA EM PORTO ALEGRE. BM lança patrulhas especiais no Centro - ZERO HORA, 15 de julho de 2010

Quatro duplas de PMs irão policiar ruas e avenidas centrais de Porto Alegre com o objetivo de prevenir ataques a bancos e a lojas, combater o comércio ilegal e reprimir o transporte irregular de passageiros. A principal mudança proposta pela Brigada Militar diz respeito à área de atuação dos policiais envolvidos no projeto, que será mais restrita, e ao tipo de relacionamento que eles manterão com a população.

– A comunidade saberá o nome e o celular das duplas que farão patrulhas direcionadas. Não será preciso ligar para o 190 – diz o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Maciel da Silva.

Os PMs, escolhidos entre os mais antigos que atuam na região, farão rondas a pé. Conforme o tenente-coronel Maciel, a iniciativa integra o projeto Patrulha Cidadã, que visa a qualificar a BM para a Copa de 2014.

Cada uma das patrulhas do Centro terá um nome:


- Bancária: fará ronda nas imediações das 75 agências e postos bancários)

- Comercial: acompanhará os cerca de 8 mil pontos comerciais da região)

- Smic: atuará em parceria com fiscais da secretaria da Produção, Indústria e Comércio)

- Metroplan (pretende reprimir o transporte irregular).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

TERRITÓRIO DA PAZ É PROMESSA DE PAPEL NO RS

PROMESSA DE PAPEL - Zero Hora Editorial de 28/06/2010

Anunciadas como uma alternativa para a redução da criminalidade no Estado, as ações integrantes do chamado Território da Paz esbarraram numa série de entraves e ainda não saíram do papel. O caso mais preocupante é o da Praça da Juventude lançada no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que se comprometeu em voltar ao local um ano depois para ver se a promessa havia sido cumprida. Um ano se passou e a obra segue enredada em problemas que vão da burocracia à falta de comprometimento e até mesmo divergências políticas entre os governos municipal e federal. Perde a sociedade, que apostou nessa alternativa de lazer como uma forma importante de afastar os jovens da criminalidade.

Como outras ações também avançaram pouco na Capital – caso do Projeto de Proteção dos Jovens em Território Vulnerável (Protejo) e do Mulheres da Paz –, a população deve ficar atenta às razões reais do atraso. O inadmissível, no caso, é que as explicações se devam a motivos que não poderiam, em hipótese alguma, se sobrepor aos interesses da população num assunto de tal importância.

Segurança pública é uma área que, embora seja de responsabilidade dos governos estaduais, precisa ser garantida com os esforços de todas as instâncias da federação. Um dos méritos do Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci) é justamente o de estimular esse tipo de integração, acima de diferenças de ordem política ou administrativa.

Assim como em Porto Alegre, em outras cidades populosas do Estado as ações relacionadas ao Território da Paz também têm andado lentamente. Por mais irritante que seja a demora e as causas alegadas, a sociedade precisa continuar vigilante, até que os projetos saiam de fato do papel.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É uma pena que esta idéia seja utilizada de forma isolada e como bandeira partidária. É uma boa estratégia que será detonada assim que trocar o partido do governo. É isolada devido a não ter suporte de emergência para as ações e nem envolvimento do Judiciário, do MP, da Defensoria, do setor Prisional, da Saúde e da Educação. A visão de pacificação é focada apenas nas forças policiais que são colocadas em locais de risco sem as precauções para proteger os moradores. Os resultados são o número de vitimas inocentes e o bandido só trocando de lugar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

PACIFICAÇÃO - UPPs incentivam denúncias de moradores


Pacificação do Rio - UPPs incentivam denúncias de moradores - 24/05/2010 às 23h03m;
Guilherme Amado - Extra - O Globo

RIO - A pacificação das favelas tem contado com uma valiosa - e secreta - contribuição: a dos moradores. Para estimular a denúncia de irregularidades nas áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), PMs têm distribuído panfletos com o número do telefone do Disque-Denúncia. O trabalho é fruto de uma parceria dos administradores do serviço com o Comando de Polícia Pacificadora.

A tiragem inicial foi de cem mil exemplares. O texto diz: "A sua comunidade foi pacificada. Ajude a manter a segurança!". Os panfletos já foram espalhados por quase todas as comunidades alvo do programa de pacificação. Faltam apenas Providência, no Centro, e as favelas ocupadas na Tijuca, onde ainda não foram instaladas UPPs.

Segundo o capitão Leonardo Nogueira, comandante da UPP do Pavão-Pavãozinho, o trabalho do Disque-Denúncia na favela tem produzido resultados. Sem citar nomes, ele garantiu já ter feito prisões após denúncias feitas ao serviço.

- O Disque-Denúncia faz um trabalho de divulgação grande e tem bastante credibilidade - disse.

De acordo com o relatório "Heróis anônimos. UPPs - A visão da favela", elaborado por pesquisadores do Disque-Denúncia a partir de 1.859 ligações recebidas, o teor das denúncias de moradores mudou após a pacificação. Foram analisados telefonemas antes e após a instalação de UPPs no Dona Marta (Botafogo), na Cidade de Deus, no Jardim Batam (Realengo) e no Chapéu Mangueira/Babilônia (Leme). Antes, a polícia era chamada por causa de tiroteios entre bandos, de perturbação do sossego por bailes funk, para impedir homicídios ou localizar corpos de vítimas. No período inicial de ocupação policial, as ligações eram mais sobre movimentação de traficantes, rotas de fuga, esconderijos e depósitos de armas e drogas. Já com as UPPs, cresceu o número de denúncias sobre pontos de venda de drogas, mantidos por pequenos grupos ou um só traficante. O resultado do trabalho fez as próprias UPPs oferecem telefones para denúncias.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Pena que este tipo de policiamento está sendo empregado sem o suporte necessário para garantir credibilidade nas ações, nos policiais e no Estado. É isolado e focado apenas no aparato policial.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

FIM DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO - Secretário anuncia rodízio de PMs em UPPs, abortando proposta comunitária.

Secretário anuncia rodízio de PMs em UPPs - Blog Reporter de Crime - O Globo - 21/04/2010

A Secretaria de Segurança vai implantar o rodízio de policiais nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), com o objetivo de evitar que os agentes sejam corrompidos pelo tráfico. A medida foi anunciada pelo secretário José Mariano Beltrame em encontro com blogueiros da Tijuca, na segunda-feira. Sem saber disso, postei no dia seguinte a sugestão de um bandido, de que o rodízio dos PMs evitaria que fossem cooptados pelo tráfico.

O anúncio feito pelo secretário de Segurança é bem pragmático, mas indica que de fato o tráfico de drogas não foi desmobilizado das áreas dominadas pela polícia - uma conquista que era anunciada no início do projeto de pacificação de pavelas. Mais tarde, as autoridades passaram a contar como vantagem o fato de conseguirem conquistar o território antes ocupado por homens arrmados. De fato é muito difícil retirar os todos os traficantes daquelas áreas, já que muitos deles ali nasceram e foram criados. Muitos têm fortes vínculos afetivos com a comunidade.

O que ainda falta às UPPs, a meu ver, é a criação de um setor de inteligência - semelhante ao da 2a Seção de toda organização militar - com o objetivo de produzir conhecimento que auxilie as operações policiais em favelas e o próprio funcionamento das UPPs. A experiência desses novos policiais em favelas não pode ser desprezada. O ideal é que os integrantes desse setor atuassem de modo clandestino, sem o conhecimento nem mesmo de seus colegas. Seria uma espécie de infiltração dentro da própria unidade com o objetivo de evitar que policiais fossem cooptados. O problema é que teriam que ser homens e mulheres com idoneidade acima da média, checada e rechecada. Essa atividade de inteligência dentro da UPP também iria requerer uma espécie de rodízio para não criar uma casta no grupo.

Um dos blogueiros que participou do encontro com o secretário foi Jan Kruger, leitor assíduo deste blog e autor do Caos Carioca. Em post publicado ontem, Kruger informa:

"O Secretário e seus assessores explicaram que haverá uma expansão gradativa do numero de favelas ocupadas. E que tal planejamento é feito de acordo com estudos detalhados dos candidatos (as favelas), que são ranqueadas de acordo com metodologia específica. Tal expansão depende da formação de novos policiais. 1300 esta semana e outros 1500 em Agosto o que possibilitará ocupar em media uma favela ate o final deste ano. Deixou claro também que ate o momento não houve ingerência nenhuma quanto ao planejamento e que este está a cargo de técnicos, e não políticos."

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - ESTA MEDIDA DECRETA O FIM DA FILOSOFIA DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO PROPOSTA PARA AS UPPS. O RODÍZIO TORNA IMPESSOAL O POLICIAMENTO E ACABA COM A PROPOSTA DE APROXIMAÇÃO CAPAZ DE AUMENTAR A RELAÇÃO DE CONFIANÇA ENTRE POLICIAL E CIDADÃO, INSTITUIÇÃO E COMUNIDADE, NECESSÁRIO PARA A IMPLEMENTAÇÃO E CONSECUÇÃO DESTA FILOSOFIA DE POLICIAMENTO.

Parafraseando um ditado conhecido, ao invés de retirar as ameaças do meio, ele prefere mudar as oportunidades de lugar. É amadorismo de quem não conhece a filosofia do policiamento comunitário, ou de proximidade, ou de quarteirão, ou dos koobans japoneses. O policiamento comunitário é pessoal e precisa de tempo de ocupação do território, aproximação com o cidadão e provas de trabalho bem feito, para então conquistar a confiança do cidadão e da comunidade onde se trabalha.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Emergência 190 - Dia de trabalho dos PMs que fazem o programa na TV Câmara

Os policiais vão para a rua. A missão? Entrevistar. Como é o dia de trabalho dos PMs que fazem o jornalístico ‘Emergência 190’, na TV Câmara - Maiara Camargo, maiara.camargo@grupoestado.com.br - 22/03/2010

No lugar de armas ou cassetetes, câmera ou microfone em mãos. É assim que trabalham os policiais militares da 5ª Seção do Comando Geral, setor de rádio e televisão. A equipe produz reportagens para o programa semanal Emergência 190, transmitido às sextas-feiras, às 17h, na TV Câmara. Na pauta, a maioria das notícias está relacionada à prestação de serviços e eventos da Polícia Militar. Para ver as diferenças entre os repórteres-policias e os jornalistas comuns, o Jornal da Tarde foi a campo com os PMs.

O setor tem sete funcionários, que se dividem em pauteiro, produtor, repórter, cinegrafista e apresentador. Nenhum deles é formado em Jornalismo. O capitão e apresentador Rogério Guidette foi bombeiro por 15 anos e fez cursos na área de rádio e TV no Senac. O tenente Vladimir Fernandes, que passou pelas salas da mesma escola, escreve textos e é apresentador. Interessado na área, começou a faculdade de Jornalismo. “Estou no primeiro ano. Não dizia que era policial, mas uma colega me viu na televisão.”

Roteiro de reportagem pronto, entrevistas agendadas e dois integrantes do grupo vão para a rua. Como o objetivo não é fazer policiamento, o carro escolhido é da polícia, mas sem identificação de viatura. O trabalho do dia é parte de uma reportagem sobre segurança no transporte escolar.

Ainda no interior do veículo, cinegrafista e repórter fazem os últimos ajustes. “Faz umas imagens dos estudantes saindo da escola”, aconselha o sargento Miguel Alixandre, de 40 anos, que apesar do cargo de repórter é formado em Direito. Já em frente ao Colégio da Polícia Militar, o soldado Ivan da Silva Freitas, que após cursos no Senac ganhou a função de cameraman, monta o tripé e começa a filmagem.

Em pouco tempo, os alunos começam a fazer algazarra perto deles. Uma senhora se aproxima e diz: “Vocês poderiam cuidar do lixo que está acumulado nessa rua”. O policial responde: “Tem que entrar em contato com a prefeitura da cidade”.

Depois das imagens gerais, é hora das entrevistas. Lucilene Haroutiunian, dona de uma das peruas que transporta os alunos da escola, é abordada. Animada, conta que ficou surpresa ao saber que existem policiais-jornalistas.

Para a equipe, a maior vantagem de ser policial está nas portas que se abrem. “Quem faz a segurança dos grandes eventos é a polícia, ou seja, nossos colegas. Sempre conseguimos um acesso um pouco melhor”, revela o capitão Guidette.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - ESTE TIPO DE PROGRAMA DEVERIA SER INSTITUCIONALIZADO NAS POLÍCIAS. É UM INSTRUMENTO ÚTIL DE MARKETING E DE DICAS INFORMATIVAS DE SEGURANÇA PARA A POPULAÇÃO E DE VALORIZAÇÃO DA ATIVIDADE POLICIAL. É MUITO USADO NOS EUA E NA EUROPA.

domingo, 21 de março de 2010

POLÍCIA CIDADÃ - A INSTITUCIONALIZAÇÃO NA BM DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO

Novo modelo de segurança - INFORME ESPECIAL | TULIO MILMAN - Zero Hora, 20 de março de 2010

Era só uma experiência. Deu certo e vai se espalhar.

Toda a Brigada Militar gaúcha está se juntando ao projeto Polícia Cidadã. Sob a coordenação do major Clóvis Reis da Silva Jr., um gabinete especial foi criado para cuidar do assunto. É diretamente ligado ao comando-geral.

A ideia é estreitar os laços com a comunidade através de reuniões em todos os municípios gaúchos. Em um mês, já foram realizadas mais de 650.

Novas práticas de relacionamento com a sociedade estão sendo implementadas. Novidades do patrulhamento

Uma das iniciativas incorporadas pela Brigada é o “Estive Aqui”. Durante as patrulhas, os soldados de todo o Estado deixarão bilhetes nas portas ou nas caixas de correio das residências, lojas e bancos visitados. Até agora, a prática era limitada a algumas regiões da Capital. A intenção é aumentar a sensação de segurança e dar visibilidade a um tipo de trabalho que muitas vezes não é percebido pela população.

Municípios e bairros passarão a ter os seus Conselhos Comunitários de Segurança.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - PARABÉNS AO CEL TRINDADE, ATUAL CMT GERAL, QUE DETERMINOU A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO NA BRIGADA MILITAR, DESTA VEZ TENDO O APOIO DO GOVERNO DO ESTADO.

A DENOMINAÇÃO "POLÍCIA CIDADÃ" JÁ FOI UTILIZADA NO GOVERNO OLÍVIO PELO SECRETARIO BISOL PARA APROXIMAR AS POLÍCIAS CIVIL E MILITAR DA SOCIEDADE. O CMT GERAL DA ÉPOCA, CEL LUDWIG, CRIOU UMA SUBSEÇÃO NO EMBM PARA APLICAR NA CORPORAÇÃO OS CONCEITOS E AS ESTRATÉGIAS DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO. INFELIZMENTE, A IDÉIA NÃO TEVE CONTINUIDADE DEVIDO A TROCA DO CMT GERAL QUE EXTINGUIU O DEPARTAMENTO E REMOVEU OS OFICIAIS ESPECIALISTAS, PRIORIZANDO AS BLITZ, AÇÕES DE CONTENÇÃO, EM RELAÇÃO ÀS ATIVIDADE DE PREVENÇÃO E A APROXIMAÇÃO.

COM ISTO, O POLICIAMENTO OSTENSIVO FICOU AINDA MAIS DISTANTE DO CIDADÃO, OS BAIRROS FORAM ABANDONADOS E O POLICIAL TEM SE PREOCUPADO APENAS EM ATENDER OCORRÊNCIAS, MEIDAR CONFLITOS E SALVAR A PELE NOS ENFRENTAMENTOS COM O CRIME.

O CEL REIS, PARCEIRO NA ELABORAÇÃO DE UM MANUAL DE GESTÃO DO POLICIAMENTO COMUNITÁRIO EM 2001, É UM ESPECIALISTA NESTA ÁREA E PODE MUITO BEM, SE TIVER REFORÇO DA SSP E CONTINUIDADE, INTERNALIZAR DE VEZ ESTA FILOSOFIA NA BRIGADA MILITAR. DESEJAMOS SUCESSO NA EMPLEITADA.

segunda-feira, 8 de março de 2010

UPPs - Policiais mulheres exercem o papel principal no comando


NOSSA HOMENAGEM ÀS MULHERES POLICIAIS NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Policiais mulheres exercem o papel principal na pacificação de favelas do Rio. Comandantes assumiram a frente das UPPs do morro Dona Marta e da ladeira dos Tabajaras - Carolina Farias, do R7 no Rio

Duas mulheres carregam nas costas a responsabilidade de fazer dar certo o principal projeto do governo do Estado do Rio de Janeiro para combater a violência em favelas da capital. Priscilla de Oliveira Azevedo, de 32 anos, e Rosana Alves, de 30 anos, comandam, respectivamente, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas comunidades do morro Dona Marta e da ladeira dos Tabajaras/morro dos Cabritos, na zona sul. As duas viram a vida mudar depois de assumirem os comandos desses postos.

Outras quatro comunidades cariocas têm UPPs, porém, estão sob o comando de oficiais homens da Polícia Militar. O projeto começou há um ano e três meses no morro Dona Marta, já com Priscilla no comando. Quando foi convidada para ficar à frente da primeira UPP, ela diz ter ficado um pouco apreensiva com a novidade. Já Rosana ficou ansiosa, conhecia a empreitada pela colega - de farda e de curso de oficiais - e adorou o convite.

O desafio dessas mulheres é grande. Além de acabarem com a presença de traficantes armados nas favela, elas têm de introduzir nas comunidades os preceitos de polícia comunitária, com a participação ativa na vida dos moradores.

Para Priscilla, o primeiro desafio foi o fato de a experiência ser pioneira no Rio. Com 12 anos na PM, a capitão nunca havia trabalhado em policiamento comunitário, que têm preceitos diferentes do trabalho de polícia convencional. Na UPP, ela tem sob seu comando 120 policiais, todos homens, responsáveis por uma favela de 8.000 moradores.

- Na hora [em que fui chamada] pensei: meu Deus, isso aí não dá não! Porque era a primeira, eu ia buscar referência onde? Não era medo do morro não, era medo da missão. Aqui o medo que eu tinha era de a comunidade não me aceitar. Mas, medo de vagabundo eu não tenho não.

Com sensibilidade, Priscilla, que nunca sentiu preconceito dos moradores por ser mulher, vem conquistando espaço na comunidade. Para ela, a visão que a população tinha da polícia está mudando a partir da instalação da UPP.

Para se manter presente e conhecer a rotina do morro, ela “está em todas”. Nunca fica em sua sala, na sede da UPP, no alto do morro. Sempre está fazendo rondas e, a partir disso, passa a conhecer os moradores. No início do trabalho, dormiu muitas noites em um batalhão que fica no meio da comunidade para saber como é o morro à noite.

O mais difícil para a capitão é mostrar aos moradores que a favela é um lugar deles, onde podem exercer seus direitos, sem temer a violência.

- Nosso objetivo maior aqui era retomar o terreno, tirar da facção. O cidadão tem de ter vida normal. Sair na hora que quiser, entrar na hora que quiser. Ficar no portão de casa se quiser. Temos de mostrar assim: 'Olha, a comunidade é de vocês. A gente está aqui como força policial para garantir isso, mas a gente tem de trabalhar junto'.

Com tanto trabalho na UPP, não sobra muito tempo livre. O namoro, quase acabou e, só agora, mais de um ano depois, ela conseguiu marcar uma consulta médica. O curso de direito, no último ano, foi trancado e as aulas de inglês, abandonadas.

Ensinar a pescar

Rosana está há pouco mais de um mês à frente do comando da UPP da ladeira dos Tabajaras/morro dos Cabritos. É nova no projeto, mas fala com propriedade sobre o trabalho. Ela foi chamada para assumir o posto após fazer pós-graduação em segurança e cidadania. Seu desafio é um pouco maior que o de Priscilla. Nas duas comunidades, moram 20 mil pessoas e ela comanda 142 policiais militares. Ainda não há uma sede para a UPP, que está abrigada em dois contêineres no meio da comunidade Tabajaras.

Apesar da euforia com o novo posto, Rosana diz que temeu resistência por parte dos moradores pelo fato de ser mulher. O medo foi em vão - ela também não enfrentou preconceito.

- Uma amiga me disse para eu abrir meu sorriso largo. Agora foi a comunidade que me conquistou.

Para entender as comunidades, além de rodar pelas vielas e falar com seus habitantes, Rosana estudou todo o passado da Tabajaras e do morro dos Cabritos. A capitão quer aplicar o conhecimento adquirido no curso de pós-graduação, principalmente, noções de cidadania, para que os moradores das duas comunidades saibam fazer valer seus direitos.

- Em vez de trazer soluções, eu ouço e acolho para que eles caminhem por eles mesmos. Porque isso [recuperação da cidadania] não pode ficar atrelado à minha pessoa (...) Ao invés de eu estar trazendo o peixe, eles vão saber pescar.

Um exemplo de que o trabalho já dá resultado são as denúncias de violência doméstica que Rosana recebe das próprias vítimas. Segundo ela, antes as mulheres temiam denunciar maridos e companheiros, porque eles diziam que eram aliados a traficantes. Agora, as mulheres tomam coragem e procuram a comandante.

- Quero marcar uma reunião com essas mulheres e uma juíza que vai explicar o que elas têm de fazer.

Vida do avesso

Rosana também viu sua vida mudar bastante após o início do trabalho na UPP. Apesar do dia adia corrido, não abre mão de se cuidar. Quando não há tempo de ir à manicure, ela mesma faz as unhas. No rosto, uma base com protetor solar mantém a pele protegida e bonita. No lugar do batom, carrega um gloss na bolsa e não sai sem brincos - tem três furos em cada orelha. Quando chegou para a entrevista, a capitão exalava o cheiro de um hidratante da marca Victoria's Secret.

- É importante para não perder a ternura.

Para combater o estresse, Rosana corre e surfa na praia da Barra, na zona oeste do Rio.

- Ninguém merece uma policial de TPM [tensão pré-menstrual]. Correr é bom para organizar as ideias. É um momento só seu.